Farmacêuticos na luta contra o Câncer

Homenagem ao farmacêutico que atua em oncologia no combate ao cancer

Nossa Homenagem aos farmacêuticos que dedicam seu tempo e esforço no combate e luta contra o câncer.


 

Leia abaixo o texto sobre o papel do farmacêutico em oncologia e veja o vídeo sobre a profissão:

 

O Papel do Farmacêutico em Oncologia

Texto por Julia M. de Freitas Binatti e Luciane Rodrigues Hypolito


A prestação da assistência ao paciente oncológico inclui várias especialidades integradas, dentre as quais podemos citar os serviços de diagnóstico, cirurgia oncológica, oncologia clínica, radioterapia, medidas de suporte (nutricional, psicológico), reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia) e cuidados paliativos. Para que o atendimento integral a esse paciente seja eficiente, se faz necessária a integração e reciprocidade entre esta equipe multidisciplinar, onde cada profissional contribui com suas habilidades.

Nesse contexto, o profissional farmacêutico se apresenta como ferramenta essencial ao tratamento farmacoterapêutico em oncologia. Sua função excede a simples dispensação da prescrição médica, é um preditivo da qualidade da assistência ao paciente oncológico. Sua atuação é importante em várias etapas da terapia antineoplásica, devendo participar das reuniões da equipe multidisciplinar em oncologia, auxiliando na padronização de medicamentos e esquemas terapêuticos tanto para medidas de suporte quanto para o tratamento das doenças antineoplásicas. Com base nesses protocolos, compete a esse profissional a seleção dos medicamentos e materiais por meio da verificação do cumprimento das exigências legais pelo fornecedor e da avaliação técnica dos produtos, sendo ainda responsável pela notificação de desvios de qualidade aos órgãos reguladores. O armazenamento dos medicamentos é outra etapa crítica onde a presença desse profissional se faz indispensável. É necessária a elaboração de procedimentos escritos de todos os processos (da aquisição à dispensação dos medicamentos) além de treinamento e reciclagem da equipe de farmácia para que sejam asseguradas a qualidade dos medicamentos antineoplásicos e a minimização dos riscos de exposição ocupacional a esses agentes. O farmacêutico também é o responsável por analisar os fatores para modificações da área física de acordo com as necessidades operacionais e normas estabelecidas pelos órgãos de vigilância sanitária locais.

Um tratamento efetivo é o objetivo da atuação desse profissional durante a dispensação da prescrição médica, por meio da identificação dos dados do paciente e checagem da correspondência das doses e dia de administração ao protocolo de tratamento, avaliação dos componentes quanto à quantidade, compatibilidade, estabilidade e interações. As vias de administração, diluente, tempo, velocidade e esquema de infusão devem estar consistentes com os protocolos estabelecidos. Dessa forma, o farmacêutico, como parte da equipe multidisciplinar, é fundamental na identificação de erros relacionados à medicação, na sua prevenção e no auxílio à sua resolução.

O fornecimento de informações sobre o medicamento é essencial tanto para os profissionais de saúde quanto para os pacientes. A assistência farmacêutica no processo de comunicação fornece aos demais profissionais informações sobre farmacocinética e farmacodinâmica, doses usuais, forma de administração, doses máximas, toxicidade acumulativa, incompatibilidades físicas e químicas dos medicamentos. Para os pacientes é fundamental esclarecer que atualmente existe um amplo espectro de opções terapêuticas empregadas na prevenção e minimização dos principais sintomas que ocorrem após a quimioterapia, contudo é imprescindível que orientações diferenciadas sejam dadas para que se obtenha o melhor resultado dentro da posologia prescrita. Informações acerca de cada medicamento administrado antes e depois da quimioterapia, sua indicação no combate dos sintomas, ressaltando a importância do cumprimento dos horários de tomada (ex. medicamentos prescritos para os dias anteriores e/ou subseqüentes), bem como a correlação com os hábitos alimentares e ingesta hídrica são fundamentais para prevenir ou reduzir os efeitos adversos decorrentes da quimioterapia antineoplásica.
Assim como esclarecer que em alguns casos (como náusea e dor) embora os sintomas tenham diminuído, se a dose seguinte não for tomada dentro do horário e posologia prescrita as reações ocorrerão novamente e o tempo de resposta de ação do medicamento será mais longo. Situações como estas denotam a importância do esclarecimento e da informação como formas de tornar a prevenção de efeitos adversos mais eficaz, orientando e incentivando os pacientes não só à adesão ao tratamento, mas também à observação e identificação suas respostas fisiológicas, o que fará com que seus relatos ao médico e equipe sejam mais precisos, facilitando assim o manejo quando não houver boa resposta no primeiro plano terapêutico de prevenção de efeitos adversos. Além disto, observar e identificar o perfil emocional deste paciente junto à equipe pode ser de grande valia, uma vez que pacientes ansiosos, deprimidos ou com diagnósticos psiquiátricos anteriores podem ter dificuldade de verbalizar de forma clara e coerente suas reações, o que pode dificultar o manejo das mesmas.

No que diz respeito ao preparo dos medicamentos antineoplásicos, este deve ser realizado com técnica asséptica, em ambiente com infra-estrutura apropriada segundo as normas locais e padrões internacionais, seguindo os procedimentos pré-estabelecidos sob responsabilidade do farmacêutico. A ação desse profissional nessa etapa da terapia antineoplásica é fundamental para diminuir os riscos associados ao manejo desses medicamentos além de prevenir erros como seleção errônea do diluente, agitação de maneira imprópria, temperatura inapropriada durante o preparo, condições essas que podem levar à formação de precipitados ou espuma, redução da potência, estabilidade e qualidade da preparação. A temperatura de armazenamento dos medicamentos reconstituídos e diluídos assim como o período de validade da solução pode variar de acordo com o diluente. Deve ser estabelecida rotina de manuseio de quimioterápico orais.Todas essas variáveis devem ser avaliadas pelo farmacêutico para prevenir perdas, contaminação do manipulador, superdosagem acidental ou troca da medicação e manter a qualidade do tratamento fornecido ao paciente oncológico, ao mesmo tempo resguardar a instituição de saúde principalmente devido ao alto custo dos medicamentos antineoplásicos.

O transporte seguro dos medicamentos antineoplásicos da central de preparo até a administração no paciente deve ser assegurado por esse profissional, assim como a confecção do rótulo de identificação para cada medicamento com o nome do paciente, dose de cada medicamento, volume respectivo aspirado, diluente e volume de diluição, recomendações quanto à estabilidade e particularidades na administração.

O destino seguro dos resíduos provenientes dos medicamentos antineoplásicos também é responsabilidade do farmacêutico em conjunto com os demais profissionais de saúde, sendo peça fundamental na elaboração das rotinas de recolhimento, segregação e destinação dos resíduos bem como no treinamento dos funcionários envolvidos e na verificação da conformidade das empresas responsáveis pelo tratamento e disposição final dos resíduos com as normas vigentes de licenciamento ambiental.

A multidisciplinariedade da oncologia associada às crescentes inovações exige de cada profissional uma postura interdisciplinar, uma vez que o ser humano não pode ser entendido como a soma de suas partes e sim dentro de uma visão integral. Para o sucesso do tratamento em oncologia, o objetivo principal deve ser o paciente, com a contribuição de cada profissional através de estratégias elaboradas em equipe como o desenvolvimento de protocolos, rastreamento dos processos e, assim, garantir a qualidade do tratamento, baseando na educação contínua e confiança entre as especialidades. Nesse contexto, farmacêutico deve ser entendido como um profissional que acrescenta à equipe multidisciplinar em oncologia, pois cada vez mais está presente nos processos trazendo projetos de melhoria e inovação.


Referências

ASHP. Technical Assistance Bulletin Handling Cytotoxic and Hazardous Drugs. Am. J. Hosp. Pharm. 1990;47: 1033-49.
Bonassa, E. Enfermagem em Terapêutica Oncológica. Atheneu: São Paulo, 2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de vigilância Sanitária. RDC nº 220 de 21 de setembro de 2004. Aprova o Regulamento Técnico de funcionamento dos Serviços de Terapia Antineoplásica. Diário Oficial da União da República Federativa do Brasil, Brasília, 23 set. 2004.
CFF. Resolução nº 288 de 21 de março de 1996. Dispõe sobre a competência legal para o exercício da preparação de drogas antineoplásicas pelo farmacêutico.
NIOSH. National Institute for Occupational Safety and Health. NIOSH Alert.Preventing Occupational Exposures to Antineoplastic and Other Harzadous Drugs in Health Care Settings. DHHS (NIOSH) Publication.2004 Sep;165. Disponível em: www.cdc.gov/niosh.
SOBRAFO. Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia. Guia para o preparo seguro de agentes citotóxicos.2003;38 p.
OSHA Technical Manual Section VI: Chapter 2 -Controlling Occupational Exposure to Hazardous Drugs - U.S. Department of Labor - Occupacional Safety and Health Administration - 1999.
American Society of Health-System Pharmacists. ASHP Therapeutic Guidelines on the Pharmacologic Management of Nausea and Vomiting in Adult and Pediatric Patients Receiving Chemotherapy or Radiation Therapy or Undergoing Surgery. Am J Health-Syst Pharm. 1999; 56:729–64.
American Society of Hospital Pharmacists. ASHP technical assistance bulletin on handling cytotoxic and hazardous drugs. Am J Hosp Pharm. 1990;47:1033–49.
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Comentários  

# Gabriela Aires 23-05-2014 12:31
Boa tarde! Estou precisando muito do Guia para preparo de agentes citotoxicos da Sobrafo e não estou conseguindo achar na internet, voces poderia por gentileza me enviar? Muito obrigada