Cupons de Descontos - Ética x Acesso ao Tratamento

prescricao cupom de descontoComo todo início de ano, mudanças acontecem em decorrência de planejamentos e ações que aguardam o término das festividades, e no varejo farmacêutico não poderiam ser diferente.


 

            No início deste mês de fevereiro, a população como um todo pode acompanhar a nova determinação do CFM (Conselho Federal de Medicina), proibindo a atuação dos médicos dentro dos consultórios, de entregar aos seus pacientes os cupons de descontos de medicamentos para tratamento de doenças crônicas.

 

 

          Há muito tempo, o Conselho de Medicina vem tentando inibir o abuso por parte de alguns médicos, os quais na maioria das vezes utilizam-se de sua profissão para obter vantagens pessoais. Porém, neste caso, generalizar pode causar transtornos sérios.

 

O trabalho de cupons e vales-descontos concedidos pelos laboratórios tem facilitado sem sombra de dúvidas a adesão a tratamentos de muitos pacientes carentes que não conseguem obter pelas vias normais seus medicamentos, prolongando assim suas vidas e gerando uma qualidade de vida melhor.

 

Nesta lista podemos incluir medicamentos para tratamentos de cardiopatia, doenças do trato respiratório, ansiolíticos e antidepressivos.

 

          Infelizmente, por falta de divulgação, muitas pessoas deixaram de iniciar o tratamento por desconhecer as vantagens que eram oferecidas. Os descontos chegavam a mais de 40% do PMC (Preço Máximo ao Consumidor), o que em alguns casos representavam uma economia muito grande para produtos como tratamentos de Alzheimer que chegava a metade do preço final.

 

          Dados do ministério da saúde mostram um numero grande de pessoas que necessitam destes tratamentos, principalmente os casos de Diabetes e Hipertensão, em atenção especial a regiões do País como Aracaju, Vitória, Natal e demais capitais demonstradas no gráfico abaixo.

 

 

Índice de qualidade de vida para Doenças Crônicas Não Transmissíveis VIGITEL, 2007

 

tabela vigitel pfarma

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=28297

 

          Claro que os interesses comerciais existem, como fidelização da marca, aumento nos volumes de vendas e etc., porém se faz de suma importância a analise de decisões como esta que se realizadas de forma impensada, podem trazer transtornos não as grandes marcas ou a classe médica, mas sim aos usuários destes medicamentos.

 

          Precisa existir uma interação entre entidades como CFM (Conselho Federal de Medicina) e as indústrias farmacêuticas, onde cada um poderá vislumbrar possibilidades de facilitar o acesso dos pacientes aos medicamentos e ao mesmo tempo manter as bases comerciais alinhadas com os seus objetivos estratégicos.

 

          O Ministério da Saúde tem buscado através de ações como Farmácia Popular facilitar e subsidiar alguns tratamentos, porém existem patologias que não fazem parte do plano, e que precisam sim, da ajuda de fabricantes nacionais e multinacionais.

 

          Em última análise, o que irá acontecer na prática será a migração do trabalho feito no consultório médico com o profissional adequado, para o balcão da farmácia, onde acontecerá como já se sabe a prostituição da utilização dos cupons e vales-descontos para obtenção de vantagens comerciais, dificultando o acesso mais uma vez da população leiga e carente.

 

          Da mesma forma como aconteceu com o programa Farmácia Popular os cupons e vales descontos serão concentrados nas grandes redes, gerando desta forma uma fidelização não só ao medicamento da indústria mas também as redes, e só depois será aberto esta possibilidade as farmácias independentes que hoje lutam entre si, na busca de sua solidificação no varejo farmacêutico.

 

          Infelizmente ações como esta não irão atingir aos objetivos finais do CFM (Conselho Federal de Medicina), pois as vantagens oferecidas dentro dos consultórios médicos continuarão a existir, porém o acesso dos medicamentos ao paciente não.

 

          Esta na hora das entidades representativas começarem a se unir na busca de facilitar e melhorar a assistência na área da saúde.

 

 

Artigo escrito por:
Robson Bracciali Barbosa - Farmacêutico
www.twitter.com/robsonbracciali
http://robsonbracciali.blogspot.com