A Sustentabilidade Como Diferencial Competitivo

sustentabilidade-industria-farmaceuticaTemos ouvido sobre as mudanças climáticas em todo o mundo. A preocupação das grandes autoridades mundiais tem sido a de convencer as potências econômicas a investirem em formas alternativas de consumo de energia e redução de poluentes.

Porém, quando olhamos para o nosso vizinho do lado vemos o desperdício de água e de luz, o que nos faz pensar o que falta fazer para que cada individuo compreenda onde suas atitudes refletem na sustentabilidade do nosso planeta.


Mas não para por ai, as empresas precisam olhar de forma diferenciada sua participação neste processo.

A falta de informação dos consumidores tem trazido sérios prejuízos ao meio ambiente e à saúde da população no momento do descarte de medicamentos.

Infelizmente no Brasil não há legislação e nem postos apropriados de coleta.

Todos os anos toneladas de remédios são produzidas e vendidas tanto na medicina humana, quanto na veterinária. Nesses fármacos, entre 50 e 90% de sua dosagem permanece inalterada quando excretada e persiste no meio ambiente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 12,5% dos municípios brasileiros têm aterro sanitário, isso significa que grande parte dos resíduos produzidos no país, incluindo esses materiais, vão para lixões a céu aberto. Lá, essas substâncias se infiltram no terreno e contaminam o solo e as águas.

Por conta disso, muitos desses fármacos vêm sendo encontrados, em concentrações bastante altas, em afluentes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e águas naturais. Na Alemanha, 18 antibióticos foram identificados em afluentes de ETEs e águas superficiais. Aqui no Brasil, foi realizada uma pesquisa pelo do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Rio de Janeiros (COPPE-UFRJ) que verificou que grande parte dos medicamentos é descartada no esgoto doméstico.

Os estudos também mostraram que várias dessas substâncias são resistentes ao processo de tratamento das ETEs, permanecendo no meio ambiente por longos períodos. Isso pode acarreta dois sérios riscos à população e à natureza. O primeiro é a contaminação dos recursos hídricos e o outro é que esses produtos acabam com microorganismos menos fortes, deixando vivos apenas os mais resistentes. Assim, uma bactéria presente em um rio que contenha traços de antibióticos pode adquirir resistência a essas substâncias.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/voceecod/descarte-de-remedios-o-que-fazer

As conseqüências são grandes e o desinteresse maior ainda. Pesquisas recentes têm levado a resultados assustadores e alarmantes.

 

Conseqüência da contaminação dos rios

 

Em Las Vegas, nos Estados Unidos apesar do bom tratamento de água a grande quantidade de contaminantes no lago Mead alterou a concentração hormonal em algumas espécies de peixes que apresentaram índices de feminilização. A população disposta apoiou a situação e aceitou pagar mais caro para ter uma água limpa.

Pesquisas realizadas com ratos pelo Instituto de Biociências do campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp) constataram que alguns tipos de contaminantes como o bisfenol A, podem afetar a fertilidade. Para Jardim, este e outros contaminantes, como pesticidas, afetam principalmente os organismos em formação, tornando-os perigosos ao desenvolvimento endócrino das crianças.

Problemas para o meio ambiente foram detectados pela contaminação por enxaguatórios bucais que se tornam ainda mais nocivos para o meio quando expostas ao sol.

Se é difícil prever o efeito destes produtos individualmente, o resultado da mistura entre eles é ainda mais desconhecido. A interação entre diferentes compostos químicos, em proporções e quantidades inconstantes e reunidos ao acaso, gera novos compostos, mais complexos e dos quais pouco se conhecem os efeitos. Os estudos e dados atuais servem somente para compostos individuais.

Preocupados com a presença de antibióticos nas águas dos rios, Jardim e sua equipe fizeram um estudo, entre 2007 a 2009, apoiado pela FAPESP. O projeto chamado "Antibióticos na bacia do rio Atibaia" chama a atenção pela presença de antibióticos populares, que têm sido crescente pelo consumo exagerado de medicamentos e automedicação.

A conseqüência disso, apontada pelo professor da Unicamp, é o risco maior de desenvolvimento de superbactérias, microrganismos muito resistentes à ação desses antibióticos. Ele alerta também que a conseqüência disso, para o meio ambiente e para a população, já pode estar acontecendo de maneira silenciosa e não está recebendo a devida atenção.

Fonte:http://portalexame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/remedios-cosmeticos-agrotoxicos-contaminam-aguas-abastecimento-602742.html

Diante deste quadro o varejo farmacêutico pode encontrar uma forma de se diferenciar da concorrência criando quiosques de coleta para embalagens de medicamentos não mais utilizados, seringas e medicamentos vencidos, da mesma forma como alguns já tem trabalhado como postos de coleta para pilhas e baterias.

Podem ser criados folders instrutivos com orientações práticas aos consumidores no checkout das farmácias

Por sua vez o governo deveria criar políticas de descarte de materiais, ou seja, dar a devida atenção para um problema silencioso e ignorado.

Pode ser criadas medidas simples como iniciar o monitoramento de substâncias químicas medicamentosas no mio ambiente, melhorar a depuração destas substâncias nas estações de tratamento e participar no processo de conscientização da população no descarte de medicamentos não utilizados ou vencidos.

Sem dúvidas, existem medidas simples que podem e devem ser adotadas por todos nós desde consumidores a empresas.

Que nossa consciência ecológica nos faça mudar nossa atitude.