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Manejo de Fármacos de Baixo Indíce Terapêutico no Ambito Hospitalar Através de um Serviço de Farmaco

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Escrito por Tiago Henrique Arantes   
Sex, 30 de Outubro de 2009 17:03

1) INTRODUÇÃO

 

            O monitoramento da concentração plasmática de alguns fármacos é baseado no fato da intensidade do efeito farmacodinâmico se correlacionar mais estreitamente com a concentração plasmática do que com a dose. Devido as grandes diferenças individuais, tanto na manignitude, quanto na extensão dos processos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção dos fármacos, uma mesma dose pode ter efeitos distintos em diferentes indivíduos, inclusive no mesmo paciente em momentos diferentes, em função das suas características fisiopatológicas.

            Sendo assim, a farmacocinética clínica é definida como um conjunto de atividades dirigidas que permitem a avaliação da concentração plasmática com base nos princípios farmacocinéticos e farmacodinâmicos para a individualização do regime posológico dos fármacos.

            O principal objetivo constitui em alcançar a máxima eficácia terapêutica com a mínima incidência de efeitos adversos, minimizando a variabilidade na resposta clínica e proporcionando uma terapia efetiva e segura.

 

 

2) JUSTIFICATIVA

 

            A farmacocinética clínica representa um componente integral de atenção farmacêutica na qualidade assistencial a pacientes selecionados, em função da sua farmacoterapia específica, condições patológicas e objetivo de tratamento, promovendo a redução do tempo de internação e da morbi-mortalidade (relacionada a erros de medicamento).

 

 

3) INDICAÇÃO DA MONITORIZAÇÃO

 

3.1) Seleção por Paciente

 

            Diversos fatores fisiopatológicos e clínicos inerentes ao paciente podem modificar as características cinéticas da maior parte dos fármacos, exigindo em muitas ocasiões, ajuste posológico adequado. As principais causas de variabilidade na resposta a medicamentos inerentes ao paciente são:

 

  • presença de fatores fisiopatológicos que afetem qualquer processo farmacocinético (liberação, absorção, distribuição, metabolização e excreção) como: insuficiência cardíaca, renal e hepática, neoplasias, fibrose cística. Variações importantes no volume de distribuição (hipoalbuminemia, reposição volêmica de grande volume, nutrição parenteral, terapia com fármacos vasoativos e ventilação mecânica)
  • idade (pacientes pediátricos e geriátricos);
  • risco alto de comprometimento do paciente com conseqüências clínicas graves (ex: tuberculose, AIDS, asma, transplante);
  • estado nutricional/dieta;
  • politerapia;
  • obesidade;
  • tabagismo e etilismo.

 

3.2) Seleção por medicamento

            O programa de monitorização será iniciado com fármacos considerados prioritários para o hospital. Em geral, os fármacos selecionados apresentam o seguinte perfil específico:

 

  • estreito intervalo terapêutico (seletividade do fármaco na produção de seus efeitos desejados versus efeitos adversos) ex: fármacos com cinética não linear;
  • excelente relação dose/concentração plasmática ou concentração/efeito terapêutico ou tóxico;
  • ampla variabilidade cinética interindividual (fatores genéticos e ambientais);
  • presença de interações medicamentosas farmacêuticas, farmacocinéticas e farmacodinâmicas de relevância clínica.

tabela1

Fig. 1. Exemplos de fármacos comumente monitorizados.

 

4) SOLICITAÇÃO DA MONITORIZAÇÃO

 

            Uma rotina deve ser descrita, inerente a cada fármaco, respeitando o steady-state e o período ideal de coleta. Um documento institucional deve ser confeccionado contendo informações a respeito da história clínica do paciente, bem como os dados que justifiquem a atividade assistencial, além de contemplar os itens abaixo:

  • identificação do paciente;
  • dados do solicitante (médico/farmacêutico clínico);
  • dados clínicos relevantes (diagnóstico, insuficiência renal, hepática, cardíaca,      creatinina, albumina, etc.);
  • motivo da solicitação;
  • fármaco solicitado, intervalo terapêutico usual, concentração;
  • dados referentes a coleta da amostra e a última dose administrada;
  • tratamento atual.

 

Texto escrito por:

Tiago Henrique Arantes - Farmacêutico
Todos os direitos reservados ao autor


 

theclaTiago Henrique Arantes

formado em farmácia pela UFRJ e especializado em farmacologia. Possui experiência como RT de farmácia de manipulação e mais de 4 anos de atuação como Farmacêutico Hospitalar, participando de atividades como membro do Comite de Gerenciamento de Risco e Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional deste Hospital, participação no processo de acreditação internacional, também ministra aulas em cursos de pós graduação e palestras

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