Serviços Farmacêuticos preparo e cobrança

servicos-farmaceuticosO Texto abaixo foi extraído do Hotsite do Congresso PCare 2011, estou reproduzinho aqui por achar de interesse dos usuários do Pfarma.


 

O farmacêutico do varejo farmacêutico está preparado para prestar os serviços farmacêuticos citados na RDC nº 44/2009 e este serviço é cobrado em outros países?

 

É complicado falar em preparo. Há ainda pouca uniformidade na formação do farmacêutico. A despeito das mudanças curriculares a atuação do farmacêutico na área assistencial ainda é nova no País e há docentes que estão assumindo disciplinas nesta área sem um entendimento aprofundado do real significado desta nova filosofia. Contudo, há locais de excelência na formação graduada que podem colocar no mercado profissionais mais bem preparados para assumir o desafio de conduzir este processo.

Penso que pode haver farmacêuticos preparados para prestar estes serviços, mas certamente há muitos despreparados também. Não basta apenas ter a vontade de realizar o serviço.


É preciso buscar aperfeiçoar a formação para atuar de forma mais qualificada. No início de minha carreira na área assistencial, terminei uma faculdade que tinha uma disciplina de farmácia hospitalar, mas somente quando me inseri em um programa de aprimoramento hospitalar consegui perceber o campo de trabalho que havia a minha frente. Depois do aprimoramento fui contratada de imediato para trabalhar em um hospital de grande porte, no interior do Estado de São Paulo, e aí percebi que, para atuar como gostaria, precisaria continuar me especializando e fui trabalhando e buscando novos conhecimentos dentro e fora do País, através de cursos de especialização e aprimoramento.

 Quando se está convencido de que se quer atuar em uma determinada área não se consegue parar de buscar novos conhecimentos, ou seja, a graduação e mesmo uma única especialização não bastam para fazermos a diferença e mudarmos o contexto do segmento em que estamos atuando. O que me preocupa quando fixo meu olhar no segmento do varejo farmacêutico é que há muitos farmacêuticos que ali estão atuando, mas que não vêem o setor como uma opção de carreira para a qual queiram se aperfeiçoar para atuar cada vez com maior competência. Parece que atuar em farmácia ainda é, para muitos, um estágio para conseguir ir para um segmento melhor no futuro. Isso complica a performance do profissional que acaba não se desenvolvendo e alterando o contexto que atualmente é muito desfavorável, em especial em termos salariais. Isso não era diferente na área hospitalar na década de 1980, mas melhorou muito atualmente graças ao empenho de muitos farmacêuticos no desenvolvimento do setor, a despeito das condições também desfavoráveis presentes naquela época.

A diferença é que a carreira de farmacêutico hospitalar foi sendo construída nos últimos anos e evoluiu muito. É necessário que haja farmacêuticos que decidam abraçar a causa e queiram modificar a realidade de atuação profissional neste seguimento.

Não é difícil preparar-se para realizar serviços de aferição de glicemia capilar, pressão arterial, entre outros, mas o difícil é fazer com que estes serviços contribuam concretamente para os resultados em saúde dos usuários de medicamentos e isso somente é conseguido se os procedimentos forem realizados por profissionais preparados para a interpretar os resultados destas aferições, definir que atitudes tomar diante dos mesmos, ou seja, que possam atuar em benefício das pessoas que se submetam a estes serviços. Este preparo somente é adquirido de forma completa por aqueles que entendem o motivo do que fazem e que estão vinculados com as mudanças requeridas.

É necessário evoluir muito neste sentido e certamente a RDC nº 44/2009 vai contribuir para isso. Não se pode esperar que a situação do setor se resolva para que as resoluções sejam lançadas, mesmo porque a atenção farmacêutica não foi colocada para o mundo para resolver uma necessidade profissional ou de um determinado segmento de mercado, mas sim para dar conta de um problema da sociedade: a morbidade e mortalidade por medicamentos que é alta e está em ascensão no mundo todo. Com relação a cobrança dos serviços, em vários países existe esta cobrança.

É correto cobrar pelos serviços prestados, mas é necessário trazer benefícios concretos aos pacientes que devem ir além de anotar num papel o valor aferido. A sociedade paga por serviços que considere que de fato façam diferença em sua vida. Há a possibilidade de cobrar os serviços nas farmácias brasileiras, desde que o regime fiscal do estabelecimento permita, mas antes de cobrar é preciso estruturar o serviço e desenvolver uma atuação mais comprometida com os resultados em saúde. É a evolução natural do serviço que propiciará que a sociedade valorize e pague pelo mesmo. No serviço público, em algumas unidades, há pagamento pela prática do acompanhamento farmacoterapêutico. Não é o farmacêutico que recebe diretamente pelo serviço prestado, mas a unidade em que ele atua recebe verbas referentes aos atendimentos, quando estes são registrados e há indicadores de resultados. Este repasse de verba valoriza também a necessidade da atuação do profissional na equipe e é algo que já está acontecendo no Brasil e que pode vir a acontecer também no setor privado.

 

Fonte: Hotsite Pcare 2011