Alerta: risco de malformações fetais relacionadas ao uso de Valproato

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Anvisa alerta aos profissionais de saúde e mulheres grávidas sobre o aumento do risco de ocorrência de malformação fetal e problemas de desenvolvimento de bebês com o uso de valproato de sódio e susbtâncias relacionadas durante a gestação. O valproato sódico ou ácido valproico é um anticonvulsivantes e estabilizador de humor muito usado no tratamento de epilepsia (generalizadas ou focais), convulsões e transtorno bipolar.

 

Problema:

Estudos recentes* demonstram que as mulheres que utilizaram valproato durante a gravidez têm maior risco de ter bebês apresentado malformações. Os tipos mais comuns de malformações incluem: defeitos do tubo neural, alteração facial, fissura de lábio e palato, problemas cardíacos, defeitos renais e outras anomalias em várias partes do corpo. Além disso, os dados disponíveis também demonstraram maior ocorrência de problemas no desenvolvimento mental e físico da criança exposta ao medicamento durante a gravidez, como problemas no desenvolvimento da fala, do andar, do entendimento, de memória, déficit de atenção, hiperatividade e transtorno do espectro autista.

 

Ação:

A Anvisa orienta que medicamentos contendo valproato e susbtâncias relacionadas, como ácido valpróico e divalproato de sódio,  não devem ser utilizados por mulheres que podem engravidar, a não ser que os tratamentos alternativos disponíveis sejam ineficazes ou não tolerados pelas pacientes. As mulheres em idade fértil devem usar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento com estes medicamentos.

O médico deve garantir que as pacientes recebam as informações necessárias sobre os riscos associados ao uso de valproato durante a gravidez. É necessária a reavaliação periódica do tratamento e na possibilidade da ocorrência de gravidez o médico deve ser consultado imediatamente.

A empresa Sanofi publicou 16 de agosto de 2016 a carta aos profissionais de saúde: Valproato - risco de anomalias congênitas, comunicando o risco de anomalias congênitas relacionadas ao uso de medicamentos contendo valproato de sódio na gravidez. Leia na integra o conteúdo da carta.

 

Recomendações:

As reações adversas relacionadas ao uso de medicamentos devem ser comunicadas à Anvisa pelos canais disponíveis para atendimento ao cidadão, a Central de Atendimento da Anvisa e Ouvidoria.
 
O profissional de saúde deve realizar a notificação pelo sistema Notivisa

 

Histórico:

A Anvisa publicou em 2011 o alerta: Valproato: risco de malformações congênitas em crianças cujas mães fazem uso do medicamento durante a gravidez. Devido o aumento do risco de malformações e problemas de desenvolvimento em bebês, a Agência reforça o alerta publicado sobre a contraindicação e as advertências para o uso de medicamentos contendo valproato de sódio e substâncias relacionadas, como ácido valpróico e divalproato de sódio, por crianças e adolescentes do sexo feminino, mulheres em idade fértil e gestantes.

 

Leia a nota publicada em 2011:

 

Valproato: risco de malformações congênitas em crianças cujas mães fazem uso do medicamento durante a gravidez.

Data: 11/07/11

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa lembra aos usuários, especialmente as mulheres em idade fértil, que a utilização de medicamentos contendo valproato durante a gravidez representa um risco para o feto.

Os produtos contendo valproato (ácido valpróico, divalproato de sódio) são vendidos sob prescrição médica e estão indicados para conter convulsões associadas à epilepsia, uma doença neurológica crônica. No Brasil, os medicamentos registrados são Depakene (ácido valpróico), nas apresentações de comprimidos de 250mg, 300mg e 500mg e xarope de 250mg por 5mL, frascos de 100mL e Depakote (divalproato de sódio), nas apresentações de comprimidos revestidos de 250mg e 500mg, além dos medicamentos similares e genéricos.

O risco de defeitos congênitos entre as crianças cujas mães tomaram um medicamento contendo valproato durante a gravidez é raro, mas bem conhecido. As informações de bula advertem contra esse risco.

Estudos recentes* mostram que crianças cujas mães tomaram um medicamento contendo valproato tendem a obter resultados mais pobres em testes cognitivos, quando comparadas a crianças cujas mães tomaram outras drogas antiepilépticas durante a gravidez. Parece haver uma ligação entre a quantidade do medicamento utilizada durante a gravidez e o QI da criança (quanto maior a dose, maior será o efeito sobre o QI das crianças).

Testes cognitivos incluem testes para avaliar o QI e outros testes utilizados para avaliar o desenvolvimento e habilidades mentais em muitas áreas, tais como o raciocínio, inteligência abstrata e resolução de problemas.

As bulas dos produtos Depakene e Depakote contêm informações sobre os riscos de defeitos congênitos (p. ex. espinha bífida) e relatos de atraso no desenvolvimento em crianças cujas mães foram tratadas com o medicamento.

Para as mulheres que estão grávidas ou que planejam se engravidar, a decisão de usar um medicamento que contém o valproato deve ser baseada numa análise rigorosa das vantagens em comparação com o risco inerente ao feto. Essas mulheres devem discutir o tratamento com seu médico.

Os pacientes não devem parar de tomar seu medicamento ou realizar qualquer alteração no tratamento sem primeiro falar com um profissional de saúde, já que a interrupção abrupta da utilização de medicamentos contendo valproato pode causar problemas graves. Não tratar a epilepsia durante a gravidez pode ser perigoso para a mulher grávida e seu bebê em desenvolvimento.

A Anvisa informa que continua a monitorar a segurança dos medicamentos contendo valproato e reforça a necessidade da promoção do uso seguro e racional de medicamentos. Nesse sentido, solicita aos profissionais de saúde que notifiquem especialmente as suspeita de reações adversas graves pelo sistema NOTIVISA.

Mais informações estão disponíveis nos sites da Agência Americana (Food and Drugs Administration – FDA; dados em inglês) e da Agência Canadense (Health Canada; dados em francês ou inglês).

 

 

Informações Complementares:

(*)  Os estudos citados são:

Meador K, Reynolds MW, Crean S, et al. Pregnancy outcomes in women with epilepsy: a systematic review and meta-analysis of published pregnancy registries and cohorts. Epilepsy Res 2008;81(1):1-13.

Meador KJ, Penovich P, Baker GA, et al. Antiepileptic drug use in women of childbearing age. Epilepsy Behav 2009;15(3):339-43.

Bromley RL, Mawer G, Clayton-Smith J, et al. Autism spectrum disorders following in utero exposure to antiepileptic drugs. Neurology 2008;71(23):1923-4.

Cummings C, Stewart M, Stevenson M, et al. Neurodevelopment of children exposed in utero to lamotrigine, sodium valproate and carbamazepine. Arch Dis Child 2011 July;96(7):643-7.

Thomas SV, Ajaykumar B, Sindhu K, et al. Motor and mental development of infants exposed to antiepileptic drugs in utero. Epilepsy Behav 2008 Jul;13(1):229-36.

Christensen J, Grønborg TK, Sørensen MJ, et al. Prenatal valproate exposure and risk of autism spectrum disorders and childhood autism. JAMA 2013 Apr 24;309(16):1696-1703.

Cohen MJ, Meador KJ, Browning N, et al. Fetal antiepileptic drug exposure: Adaptive and emotional/behavioral functioning at age 6years. Epilepsy Behav 2013;29(2):308-15.

Cohen MJ, Meador KJ, Browning N, et al. Fetal antiepileptic drug exposure: motor, adaptive, and emotional/behavioral functioning at age 3 years. Epilepsy Behav 2011 Oct;22(2):240-6.

Meador KJ, Baker GA, Browning N, et al. Fetal antiepileptic drug exposure and cognitive outcomes at age 6 years (NEAD study): a prospective observational study. Lancet Neurol 2013;12(3):244-52.