
Engana-se quem pensa que farmacêutico é somente aquela pessoa vestida de avental branco, vasculhando as prateleiras na tentativa de encontrar o medicamento indicado na receita. Na verdade, a carreira de Farmácia vai muito além dessa impressão e evoluiu tanto que hoje é uma das profissões da área da saúde com mais especializações. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), são 74, deixando amplo o leque de opções para os mais de 135 mil farmacêuticos e estudantes espalhados pelo Brasil. Em 20 de janeiro, o conselho comemorou 50 anos de fundação.
– A farmácia perde apenas para a medicina em número de especialidades. Isso mostra a evolução da carreira e a necessidade dos nossos serviços para a sociedade – ressalta Walter da Silva Jorge João, vice-presidente do CFF.
Entre as especialidades, as mais conhecidas são a manipulação, a pesquisa e a qualidade de alimentos, mas há muitas outras que costumam ser desconhecidas do público em geral. Um exemplo bem ilustrativo são os farmacêuticos especializados em quimioterapia – nome genérico para o tratamento com medicamentos usados contra o câncer. São mais de 150 substâncias que podem ser combinadas da melhor forma para atacar a doença. E adivinha quem participa dessa seleção? O farmacêutico, como explica Vânia Mari Salvi Andrzejevski, supervisora da Central de Mistura Intravenosa do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, e coordenadora da Residência Multidisciplinar do Hospital de Clínicas de Curitiba e do Erasto Gaertner.
– Hoje, a terapia antineoplásica (quimioterapia) é tão complexa, tem tanta inovação em medicamentos e protocolos que é impossível conseguir fazer a atividade sem envolver uma equipe multidisciplinar. Essa equipe envolve médicos, enfermeiros e farmacêuticos, além de outros profissionais – conta.
Nessa hora, o farmacêutico se responsabiliza por todo um ciclo. Desde escolher o melhor remédio no mercado, a forma de preparo adequado e até acompanhar a administração da droga ao paciente.
– Estamos sempre na corda bamba, trabalhando no limite. Os medicamentos não podem ser de menos, pois precisam atacar a doença. Mas não podem, por outro lado, ser demais e exacerbarem os efeitos adversos – explica Vânia.
Artigo por Daniel Cardoso - Zero Hora
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