Os Perigos da Automedicação

Os Perigos da Automedicação


www.segs.com.br - Fonte ou Autoria é : Nádia Santana
21-Jul-2009

Farmacêutica do Hospital Bandeirantes alerta que 20 mil pessoas morrem no Brasil todo ano

A divulgação de notícias sobre a Gripe Suína vem levando muitos brasileiros a adotar uma prática que pode atrapalhar o diagnóstico deste mal e de outros: a automedicação.

"Independente da idade, a automedicação não é aconselhável. Os medicamentos servem para diminuir e aliviar sintomas e têm o objetivo de curar, mas se usados de forma incorreta, podem piorar as doenças e até criar outros efeitos indesejáveis", alerta Adriane Mitiko, farmacêutica e coordenadora de suprimentos do Hospital Bandeirantes.

A farmacêutica ressalta que a prática de ingerir medicamentos por conta própria, sem que um médico acompanhe é extremamente perigosa. "Só estes profissionais têm a competência plena (junto com o respaldo técnico de farmacêuticos e enfermeiros) de avaliar se a ingestão de determinadas drogas, sejam elas de uso único ou em conjunto com outras, podem alterar alguma função do organismo e causar reações adversas ou não", explica.

O alerta de Adriane Mitiko é muito importante, pois segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), cerca de 20 mil pessoas por ano morrem no Brasil por conta da automedicação.

Em crianças, o mau hábito é mais perigoso ainda, já que a ingestão de remédios pode levar ao aparecimento de diversas doenças, além de mascarar outras em evolução, atrasando o diagnóstico e tratamentos corretos. "Dar remédio aos pequenos pode levar a enfermidades com conseqüências iatrogênicas (que causa danos em decorrência de procedimentos terapêuticos) como resistência bacteriana, reações de hipersensibilidade, dependência e sintomas de abstinência", esclarece Mitiko.

Na opinião de Adriane Mitiko, deveria existir um controle severo dos remédios que não precisam de receita médica para a sua comercialização, como antigripais e analgésicos, por exemplo. "Sinceramente, acredito que qualquer substância que se classifique como medicamento, seja ela em forma de líquido, cápsulas ou pomadas, deveria ser vendida mediante prescrição médica, pois é muito comum o desencadeamento ou somatização de efeitos colaterais por interação de medicamentos".

O perigo da automedicação é real, mas as pessoas não percebem. A farmacêutica dá um exemplo: "Imagina se o cidadão passou no médico que receitou uma medicação (já contando com os efeitos colaterais especificados em bula) que trataria a patologia mencionada em consulta. Mas este paciente resolve adquirir outro remédio que ele julgue inofensivo, porém esta droga interage com o prescrito e provoca reações indesejáveis que podem ser leves, moderadas, graves ou até letais. O médico que receitou a união correta de fármacos não consegue evitar a situação, pois a venda de medicamentos no Brasil é muito livre".

Adriane Mitiko informa ainda que existe a 'automedicação orientada' onde as pessoas utilizam prescrições antigas para comprar remédios hoje, porém esta receita foi indicada para a patologia no momento da consulta e não para uso contínuo", ressalta.

Outro comportamento que estimula a automedicação é se consultar com farmacêutico (por formação ou por ser dono de uma farmácia há muitos anos). As pessoas, seja por confiança no profissional ou por falta de acesso a médicos, chegam na farmácia e questionam sobre qual remédio é bom para resolver o seu problema.

"Nós, como farmacêuticos, nos sentimos honrados com o reconhecimento da população, mas os bons profissionais desta área têm consciência da obrigação em conscientizar que a prescrição de medicamentos é uma conduta única e exclusiva dos médicos", expõe a farmacêutica do Hospital Bandeirantes, Adriane Mitiko, que conclui: "a automedicação é uma prática condenada por bons profissionais da saúde".[14]

 

SOBRE O HOSPITAL BANDEIRANTES

Localizado no bairro da Liberdade, região central da capital paulista, o Hospital Bandeirantes tem 34 anos de existência e é referência em atendimentos de alta complexidade, com know-how nas áreas de atenção cardiovascular, fraturas de crânio, coluna e ossos, urologia e nefrologia, oncologia e cirurgias especializadas.

No segundo semestre de 2009, será inaugurada uma nova ala do Hospital Bandeirantes, que passará a ter mais de 30 mil metros quadrados, com Centro de Oncologia, ressonância magnética e medicina nuclear e mais 120 leitos, totalizando 300, sendo 80 de UTI. O investimento para a ampliação é de R$ 45 milhões

O Hospital Bandeirantes detém a certificação ONA 3 - Excelência da Organização Nacional de Acreditação (ONA). Esse selo de qualidade garante a segurança e a melhoria contínua dos serviços prestados, que seguem padrões nacionalmente reconhecidos.

Apenas 32 hospitais brasileiros possuem o ONA 3, sendo 10 na capital paulista e, entre eles, o Hospital Bandeirantes.

 

Comentários  

# Dr Paulo Freire 18-07-2010 20:05
Um dos problemas que os médicos sempre têm é em relação aos medicamentos. Atualmente temos mais de 11 mil apresentações de produtos, que torna a tarefa de prescrever um tormento para médicos e pacientes.

Para este problema, médicos formados na UNIFESP e USP desenvolveram um Portal de Serviços Médicos chamado PORTAL SAÚDE DIRETA (www.saudedireta.com.br). Este portal tem um Prontuário Eletrônico de Pacientes, de uso livre e gratuito para os médicos. Nele o médico encontrará poderosas ferramentas prescricionais, como um completo banco de dados de medicamentos, uma ferramenta de análise automática de interações de medicamentos on line, em português, que funciona ato da prescrição, e ainda a possibilidade de imprimir as receitas. O Portal é totalmente web, gratuito, rápido e seguro.