Pesquisa desvenda mecanismos das doenças inflamatórias

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Encontrar alvos para o desenvolvimento de novos tratamentos e exames, que permitam diagnósticos mais rápidos e precisos das doenças inflamatórias, é a meta de um grupo de pesquisadores da USP, da Unesp, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos Estados Unidos. Em agosto de 2013, começaram as atividades do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (Center for Research in Inflammatory Disease - CRID), coordenado pelo professor Fernando de Queiroz Cunha, do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

O CRID é um dos onze Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), coordenados por pesquisadores da USP e financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reúne pesquisadores básicos e clínicos, e, ainda, químicos medicinais que sintetizam moléculas para serem testadas na produção de novos medicamentos.

A mortalidade de pessoas que desenvolvem sepse, infecção generalizada, é de cerca de 30% no mundo e de 50% no Brasil, segundo o Instituto Latino-americano da Sepse (ILAS). E, ainda, 10% da população mundial sofrem as consequências das doenças inflamatórias de origem autoimune, infeciosas e metabólicas. Essas doenças causam enormes prejuízos, tanto para o doente, com a perda da qualidade de vida, como para a sociedade, reduzindo a produtividade dessas pessoas.

 

Alvos

Além da sepse e da leishmaniose, que são doenças inflamatórias de origem infecciosa, a artrite reumatoide, a esclerose múltipla e a psoríase, doenças inflamatórias de origem autoimune, também são investigadas pelo grupo. E não para por ai. Eles querem saber quais são os mecanismos envolvidos na dor inflamatória e neuropática, aquela sensação dolorosa e contínua em uma ou mais parte do corpo e que está associada a doenças que afetam o sistema nervoso central. A aterosclerose, doença inflamatória de origem metabólica também é alvo das pesquisas.

Em apenas um ano, o grupo já comemora os primeiros resultados das diversas parcerias que se estabeleceram. O estudo, coordenado pelos professores (Paulo Louzada, Fernando Cunha, Thiago M. Cunha e José Carlos Alves Filho), já esclareceu os mecanismos biológicos que fazem alguns pacientes serem resistentes ao tratamento da artrite reumatoide com Metrotrexato, uma das mais importantes drogas utilizadas para o tratamento desta doença.

Segundo o professor Paulo Louzada, somente de três a seis meses após o início do uso dessa droga, era possível saber se o paciente estava respondendo adequadamente ao tratamento. "Se o paciente era resistente, as lesões nas articulações continuavam progredindo. Nossos estudos demonstram que, com um ensaio simples, podemos determinar se o paciente é ou não resistente, e sendo resistente, iniciar rapidamente um novo tratamento", comemora.

O ensaio criado pelo grupo já foi patenteado. E está em fase de discussão, com uma empresa brasileira, a produção do reagente para a realização do exame preliminar que vai determinar se o paciente é ou não resistente.

 

Pós sepse, dor neuropática e leishmaniose

Outros resultados promissores são os achados em relação à sepse e a dor neuropática. Segundo os pesquisadores já é de conhecimento da ciência que a mortalidade de pacientes que desenvolvem sepse grave é muito elevada no mundo todo, inclusive no Brasil. "Mais grave é o fato de que aqueles pacientes que sobrevivem a sepse têm enorme chance de contrair uma segunda infecção, ou outras doenças e morrerem nos cinco anos subsequentes. Estes dois achados são consequência do fato que a sepse grave induz uma redução da resposta de defesa inata dos pacientes e também da resposta imune adquirida", diz o professor Cunha.

O grupo está em vias de esclarecer os mecanismos envolvidos nestas imunodeficiências. "Estamos confiantes que em breve estaremos propondo novas drogas para prevenir deficiências pós sepse e, ainda, estamos muito próximos de esclarecer os mecanismos envolvidos na gênese da dor neuropática", assegura o coordenador.

O sucesso das pesquisas também vai em direção ao esclarecimento dos mecanismos que explicam o porquê de algumas pessoas que vivem em áreas endêmicas não desenvolverem leishmaniose.

Agência USP de Notícias por Rosemeire Soares Talamone, de Ribeirão Preto.