Cientistas identificam promissor composto contra a malária

DDD107498 malaria


Uma equipe internacional de cientistas identificou um novo e "potente" composto contra a malária, com um inédito mecanismo de ação. O composto foi testado com sucesso em camundongos e pode levar à criação de um medicamento contra a malária de dose única e a um custo inferior a cinco reais.

Na edição da última semana, a revista Nature apresentou um novo composto, o DDD107498, que pode matar o parasita que causa a malária. O fármaco, que já provou a sua eficácia em ratos, requerer uma única dose e custa menos de cinco reais e reduzirá a transmissão da doença, segundo os autores do estudo.

O trabalho, que tem sido liderado pela equipe do professor Ian H. Gilbert do Departamento de Química Biológica da Universidade de Dundee (Escócia), contou com a participação de cientistas espanhóis da multinacional farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK).

A empresa possui uma unidade de malária que opera dentro do Centro de Investigação de Doenças de Países em Desenvolvimento (DDW, siglas em inglês). Um grupo desta divisão colaborou num outro recente estudo de uma nova classe de compostos contra a malária, os pyrazoleamides.

Segundo Javier Gamo, diretor da Unidade de Malária, a nova molécula "tem um mecanismo de ação inovador e atua eliminando os parasitas Plasmodium falciparum” que provocam a doença através da inibição da síntese de proteínas”.  

Esta síntese, explica, "é um processo essencial para o desenvolvimento do parasita em diversas fases do seu ciclo de vida. Por isso, a nova molécula é eficaz nas múltiplas fases do plasmodium".

O composto começará agora a sua fase de desenvolvimento clínico “para ser avaliada a segurança em humanos para ser evitado qualquer aspeto tóxico do mesmo”.

Os autores do estudo assinalam que o baixo custo do novo fármaco é um aspeto muito importante, já que a maior parte dos infetados vivem em países em via de desenvolvimento. O fato de ser necessária uma única dose oral também é bastante valorizado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a malária foi responsável por mais de 500 000 mortes em 2013, sobretudo entre crianças e mulheres grávidas na África subsaariana.

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