Vacina contra o vírus sincicial é testada em humanos

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Teve início a primeira etapa de ensaios clínicos com uma vacina experimental contra o vírus sincicial respiratório (VSR) desenvolvida no The Vlaams Instituut voor Biotechnologie (VIB), na Bélgica.

Em parceria com a empresa canadense Immunovaccine Inc., o imunizante está sendo testado em 40 adultos saudáveis com o objetivo de avaliar sua segurança. Os primeiros 20 voluntários que receberam a formulação não apresentaram reações adversas. Na fase pré-clínica, a vacina experimental se mostrou capaz de reduzir em cerca de 100 vezes a carga viral em roedores.

Os resultados foram apresentados no dia 8 de junho, na sede da FAPESP, pelo pesquisador do VIB Xavier Saelens. A palestra integrou a programação do evento “FAPESP/EU-LIFE Symposium on Cancer Genomics, Inflammation & Immunity”, que teve como objetivo fomentar a colaboração entre cientistas do Estado de São Paulo e da Europa.

“O VSR é um dos principais causadores de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos e crianças pequenas, podendo causar bronquiolite. Todos os anos, 200 mil crianças no mundo morrem em decorrência dessa infecção e mais de 3 milhões são hospitalizadas. Há clara necessidade de uma vacina”, afirmou Saelens em entrevista à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, diversos grupos haviam tentado anteriormente, sem sucesso, encontrar um antígeno capaz de induzir uma resposta imunológica eficaz contra o vírus.

“No meu laboratório temos estudado as 11 proteínas codificadas por esse vírus. Inclusive algumas muito pequenas, que são normalmente negligenciadas pelo nosso sistema imune e, até agora, também pelos pesquisadores da área. Três dessas proteínas ficam na membrana das células infectadas e são acessíveis ao nosso sistema de defesa. Decidimos focar em uma delas, conhecida como pequena proteína hidrofóbica [SHe, na sigla em inglês]”, contou Saelens.

Em experimentos feitos com camundongos e com ratos, o grupo da Bélgica mostrou que o antígeno induziu uma resposta capaz de proteger contra o VSR. Embora não tenha eliminado totalmente o vírus do organismo, reduziu fortemente sua replicação – oferecendo mais tempo para o organismo hospedeiro desenvolver uma resposta imune adaptativa capaz de erradicar definitivamente o patógeno.

“A proteína SHe ajuda o vírus a driblar a resposta imune do hospedeiro. Mas o curioso é que, quando analisamos os animais infectados ou humanos que já foram expostos ao VSR, não vemos uma grande resposta contra esse alvo. Então pensamos: vamos induzir uma resposta imune da qual o vírus ainda não aprendeu a se esquivar”, contou Saelens.

O mecanismo de ação do imunizante foi elucidado na fase pré-clínica e está descrito em artigo publicado publicado na revista EMBO Molecular Medicine: http://embomolmed.embopress.org/content/6/11/1436.long. Segundo Saelens, os resultados preliminares dos ensaios clínicos de fase 1 indicam que a vacina é bem tolerada pelo organismo humano.

Na próxima etapa, a segurança do fármaco será testada em um número maior de voluntários e também será avaliada sua capacidade de induzir uma resposta imunológica duradoura.

Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP