Anvisa aprova nivolumabe para tratamento do câncer

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A Anvisa concedeu registro ao medicamento Opdivo® (nivolumabe). O produto biológico novo é indicado em monoterapia para o tratamento de melanoma avançado e de câncer de pulmão.

O nivolumabe é um anticorpo monoclonal de imunoglobulina G4 (IgG4) totalmente humano que se liga ao receptor de morte programada 1 (PD-1) e bloqueia sua interação com PD-L1 e PD-L2. Opdivo® potencializa as respostas das células T, incluindo respostas antitumorais, por meio do bloqueio da ligação de PD-1 aos ligantes PD-L1 e PD-L2.

O produto Opdivo® (nivolumabe) foi aprovado para as seguintes indicações terapêuticas:

- Em monoterapia para o tratamento de melanoma avançado (irressecável ou metastático).

- Para o tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) localmente avançado ou metastático com progressão após quimioterapia à base de platina. Pacientes com mutação EGFR ou ALK devem ter progredido após tratamento com anti-EGFR e anti-ALK antes de receber Opdivo®.

 

Indicação

Nivolumab é indicado para o tratamento do melanoma, um tipo grave de câncer na pele, e no tratamento do câncer do pulmão, em adultos.

Nivolumab​ também pode ser conhecido comercialmente como Opdivo.

 

Posologia

Geralmente, a dose recomendada é de 3 mg por cada 1 kg de peso, administrados diretamente na veia através de uma infusão lenta, durante cerca de 60 min, de 2 em 2 semanas.

As quantidades de Nivolumab a utilizar e a duração do tratamento devem ser indicadas pelo seu médico, pois dependem do tipo e da gravidade do câncer a tratar. Além disso, Nivolumab é um medicamento injetável, que apenas deve ser administrado sob indicação médica, por um médico ou enfermeiro.

 

Efeitos Colaterais

Alguns dos efeitos colaterais de Nivolumab podem incluir coceira, sensação de cansaço, falta de ar, dor nos músculos, ossos e juntas, diminuição do apetite, tosse, náusea ou prisão de ventre.

 

Contraindicações

Nivolumab está contraindicado para crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade e para pacientes com alergia a algum dos componentes da fórmula.

 

Advertências e Precauções

Antes de usar Nivolumab​, deverá falar com o seu médico se estiver grávida ou amamentando, tiver problemas ou doenças do sistema imunológico, como doença de Crohn, colite ulcerosa ou lúpus, fez recentemente um transplante de órgão, tiver problemas de pulmão, de respiração ou no fígado ou se estive a tomar outros medicamentos, incluindo medicamentos sem receita médica.

Nivolumab é um remédio que pode fazer com que o sistema imunológico ataque os seus órgãos e tecidos normais, sendo recomendado que consulte o seu médico caso sinta sintomas de pneumonia, como tosse, dor no peito ou falta de ar, problemas intestinais, com sintomas como diarreia, sangue nas fezes, fezes pegajosas ou dor e sensibilidade no abdômen, problemas no fígado, com sintomas como pele amarelada, náusea, vômito, dor no lado direito do estômago, sonolência, urina escura, falta de apetite, nódoas negras ou falta de apetite, problemas nos rins com sintomas como menos urina, sangue na urina, inchaço nos tornozelos ou perda de apetite, problemas nas glândulas hormonais com sintomas como dor de cabeça, cansaço extremo, aumento ou perda de peso, alterações de humor ou de comportamento, tontura, perda de cabelo, sensação de frio, prisão de ventre ou voz mais profunda, ou problemas noutros órgãos como aparecimento de urticária, problemas de visão, dores musculares e nas juntas ou fraqueza muscular generalizada.

O tratamento com Nivolumab​ nunca deve ser interrompido sem conhecimento do seu médico e os horários, as doses e duração do tratamento devem ser rigorosamente respeitados.

 

Superdosagem

Nivolumab é um medicamento para uso hospitalar, que apenas deve ser administrado por um médico ou enfermeiro, pelo que a sua administração excessiva é pouco provável. Porém, fale com o seu medico caso sinta alguns sintomas incomuns durante a administração do medicamento.

 

Aprovação no FDA e Estudo de CheckMate-017

O FDA aprovou o  nivolumabe no dia 04/03/2015, para o tratamento de pacientes com câncer metastático de pulmão células não pequenas, tipo escamoso que tenham progredido durante ou após a quimioterapia (QT) à base de platina.

A aprovação foi baseada nos resultados do estudo CheckMate-017, um estudo multicêntrico, randomizado, que incluiu 272 pacientes com câncer de pulmão de células escamosas, refratário a um regime de QT à base de platina. O estudo foi interrompido precocemente depois de mostrar um benefício claro e evidente de sobrevida global (SG). Esses dados ainda não foram apresentados em congressos ou em papers, mas somente em um press realease.

Os pacientes foram randomizados para receber nivolumabe (n=135), na dose de 3 mg/kg EV, a cada 2 semanas, ou docetaxel (n=137) 75 mg/m2 EV, a cada 3 semanas. O desfecho primário do estudo foi a SG.

O grupo que utilizou o nivolumabe demonstrou um aumento significativo na SG em comparação com o grupo que usou o docetaxel na análise interina, pré-especificada do protocolo. A mediana de SG foi de 9,2 meses para os pacientes que receberam nivolumabe (IC de 95%: 7,3-13,3) e foi de 6 meses (IC de 95%: 5,1-7,3) para aqueles que receberam o docetaxel (HR=0,59; IC de 95%: 0,44–0,79; p= 0,00025).

A taxa de resposta global foi 15% (IC de 95%: 9-22%), sendo todas respostas parciais. No momento da análise, 10 dos 17 pacientes que responderam (59%) tiveram durações de resposta de 6 meses ou mais.

Os principais efeitos colaterais observados no uso do nivolumabe foram fadiga, falta de ar, dores musculoesqueléticas, diminuição do apetite, tosse, náuseas e prisão de ventre. Os efeitos secundários mais graves foram os efeitos imunomediados, envolvendo outros órgãos como os pulmões, cólon, fígado, rins e glândulas produtoras de hormônios.

 

 

Com informações da Anvisa, do MOC – Manual de Oncologia Clínica do Brasil - em artigo escrito por Dr. Rodnei Macambira Jr e Dr. Antonio Carlos Buzaid, e do Fabricante Bristol-Myers Squibb Pharma EEIG.