Fiocruz firma acordo internacional de cooperação com a Servier

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Projeto prevê colaboração para se chegar a moléculas de origem vegetais contra câncer e hipertensão. 

A Fiocruz e a farmacêutica francesa Servier selaram um acordo internacional de cooperação nesta terça-feira (8/10). O objetivo é ampliar o escopo de parcerias entre as duas instituições, que, desde 2010, desenvolvem ações colaborativas conjuntas no campo de produção de medicamentos naturais, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR/Fiocruz Minas) e do escritório da Servier no Brasil. A cooperação internacional vai envolver tanto a unidade da farmacêutica no Brasil quanto o Instituto de Pesquisa Servier e os Laboratórios Servier, sediados na França.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, e o da Servier Brasil, Christophe Sabathier, na solenidade de assinatura da parceria (Foto: Peter Ilicciev)

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, destacou que o acordo vai permitir o movimento de uma parceria focada e específica para uma cooperação mais ampla e com mais possibilidades de ações conjuntas. "Essa cooperação ai ao encontro da atual política nacional, que visa à melhoria da saúde, à ampliação do acesso a medicamentos, ao desenvolvimento de insumos para a saúde, ao atendimento às necessidades do SUS, entre outras importantes ações", declarou. O presidente da Servier Brasil, Christophe Sabathier, ressaltou a excelência da qualidade do trabalho em pesquisa e inovação como ponto comum entre as duas instituições e disse que a principal meta da Servier é a inovação por meio de parcerias. "Acreditamos no potencial científico do Brasil por ter uma instituição como a Fiocruz, que é referência nacional em termos de cuidado à saúde, pesquisa e inovação. É um grande prazer poder estabelecer esse acordo com a Fundação", afirmou.

A parceria foi firmada durante um workshop realizado entre pesquisadores de ambas instituições. Na ocasião, foram identificadas as seguintes áreas de cooperação: triagem de moléculas, desenvolvimento de métodos para a identificação de falsificação de medicamentos, criação e experimentação animal, ensaios clínicos, toxicologia, toxicofarmacologia, ensaios não clínicos, intercâmbio entre pesquisadores por meio do programa Ciências Sem Fronteiras e pesquisas voltadas à oncologia e neurociência. "A parceria nessas áreas de interesse pode nos ajudar em diversas questões, como no caso da vigilância sanitária, que atualmente exige a rastreabilidade dos produtos no Brasil", explicou o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Jorge Bermudez.

Segundo o pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), Marcio Rodrigues, a cooperação poderá auxiliar, inclusive, na ampliação do acesso a medicamentos voltados a doenças negligenciadas, que atualmente são escassos e, em geral, pouco eficazes. A ideia é utilizar drogas já liberadas para enfermidades não negligenciadas no tratamento para doenças negligenciadas. "Os medicamentos produzidos pela Servier voltados para o tratamento de uma desordem neurológica, por exemplo, poderiam ser direcionados para o tratamento de uma meningite provocada por fungos, caso tenham efetividade para tal", explicou.

Após o encontro, o presidente da Servier Brasil, juntamente com sua equipe, fez uma visita ao Centro de Criação de Animais de Laboratório (Cecal/Fiocruz) e ao Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) para identificar possíveis novas áreas de cooperação. "O próximo passo será realizar, já no mês que vem, uma videoconferência entre os pesquisadores e diretores das duas instituições para identificar outras linhas de cooperação que podem integrar o acordo", disse Bermudez.

Por Danielle Monteiro da AFN Notícias