Goiás importa 556% mais medicamentos

daia polo industrial farmaceutico


O polo farmacêutico goiano foi o responsável pelo maior crescimento na importação de medicamentos do País. De 2005 a 2014, a entrada de remédios aumentou 556% em Goiás, segundo levantamento realizado pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisas (Interfarma). No início desse período, o segmento goiano respondia por apenas 3% do total das importações no País e saltou para 17% no ano passado.

O presidente executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, argumenta que os incentivos fiscais oferecidos pelo Estado trouxeram várias empresas multinacionais, "o que impulsionou a importação de produtos".

"Elas importam vários medicamentos para atender o mercado nacional. A partir daqui elas distribuem para o restante do País. Além disso, são geralmente medicamentos de baixo consumo no mercado interno mais de alto custo", diz.

Somente nos últimos cinco anos, o volume de medicamentos importados por Goiás saltou de US$ 453 milhões para US$ 1,2 bilhão, uma expansão de 160%. No mesmo período, São Paulo registrou um aumento bem inferior em suas importações, de 50%.

Dólar

Mesmo com a alta do dólar frente ao real, o presidente da Sindifargo, Marçal Soares, confia que as importações não devem cair. Ele explica que, pelo fato de terem custos elevados, os remédios importados são, em sua grande maioria, distribuídos pelo Ministério da Saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para que possam ser utilizados na rede pública.

"A nossa expectativa é de até aumentar o consumo desse tipo de medicamente, justamente, por existir no Brasil, políticas públicas muito bem definidas para o setor. Mesmo que aumente o custo das indústrias para trazer os produtos, o governo não reduz as compras e a população não sofre. Por isso, o setor não deve ter alteração", conta.

"Esses medicamentos são voltados mais para as doenças raras e crônicas em que o paciente precisa utilizar por um longo tempo e, às vezes, até pela vida inteira. O Brasil possui hoje políticas públicas muito bem definidas de distribuição", completa o presidente.

Por outro lado, produção diminui 13,4% sobre 2013

Ao contrário dos anos anteriores, a fabricação de medicamentos em Goiás terminou 2014 em baixa e foi o setor da indústria que mais sofreu. Conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmentou apresentou uma variação de -13,4% na comparação com 2013, enquanto a indústria goiana em geral apresentou um avanço de 1,7%.

No entanto, o coordenador técnico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Welington Vieira, acredita que a queda na produção não foi resultado do crescimento nas importações e, sim, da conjuntura econômica do ano anterior. "Os altos encargos tributários e os preços baixos, que são administrados pelo governo, é que foram os principais culpados pela redução na fabricação em 2014", afirma.

Ele argumenta que o crescimento vertiginoso do segmento no Estado auxiliou tanto para o avanço na produção de medicamentos como na importação dos mesmos. "Durante vários anos o setor farmacêutico foi o carro-chefe da indústria goiana e liderou o crescimento do setor desde a virada do século, até o começo do ano passado. Nesse processo, muitas empresas goianas foram absorvidas pelas multinacionais o que impactou tanto na fabricação como na aquisição de medicamentos do mercado exterior. Hoje quase um terço da produção de remédios no Brasil é realizada em Goiás, com grande parte voltada para os genéricos", avalia. (PN)

Por Pedro Nunes do Jornal O Hoje - de Goiás e do Distrito Federal