Empresas conhecem mercado árabe de fármacos

Executivos do setor farmacêutico participaram de palestra na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, para saber mais sobre o funcionamento desta indústria nos países do Oriente Médio e Norte da África. O workshop também contou com a presença de profissionais de outras áreas interessados em negociar no mercado árabe.


O evento faz parte de uma parceria entre a entidade e a Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), precedendo uma rodada de negócios entre árabes e brasileiros que acontece nos dias 05 e 06 de agosto durante a feira CPhI South America, na capital paulista.

O workshop foi apresentado por Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe, Rafael Solimeo, executivo de Negócios Internacionais, e Rafael Abdulmassih, gerente de Negócios e Mercados da entidade.

“Os países árabes estão entre os maiores importadores do setor farmacêutico do mundo e estão em 23º lugar nas exportações brasileiras do setor. Há muito espaço para crescer”, destacou Solimeo. Em sua apresentação, ele mostrou que, no ano passado, os países árabes importaram um total de US$ 18,59 bilhões em produtos farmacêuticos do mundo. A participação do Brasil neste montante, entretanto, foi de apenas US$ 11,57 milhões.

As empresas árabes que estarão presentes nas rodadas são a Tabuk (Arábia Saudita), Bajafar Medical (Sudão), Reopharm e Al Taqaddom Pharmaceutical Industries (Jordânia), Ibn Hayyan&Mohdar (Iêmen), Al Multaqa Drugs & Pharmaceutical (Emirados Árabes Unidos), Unipharma (Iraque), Biopharm e SigmaTec Pharma (Egito).

Arábia Saudita, Egito, Sudão, Iraque e Emirados estão entre os principais importadores do mundo árabe no setor de produtos farmacêuticos.

Na palestra, foram apresentados os perfis de cada empresa participante das rodadas e também de seus países de origem. “Os europeus estão sempre entre os principais parceiros dos países árabes no setor”, ressaltou Solimeu. Ele informou ainda que países como Arábia Saudita e Emirados atuam como polos de distribuição na região, abrindo portas para as empresas venderem a outras nações.

Adriana dos Santos, diretora de Novos Negócios da Brasterápica Farmacêutica, conta que sua empresa ainda não exporta, mas está num momento de expansão e começa a buscar os caminhos para exportar.

E o que atraiu o interesse da empresa para o mercado árabe? “Eu vejo muitas oportunidades porque eles já importam de países da Europa e dos Estados Unidos. Eu acho que o Brasil tem custos mais competitivos para oferecer, então eu vejo que tem oportunidades para explorar”, conta.

A Brasterápica produz medicamentos para para gripe, febre, dor de cabeça, tosse, resfriado, suplementos vitamínicos para crianças, além de produtos fitoterápicos, entre outros. “Espero que a gente abra possibilidades de realizar novos negócios”, afirmou, sobre suas expectativas para as rodadas com os árabes.

A Theraskin, que fabrica cosméticos, dermocosméticos e produtos de tratamento terapêutico, também quer iniciar suas vendas ao exterior. “O mercado árabe é bastante grande. Acho que tem diversas áreas de interesse para a empresa. Não sabemos se conseguiremos, neste momento, iniciar um processo de exportação, mas acreditamos que alguns países, especificamente pela característica de mercado, podem vir a ser interessantes para a gente”, disse Álvaro Menezes, gerente de Produtos.

Entre os mercados que chamaram a atenção do executivo durante a apresentação dos perfis estão Egito, Arábia Saudita e Sudão. Para Menezes, as rodadas irão servir para começar uma prospecção. "Começarmos a conhecer um pouco quais são as nossas possibilidades em termos de exportação e mercado externo”, declarou.

Como negociar

O workshop teve também orientações importantes para quem quer fazer negócios no mundo árabe. “O empresário árabe privilegia a relação pessoal e não a relação empresarial”, enfatizou Alaby.

O diretor-geral da Câmara Árabe destacou ainda a importância do contato direto para a realização dos negócios, indicando que e-mails são usados, principalmente, pelos mais jovens e que executivos mais velhos preferem o contato por telefone, caso não seja possível um encontro presencial.

Alaby lembrou ainda do período do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos, que este ano se encerrou na segunda-feira (28). “No período do Ramadã não convém que se programem viagens para lá (mundo árabe). Eles trabalham em um período menor, não podem tomar água nem comer nada [durante o dia]. É um período mais difícil para se fazer negócios”, afirmou.

Segundo Alaby, “devemos conhecer a cultura para evitar erros e manter os canais abertos de negociação”. O executivo ressaltou ainda a importância de se falar outras línguas, como francês e inglês na hora de negociar com os empresários árabes.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe por Aurea Santos