Estudo alerta que partir comprimidos ao meio não garante ao paciente a dose correta

partir-comprimidoUm estudo comprovou que o hábito comum de cortar comprimidos ao meio traz riscos à saúde. Os pesquisadores descobriram que os medicamentos partidos podem provocar até intoxicação.


Veja a reportagem sobre o assunto no vídeo abaixo:

 

 

Anvisa há alguns anos alerta sobre a prática de partir comprimidos

Desde 2003 a Anvisa tem alertado a população que partir comprimidos ao meio é prática prejudicial aos tratamentos de saúde

Apesar de prejudicial, a prática é muito comum no Brasil. Em algumas situações, os pacientes dividem o comprimido para reduzir o custo das medicações. No entanto, além da questão econômica, o paciente deve pensar na eficácia do tratamento.

A partição do comprimido ao meio é prejudicial ao paciente, especialmente se o produto for de liberação sustentada, ou seja, o produto é liberado durante todo o dia no organismo, ou se o produto tem como objetivo atingir uma área específica do organismo, antes de se dissolver por completo.

Isso não significa que nenhum medicamento possa ser partido, mas este processo deve ser discutido pelo médico, farmacêutico e paciente.

 

Perguntas e respostas sobre partição de comprimidos

 

1) O que é partição de comprimido?

É a prática de dividir o comprimido ao meio. Este procedimento é comumente praticado por leigos e, esporadicamente, pelos profissionais de saúde.


2) Porque a partição de comprimido se popularizou?

As operadoras de planos privados de assistência à saúde incentivam seus beneficiários a usar o comprimido sulcado como um meio de economizar custos, dado ao crescente aumento dos custos terapêuticos e ao acesso a medicação disponível prescrita.

Em algumas situações, os pacientes dividem o comprimido sulcado para reduzir o custo das medicações e, sob certas condições, esta conduta é uma opção viável, haja vista que, às vezes, o comprimido de 20mg de determinado produto pode ter o mesmo preço de um comprimido de 40mg.

No caso, usar a metade de um comprimido de 40 mg pode ser uma opção de custo eficaz, mas tal decisão suplanta a economia, pois, a segurança do paciente deve prevalecer. A questão é: como o comprimido partido ao meio afetará a saúde do paciente?


3) Quais os tipos de comprimidos não podem ser partidos?

Os comprimidos não revestidos e sulcados - um sulco definido no centro do comprimido - são os mais fáceis de partir.

Os comprimidos revestidos e redondos podem se romper ou se partirem não igualitariamente.

Recomenda-se evitar a partição de comprimidos não sulcados e ter o máximo de cuidado quando partir comprimidos pequenos, especialmente se forem revestidos e arredondados, dado a dificuldade de localização do meio.

Siga sempre as orientações do profissional farmacêutico, sobre os tipos de medicamentos que podem ser seguramente partidos ao meio.


4) Há algum aparelho para a partição de comprimidos?

SIM. O manuseio do aparelho é fácil, mas por mais que seja sua sofisticação, a sua aplicação não se estende a todo os medicamentos.


5) Quais as características físicas do comprimido partido?

O estudo sobre partição de comprimido publicado em Abril de 2002 na edição do periódico da Associação Americana de Farmacêuticos (JAPhA) relatou que o aparelho usado para a partição de comprimidos produziu comprimidos partidos mais higiênicos dos manualmente partidos.

Os resultados foram uma combinação de aspectos favoráveis e desfavoráveis, embora os comprimidos tenham sido partidos sob condições rigorosamente controladas e por experientes acadêmicos de Farmácia.

O estudo relatou as seguintes características físicas:

> os comprimidos se dividem em mais de dois pedaços face a pressão do instrumento cortante;
> A divisão dos comprimidos ocasiona aparas ou desagregações;
> O revestimento dos comprimidos se desintegram ou se esfarelam, após a partição;
> os comprimidos se dividem em partes relativamente iguais, mas suas bordas ficam disformes.

Estes resultados podem ser observados pelos pacientes no ato da partição de comprimidos.


6) A partição do comprimido afetará a dose da medicação?

SIM. A partição de comprimido ao meio pode e, freqüentemente, afeta a posologia.

Ademais, a partição do comprimido ao meio é prejudicial ao paciente, especialmente se o produto for de liberação sustentada, ou seja, o produto é liberado durante todo o dia no organismo, ou se o produto objetiva atingir uma área específica do organismo, antes de dissolver.

Estes tipos de produtos jamais devem ser partidos em pequenas doses, porque a medicação pode se tornar ineficaz ou prejudicial.


7) O comprimido pode ser triturado e o pó separado igualitariamente?

Este método pode parecer eficaz, mas só quando o paciente dispor de uma balança sensível para medir o peso do pó pulverizado, embora a pulverização obtida origine nas mesmas incertezas comparadas com a partição de comprimido quanto à dosagem correta.


8) A cápsula gelatinosa pode ser partida?

NÃO. As cápsulas gelatinosas não podem ser abertas ou divididas, ao menos que esteja explicitamente recomendado pelo médico.


9) Quando a partição de comprimido é um procedimento útil?

A partição de comprimido - discutida pelo médico, farmacêutico e paciente - é um procedimento útil ao permitir a dose correta da droga exata ao paciente, mas é imprescindível que o medico, farmacêutico e o paciente estejam de acordo.

O medicamento correto, o paciente e a dose exata devem ser considerados entre as prováveis escolhas de alterações da medicação.


10) A partição de comprimido é uma decisão compartilhada?

Ao dividir doses elevadas de um medicamento poderá ocasionar economias financeiras, mas os estudos demonstraram que quando alguns comprimidos são partidos ao meio, estes freqüentemente se quebram ou desintegram-se.

Neste caso, o paciente não tem a garantia de receber a dose correta de medicação sustentável, redirecionando os potenciais problemas relativos à medicação e a insuficiente aderência do paciente.

O médico e o farmacêutico podem ajudar os pacientes informando se a partição do comprimido é uma escolha viável para as medicações prescritas.

 

Fonte: Reportagem e vídeo do Jornal Nacional.
Textos consultados: Anvisa