OMS divulga novo protocolo para antirretrovirais

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Entre as propostas da Organização Mundial de Saúde (OMS) está a sugestão de que homens gays usem medicamentos antirretrovirais como forma de prevenir a infecção pelo HIV. A eficácia do uso preventivo dos remédios — que, segundo pesquisas, pode reduzir em até 92% o risco de infecção — é enfatizada por especialistas que aplaudiram a recomendação, publicada em um momento em que as taxas de infecção pelo vírus da Aids entre gays estão atingindo altos níveis em todo o mundo.

A proposta é aprovada também por organizações civis. Alguns militantes defendem, no entanto, que o uso preventivo dos remédios deva ser voltado para gays em situação de maior vulnerabilidade, como profissionais do sexo e jovens, por exemplo. A viabilidade de colocar a proposta em prática também é motivo de discussão, mas o Ministério da Saúde informou que vai avaliar a ideia.

As recomendações da OMS elencam também um conjunto de passos para que os países possam reduzir novas infecções pelo HIV e aumentar o acesso ao teste de HIV, tratamento e atenção para cinco populações-chave, dentre elas:
1) homens que fazem sexo com homens;
2) profissionais do sexo;
3) usuários de drogas injetáveis;
4) população prisional;
5) população trans.

Essas pessoas estão em maior risco de infecção pelo HIV e ainda estão menos propensas a ter acesso à prevenção, testes e serviços de tratamento. Em muitos países, são deixadas de fora dos planos nacionais de HIV e a existência de leis e políticas discriminatórias são as principais barreiras para o acesso.

A OMS define populações-chave como grupos que, devido a comportamentos de alto risco específicos, estão em maior risco de HIV, independentemente do tipo de epidemia ou contexto local. Além disso, elas muitas vezes têm problemas jurídicos e sociais relacionados com os seus comportamentos o que aumenta sua vulnerabilidade ao HIV.

As guias incluem uma ampla gama de recomendações clínicas, mas, para que estes sejam eficazes, a OMS também alerta que os países precisam remover as barreiras jurídicas e sociais que impedem a muitas dessas pessoas o acesso aos serviços.

Neste mesmo cenário, o UNAIDS lança o Relatório Global 2014 que reúne dados de todos os países do mundo sobre a situação atual da epidemia de HIV/aids. O relatório mostra que 19 milhões dos 35 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo não sabem seu status HIV-positivo. O relatório Gap revela que 15 países respondem por mais de 75% dos 2,1 milhões de novas infecções por HIV que ocorreram em 2013. Sublinha a importância do enfoque na localização geográfica e nas populações, por meio de uma análise regional aprofundada da epidemia e da análise de 12 populações mais vulneráveis ao vírus. O documento investiga as razões para a crescente lacuna entre as pessoas que têm acesso a prevenção, tratamento, cuidados e apoio, e as que estão sendo deixadas para trás e enfatiza que a chave para dar fim à epidemia de AIDS é focar nas populações mais vulneráveis.

Ao mesmo tempo em que se veiculam estas informações, uma fatalidade aconteceu com um avião da Malaysian Airlines, voo MH17, no dia 17 de julho. Neste voo viajavam delegados para a Conferência Internacional de Aids em Melbourne, dentre eles acadêmicos, ativistas e um membro da Organização Mundial da Saúde, o porta-voz, Glenn Thomas. Nossas mais profundas condolências aos amigos e familiares dos passageiros que estavam a bordo do voo.

Leia a publicação da OMS em inglês.Em breve serão divulgadas as traduções em português.