Técnica permite diagnostico da tuberculose em apenas 2 minutos

 diagnostico analise clinica


O exame para diagnosticar a tuberculose ficou 240 vezes mais rápido, graças a uma técnica que permite a identificação, quase que imediata, da microbactéria causadora da doença. O tempo de análise passou de oito horas para apenas dois minutos por meio da tecnologia Point of Care Test (Poct).

No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, os testes para diferenciar as bactérias que causam a tuberculose de outras responsáveis por doenças micobacterianas ficaram 30 vezes mais rápidos, e pela metade do preço do método utilizado anteriormente para a mesma finalidade. Esses resultados foram obtidos a partir da avaliação de uma tecnologia denominada Point of Care Test — POCT, implantada há um ano e meio no HCFMRP.

Além do menor tempo e custo, esse novo teste traz várias outras vantagens, segundo o professor Valdes Bollela, da Divisão de Moléstias Infecciosas e Tropicais do Departamento de Clínica Médica da FMRP. "As micobactérias são divididas em três grandes grupos: um que causa a tuberculose, com cerca de dez espécies; o do bacilo da Hanseníase e um terceiro grupo com mais de 150 espécies, que causa diversas doenças e são genericamente denominadas Micobacterioses Não-Tuberculosas (MNT). Dentre as principais vantagens deste POCT, a principal é a identificação do agente causador da tuberculose, de isolados de cultura, em apenas dois minutos, o que permite o início imediato de um tratamento rápido e adequado para o paciente".

Segundo o professor, antes da implantação do POCT na rotina de identificação de micobactérias, era feito um teste pelo método da reação em cadeia da polimerase (PCR) e em seguida as amostras eram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz. "Apesar de rápido, 8 horas, a PCR era realizada apenas duas vezes por semana, enquanto o POCT pode ser feito diariamente, após cada isolamento de micobactéria. Além disso, o custo total da PCR é maior e apresenta maior risco de contaminação, o que pode gerar resultados falsos-positivos", afirma o professor.

 

Decisão clínica

Ainda, segundo o professor Bollela, os POCT têm representado um grande avanço na investigação e constitui um recurso diagnóstico que acelera a tomada de decisão clínica, agregando qualidade e precisão ao atendimento médico, na América Latina e em diversas partes do mundo.

Os POCT, diz o professor da FMRP, têm como meta principal aproximar o resultado do exame laboratorial do local onde o paciente é atendido e qualificar a decisão sobre os cuidados aos pacientes com suspeita de doenças infecciosas. "Atualmente, já existem POCT para o diagnóstico rápido da infecção pelo HIV, hepatites virais B e C, malária, entre outras doenças infecciosas".

Outra vantagem, que caracteriza esta tecnologia, apontada pelo docente, é a flexibilidade para uso em locais com poucos recursos tecnológicos e laboratoriais, como nos estudos de campo, por exemplo. "A rigor, é possível realizar um POCT mesmo se não houver laboratório ou energia elétrica. O profissional da saúde pode fazer o teste na casa do paciente, ou em uma investigação em áreas de poucos recursos tecnológicos", conclui.

A avaliação da equipe do HCFMRP deu origem ao trabalho Imunoensaio cromatográfico rápido no diagnóstico diferencial de tuberculose e micobacteriose não tuberculosa em um serviço de referência terciária, que conquistou o segundo lugar do Prêmio ALERE – Latinoamericano em Pesquisa POCT, de 2014. O prêmio Alere recebeu inscrições de trabalhos de toda a América Latina, que utilizaram a tecnologia POCT como método de investigação diagnóstica. "Foram premiados os dois melhores trabalhos, originais e inéditos, que representavam efetiva contribuição no âmbito de aplicação dos POCT", comemora o professor.

Além de Bollela, participaram do trabalho os professores Roberto Martinez e Rodrigo Santana; as pós-graduandas Lívia Maria Pala Anselmo e Cinara Feliciano; a técnica Margarida Maria Passeri do Nascimento — todos do Departamento de Clínica Médica da FMRP; Sandra Moroti e Renata Candido Pocente (primeira autora), do Laboratório de Micobactérias do HCFMRP.

 

Fonte: USP Notícias - Por Rosemeire Soares Talamone, de Ribeirão Preto

Crédito da imagem by-nc: Fundação Oswaldo Cruz