OMS alerta para uso excessivo de antibióticos

medicamentos antimicrobianos


Em seu último relatório, a agência da ONU revela que apenas 25% dos países possuem planos de prevenção à resistência antimicrobiana. Se nada for feito, pode-se perder a capacidade de tratar doenças comuns e sérias, alertam especialistas.

Cada vez mais vírus e parasitas se tornam mais resistentes ao tratamento com antibióticos e o mal uso desse medicamento vem agravando este quadro.

Dos 133 países que participaram na pequisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 25% possuem planos nacionais de resposta à resistência antimicrobiana, um fato que alarma a comunidade médica e sanitária, como revelou a OMS em seu relatório divulgado no dia 29 de abril de 2015.

“Este é o maior desafio das doenças infecciosas atualmente”, disse o diretor-geral assistente da agência para segurança da saúde, Keiji Fukuda. “Todos os tipos de micróbios – incluindo vírus e parasitas – estão se tornando resistentes aos medicamentos. O que mais preocupa, principalmente, é o desenvolvimento de uma bactéria que é cada vez menos tratável pelos antibióticos disponíveis. Isso acontece em todas as partes do mundo, por isso todos os países devem fazer sua parte para enfrentar essa ameaça global.”

Além da falta de capacidade de monitorar e estudar essa resistência em muitos países, um dos maiores problemas identificados é a venda liberada de antibióticos sem prescrição, aumentando o seu uso excessivo e diminuindo, desta forma, sua eficácia.

O relatório destaca ainda o fato de muitas pessoas acreditarem que o uso de antibióticos é eficiente contra infecções virais, além da carência de programas para prevenir o contágio de infecções hospitalares.

A publicação, que inclui dados estatísticos de todos os governos participantes, mostra avanços neste sentido. No entanto, Fukuda afirmou que é preciso fazer mais para evitar “perder a capacidade de praticar medicina e tratar de doenças comuns e sérias”.

Nas Américas, 26 dos 35 Estados-membros da região participaram da pesquisa, incluindo o Brasil. No entanto, apenas três países informaram possuir um plano nacional multissetorial para lidar com a resistência microbiana e poucos monitoram o desenvolvimento dessa resistência nos humanos. Além disso, em 18 países, remédios antimicrobianos sãos vendidos sem prescrição médica.

Para reverter esse quadro, a OMS, governos e outros parceiros desenvolveram um Plano de Ação Global para combater a resistência antimicrobiana, que foi submetido à 68a Assembleia Mundial de Saúde, que acontecerá em maio de 2015. Durante o evento, os governos serão solicitados a aprovar o planos e declarar seus compromissos para lidar com este problema.

 

Fonte: OPAS/OMS