Anvisa publica esclarecimentos sobre o surto por E. Coli na Europa

escherichia-coliEstá suspensa a recomendação de evitar o consumo de pepinos, tomates e alface na região norte da Alemanha. Com a conclusão dos pesquisadores sobre a origem do surto, a nova recomendação é que os consumidores alemães evitem o consumo de brotos crus. A partir das novas evidências, a Anvisa divulgou, nesta sexta-feira (10/6), nota técnica atualizada sobre o tema.


No documento, a Agência esclarece que não há motivo de preocupação pela população brasileira, pois o País atualmente não importa brotos da Alemanha. A orientação para os viajantes que estejam se dirigindo à Alemanha é que não consumam brotos crus, redobrem os cuidados habituais de higiene e estejam atentos a outras recomendações das autoridades daquele país.

Após investigações epidemiológicas e da cadeia produtiva, os pesquisadores alemãs concluíram que a origem do surto está em brotos, incluindo feno-grego, feijão mungo, lentilhas, feijão azuki e alfafa, produzidos em uma fazenda na Baixa Saxônia, ao sul de Hamburgo, localidade onde concentra-se a maior parte dos casos.

A Anvisa ressalta que não serão adotadas medidas restritivas à importação de alimentos provenientes da Alemanha.

NOTA TÉCNICA : Atualização sobre surto causado por E. coli na Alemanha


 
Em 10 de junho de 2011, o Instituto Federal de Análise de Risco (BfR), o Serviço
Federal de Proteção ao Consumidor e Inocuidade de Alimentos (BVL) e o Instituto Robert Koch
(RKI) chegaram à conclusão sobre a origem do surto  causado pela bactéria  E. coli que vem
ocorrendo na Alemanha.  
Após investigações epidemiológicas e da cadeia produtiva, os pesquisadores
concluíram que a origem do surto está em brotos, incluindo feno-grego, feijão mungo,
lentilhas, feijão azuki e alfafa, produzidos em uma fazenda na Baixa Saxônia, ao sul de
Hamburgo, localidade onde concentra-se a maior parte dos casos. 
Desse modo, a recomendação inicial de se evitar o consumo de pepinos, tomates e
alface na região norte da Alemanha está suspensa. Agora, a orientação é para que os
consumidores alemães evitem o consumo de brotos crus. Além disso, donas de casa e
estabelecimentos de alimentos desse país devem desfazer-se de quaisquer brotos
armazenados ou alimentos que tiveram algum contato com esses brotos.
Hábitos de higiene devem ser rigorosamente respeitados, em especial durante a
manipulação dos alimentos e contato com pessoas doentes. 
Em adição, foi determinado o recolhimento do mercado de todos os alimentos
originários da fazenda na Baixa Saxônia.
 
Número de casos
 
O RKI confirmou que o número de casos de infecção por EHEC vem diminuindo,
possivelmente devido à redução do consumo vegetais crus e também pelo desaparecimento
gradual da fonte da infecção. 
Até a data de ontem, 9 de junho, 3092 casos de Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU) e
de E. coli enterohemorrágica (EHEC) e 31 óbitos haviam sido notificados em 16 países, sendo
14 situados na Europa. Na Alemanha, foram registrados 2229 casos de EHEC, com 9 óbitos, e
759 casos de SHU, sendo 21 fatais. Nos Estados Unidos, foram notificados 3 casos de SHU e 1
caso suspeito de EHEC e no Canadá, houve relato de 1 caso suspeito de EHEC. Com exceção de
dois casos, todos os demais estão vinculados a pessoas que estiveram na Alemanha. 
O Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde vem atualizando diariamente o
número de casos notificados. Maiores informações, disponíveis em inglês, podem ser
consultadas no site:  http://www.euro.who.int/en/what-we-do/health-
topics/emergencies/international-health-regulations/ehec-outbreak-in-germany 
 
Recomendações
 
Considerando que o Brasil não importa atualmente brotos da Alemanha e as medidas
de recolhimento que vem sendo adotadas pelo governo alemão, não há motivo de maior
preocupação pela população brasileira.  Esclarecemos que não serão adotadas medidas
restritivas à importação de alimentos provenientes da Alemanha.
Ademais, orientamos aos viajantes que estejam se dirigindo à Alemanha, que não
consumam brotos crus, redobrem os cuidados habituais de higiene, em especial, a lavagem
adequada das mãos e estejam atentos a outras recomendações das autoridades alemãs.  Os resultados das investigações pelo governo alemão estão disponibilizados em inglês
no site do RKI e BfR:  http://www.rki.de/cln_151/nn_217400/EN/Home/PM082011.html e
http://www.bfr.bund.de/en/press_information/2011/16/ehec__current_state_of_knowledge
_concerning_illnesses_in_humans-70930.html

 

Atualização de 13 de Junho de 2011.

 

Entrevista da Diretora da Anvisa

Qual o papel da Anvisa nessa questão do surto detectado na Europa?

A Anvisa tem um papel fundamental de colocar todas as ferramentas de monitoramento e informação desta área, que é a comunicação de risco, em benefício da população. É importante trabalhar a comunicação do risco e coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) para que em todos os estados e os municípios, e as pessoas que atuam em  Vigilância saibam como agir. Vamos continuar fazendo a análise do comportamento deste risco, avaliando as bases científicas, procurando as redes de informações e as notícias que chegam da mídia internacional. Vamos trabalhar com os portos e os aeroportos. A principal função  do SNVS é vigiar todo o tempo para orientar a população sobre o que fazer.

A Anvisa mantém contato com as autoridades em saúde de outras parte do mundo para saber, em tempo real, o que está acontecendo?

Fazemos parte de duas redes importantes de informação, alimentados pelo governo brasileiro e por organismos internacionais. Uma delas é a Infosan, a Rede Internacional de Autoridades em Inocuidade de Alimentos da Organização Mundial de Saúde (OMS), da qual somos os pontos focais no Brasil e diariamente vigiamos situações novas que acontecem no mundo. Também compartilhamos com o Ministério da Saúde todas as informações obtidas no Brasil através do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde). Com essas duas redes nós temos acesso a todas as informações necessárias para dar a melhor resposta para este tipo de risco.

O que é a bactéria E. coli?

Essa é uma bactéria que convive com os seres humanos e os animais. Normalmente é inofensiva, mas essa relacionada ao surto na Europa é uma cepa rara que nesse momento é de grande relevância para a saúde pública.

O que já sabemos sobre esta cepa?

A primeira coisa que já sabemos é que ela já foi registrada em outros momentos, mas não em surtos dessa proporção e da forma como está acontecendo. Esse tipo de bactéria, quando causa infecções, está mais relacionado aos alimentos de origem animal. Neste surto estamos vendo mais casos em adultos e os alimentos possivelmente envolvidos são de origem vegetal.

Qual a orientação para a população, onde buscar informações?

A Anvisa e o Ministério da Saúde estão tratando de atualizar a todo momento as informações. A população deve ficar atenta, pois estamos com orientações à disposição. Nossa preocupação é que o surto ainda está ativo, ou seja, o número de casos continua aumentando e enquanto isso existe motivo para que tenhamos uma comunicação direta com a população.

Pode haver alguma mudança de orientação se novas informações surgirem?
Certamente e estaremos prontos para fazer isso a qualquer momento.

 

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 OBS: O Conteúdo abaixo foi atualizado pelo texto acima. Fica disponível abaixo, somente para fins de pesquisa.

O Ministério da Saúde e a Anvisa divulgaram na última sexta-feira (3/6) uma nota técnica com esclarecimentos sobre o surto por bactéria E. coli ocorrido na Europa. De acordo com as primeiras orientações, se trata de um cepa rara da bactéria e as informações estão sendo acompanhadas em tempo real pelas autoridades brasileiras. Até o momento não serão adotadas medidas restritivas pela Anvisa. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Brasil não importa os três alimentos atualmente indicados como mais prováveis fontes da contaminação.

Reproduzimos na íntegra abaixo a Nota Técnica Anvisa e após a reportagem da Maria Cecília Brito a respeito do caso:

 

Nota Técnica: 1º sobre Esclarecimentos quanto ao surto causado por E. colí na Alemanha e em outros países da Europa

A Escherichia coli (E. coli) é uma bactéria encontrada naturalmente no intestino de humanos ede animais. A maioria das cepas de E. coli são inofensivas, todavia, algumas podem causargraves doenças transmitidas por alimentos, como é o caso da E. coli enterohemorrágica(EHEC), que produz uma toxina denominada verotoxina ou do tipo Shiga, sendo por issotambém chamada de E. coli produtora de verotoxina (VTEC) ou E. coli produtora de toxina Shiga (STEC).

Os principais sintomas da doença provocada pela EHEC são cólicas abdominais severas ediarréia, podendo evoluir para diarréia sanguinolenta. Vômitos e febre também podemocorrer. O período de incubação, isto é, o tempo entre a transmissão e o início doaparecimento dos sintomas varia de 3 a 8 dias, com média de 3 a 4 dias. A maioria dapopulação se recupera em 10 dias, mas em pessoas mais vulneráveis, a infecção pode agravar-se, levando à Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU). A SHU é caracterizada por falência renalaguda, anemia hemolítica e trombocitopenia.

Em 22 de maio de 2011, a Alemanha notificou o Sistema de Alerta Antecipado e Resposta daComunidade Européia (EWRS) relatando um aumento significativo no número de pacientescom diarréia sanguinolenta causada por STEC e SHU.

A investigação teve início naquele país em 24 de maio e no dia 27 foi emitido o primeiro alertapela Rede Internacional de Autoridades em Inocuidades de Alimentos (INFOSAN) da qual a Anvisa é ponto focal. Em 3 de junho, o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúdeemitiu atualização dos dados informando um total de 1823 casos notificados na Europa, sendo 552 de SHU (12 casos fatais) e 1115 de EHEC (6 casos fatais). Na Alemanha, há 520 casos deSHU e 1213 de EHEC. Os demais casos foram notificados na Áustria (SHU O, EHEC 2),Dinamarca (SHU 7, EHEC 7), França, (SHU O, EHEC 6), Holanda (SHU 4, EHEC 4), Noruega, (SHUO, EHEC 1), Espanha, (SHU 1, EHEC 0), Suécia (SHU 15, EHEC 28), Suíça (SHU O, EHEC 2), ReinoUnido (SHU 2, EHEC 1), República Tcheca (SHU O, EHEC 1) e Estados Unidos (SHU 2, EHEC 0). Amaioria dos casos ocorridos fora da Alemanha, incluindo os dois casos ocorridos nos EstadosUnidos, está vinculado a pessoas que estiveram nesse país, especialmente na região norte.

A EHEC possui diversos sorotipos, entre eles, O157:H7, de importante relevância para a saúde pública e O104:H4, um sorotipo raro e que está associado aos casos que vêm ocorrendo na Europa.

A EHEC é transmitida ao homem pelo consumo de alimentos contaminados, principalmentecarne e leite crus ou mal-cozidos. O consumo de vegetais contaminados crus também pode seruma rota de transmissão. Outra possibilidade é a transmissão de pessoa a pessoa, pela viafecal-oral. Um exemplo muito conhecido de surto causado por essa bactéria aconteceu nos Estados Unidos e esteve relacionado ao consumo de hambúrguer mal cozido. No caso do surto da Alemanha, ainda não foi definida a fonte de contaminação. Estudos preliminares realizados pelas autoridades de saúde apontam três alimentos in natura como mais prováveis fontes dacontaminação: pepino, tomate e alface.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), autoridade quefiscaliza a importação de produtos hortícolas, o Brasil não importa os três alimentosatualmente indicados como mais prováveis fontes da contaminação. Quanto aos alimentos emconserva importados da Europa, deve-se esclarecer que esses alimentos não estão comumente associados a surtos dessa natureza. Isso pode ser explicado porque a produção dehortaliças em conserva, incluindo o pepino, combina duas medidas destinadas ao controle de bactérias e outros microrganismos: a acidificação - por meio da adição de substância ácida oufermentação - com pasteurização, refrigeração ou adição de conservantes. De toda forma,vários estudos estão sendo realizadas na Europa para a identificação da fonte decontaminação, levando-se em consideração que esse tipo de bactéria é raro e o perfil dacontaminação pode diferir do padrão existente.

Com base nas características atuais desse surto, esclarecemos que, no momento, não serão adotadas medidas restritivas pela Anvisa e que não há motivo de maior preocupação pelapopulação brasileira. A  Anvisa avalia atentamente a evolução do surto na Alemanha e emoutros países da Europa a fim de garantir uma rápida resposta caso seja necessário.

O Paragrafo abaixo foi atualizado, devido as novas conclusões dos pesquisadores e não é mais uma recomendação:

Recomendamos aos viajantes que estejam se dirigindo à Alemanha, que evitem consumir vegetais crus, em especial, pepinos, tomates e alfaces, até que a origem do surto seja confirmada, e estejam atentos a outras recomendações das autoridades alemãs.

Outras medidas de prevenção envolvem procedimentos de higiene e de Boas Práticas demanipulação de alimentos, como: lavagem adequada das mãos antes de preparar, servir outocar os alimentos, após o uso do banheiro, após manipular alimentos crus e após contato com animais. Além disso, pessoas que apresentarem sintomas da doença como diarréia ou vômitonão devem manipular alimentos. As frutas e vegetais devem ser lavados adequadamente,especialmente aqueles que forem consumidos crus. Por fim, orientamos que os alimentos sejam cozidos a 70°C, pois este é o único método efetivo para eliminar a EHEC de alimentos contaminados.

Essas recomendações estão resumidas nos 5 pontos-chave para uma alimentação segura, estão divulgadas no site da Anvisa:http://www.anvisa.gov.br/hotsite/cinco_pontos/index.htm. Disponibilizamos ainda um folder para orientar sobre medidas simples que ajudam a evitar doenças transmitidas por alimentos durante viagens, o qual é conhecido como Guia para uma Alimentação Segura para Viajantes".

Fonte: Anvisa