gravida coronavirus 

 

Com o início da pandemia da COVID-19, vieram também muitas preocupações. Por se tratar de uma doença nova, existe um medo em relação às repercussões do novo coronavírus na gestação e nos recém-nascidos.

Quanto a isso, o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists publicou no início de abril um estudo apontando que não há dados que indiquem aumento do risco de abortamento ou de malformações do bebê. Outros institutos de pesquisas estão promovendo análises para avaliar a presença do novo coronavírus no líquido amniótico, cordão umbilical, placenta e leite materno. A boa notícia é que essas pesquisas não encontraram indícios de que pudesse haver transmissão vertical, ou seja, quando uma doença passa da mãe ao filho dentro da barriga ou durante a amamentação.

Outras evidências, porém, apontam no sentido contrário e afirmam que o vírus pode ser transmitido ainda na gravidez. Dois relatos demonstraram o anticorpo IgM, que combate o vírus, no sangue do bebê logo após o nascimento. Como esse tipo de anticorpo não ultrapassa a placenta, é provável que represente uma resposta imunológica do próprio feto. Felizmente, quase a totalidade das mulheres infectadas pelo novo vírus têm filhos livres da doença. Os bebês que se infectam, principalmente após o nascimento, em geral, não apresentam grandes complicações.

Recentemente gestantes e puérperas (mulheres até 42 dias pós-parto) foram incluídas oficialmente nos grupos de risco porque existe uma diminuição natural da imunidade na gravidez. Por esse motivo, elas podem apresentar sintomas mais graves caso fiquem doentes, principalmente no final da gestação (após 28 semanas, o que equivale a 6 a 7 meses), período em que há aumento do útero e diminuição da capacidade dos pulmões. O risco é maior para grávidas que têm outras doenças, como diabetes e hipertensão.

 

Para diminuir o risco de infecção, é importante reforçar medidas de cuidado e higiene:

- Lavar as mãos com frequência ou usar álcool gel;

- Evitar tocar olhos, nariz e boca;

- Respeitar o distanciamento social;

- Evitar pessoas com sintomas respiratórios;

- Ao tossir ou espirrar, cobrir boca e nariz com o antebraço ou um lenço, que deve ser imediatamente descartado após o uso;

- Utilizar máscara caseira de tecido duplo, conforme as orientações do Ministério da Saúde, se precisar sair de casa.

 

As consultas de rotina, tanto para as gestantes quanto para os recém-nascidos, devem ser mantidas, tentando-se realizar o máximo de espaçamento possível entre elas e tomando-se todas as precauções. Um ponto importante a destacar é que as gestantes devem se vacinar contra influenza (gripe), uma vez que também se trata de infecção respiratória e pode ser até mais grave que o novo coronavírus.

Se a gestante estiver com suspeita ou confirmação de infecção pelo coronavírus, ela e sua família devem ficar isoladas em casa e não sair, ou seja, praticar o isolamento social. A equipe de saúde deve ser comunicada, preferencialmente via telefone, para orientações, porém, se apresentar falta de ar ou dificuldade para respirar, deverá procurar imediatamente um pronto atendimento.

Em relação ao parto, os hospitais estão tomando todos os cuidados para minimizar os riscos de contaminação. Mulheres em trabalho de parto com suspeita ou confirmação de infecção devem usar máscara cirúrgica e serão atendidas por uma equipe especializada. Gestantes com infecção, mas em bom estado geral, podem ter parto normal ou cesárea com segurança.

As mulheres com COVID-19 também poderão amamentar, desde que sejam cumpridas algumas regras, como uso de máscara, lavagem das mãos antes e depois de tocar no bebê e limpeza e desinfecção constante de superfícies com as quais tiveram contato.

 

Texto por Dr. Fabiano Elisei Serra
CRM SP 154450
Professor de Obstetrícia da Afya Educacional
Coordenador da Obstetrícia do Hospital Maternidade Interlagos