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O Japão não pretende ficar para trás no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Hoje depende inteiramente de produtos importados, algo que o governo japonês quer mudar com uma nova estratégia para promover a criação de vacinas no país.
Algumas empresas japonesas trabalham no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus, mas avançam com lentidão. Quatro companhias chegaram ao estágio dos testes clínicos, mas nenhuma solicitou até agora homologação governamental.

O professor Ishii Ken, do Instituto de Ciência Médica da Universidade de Tóquio, que é especializado em desenvolvimento de vacinas, afirma que as pesquisas do setor no Japão não ficam aquém das realizadas em outras partes do mundo e foram iniciadas bastante cedo, mas o país ficou para trás por não apresentar uma resposta unificada.

Ele explica: “Diante da necessidade de lançar uma vacina, o processo que vai da pesquisa ao desenvolvimento por empresas farmacêuticas não correu a contento e as verbas públicas para a preparação da infraestrutura necessária à sua produção foram insuficientes. O nível de urgência sanitária no Japão, inferior ao de outros países, pode ter limitado o orçamento disponível e o avanço posterior.”

O professor Ishii ressalta que os Estados Unidos gastaram mais que 10 bilhões de dólares no desenvolvimento de vacinas no primeiro semestre do ano passado, enquanto o Japão despendeu cerca de 100 milhões de dólares.

Uma comissão consultiva que orienta o governo concluiu que o moroso desenvolvimento de vacinas pelo Japão resulta em parte da menor importância atribuída pelo país às pesquisas sobre doenças infecciosas nos últimos anos. Destacou que este tipo de pesquisa vem decaindo no Japão, em comparação com outros países da região nos quais houve surtos de Sars ou outras doenças infecciosas. Classificou, além disso, de inadequadas a destinação de verbas e a política pública do setor.

Para superar o atraso, Ishii sugere que o Japão crie centros de pesquisa compartilhados, nos quais estudiosos de diferentes campos e empresas possam colaborar entre si. Enfatiza que várias outras nações têm centros estatais de desenvolvimento de vacinas.

Em 1º de junho, o gabinete de ministros do governo japonês adotou uma estratégia de longo prazo para que o país alcance os Estados Unidos e a Europa no desenvolvimento e na produção de vacinas. O plano prevê a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento da mais alta qualidade, a aplicação de um critério mais estratégico na alocação de verbas de pesquisa e a ampliação por toda a Ásia de redes para estudos clínicos em larga escala.

Ishii considera importante dar suporte de longo prazo a pesquisadores, mesmo que eles não produzam resultados imediatos, e preparar-se para a próxima crise. O professor vê nos Estados Unidos e na Europa um ambiente de pesquisa mais diversificado que no Japão nos aspectos de etnia e sexo, e recomenda um aprimoramento nesta área.

Ele resume: “É preciso haver espaços nos quais pesquisadores de empresas e do universo acadêmico possam primeiramente trabalhar juntos em diversas pesquisas e, sempre que necessário, ser capazes de reunir esforços na criação de vacinas.”

 

 

Por Ishizaka Sae Christine Hall
NHK World Correspondent