brasil coronavirus 2

Pesquisadores acreditam que variante tenha surgido no final de 2020 e possivelmente esteve associada ao grande número de casos de Covid-19 registrados na capital amazonense no início deste ano  (Foto: HC/USP)

 

 

A variante P.1 foi identificada pela primeira vez no Japão, em 2 de janeiro, em quatro passageiros (um homem e uma mulher adultos e duas crianças) que chegaram a Tóquio vindos de Manaus. Na ocasião, o Instituto de Doenças Infecciosas do Japão informou, em 6 de janeiro, que o vírus encontrado nos passageiros se tratava de uma nova variante com 12 mutações. Isso levou a uma alerta nas autoridades de saúde brasileiras.

Poucos dias depois, em 12 de janeiro, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), confirmou a identificação de uma nova linhagem com origem no Amazonas e emitiu uma nota técnica, informando que a P.1 é uma derivação da variante B.1.1.28. A nota técnica apontou que até a primeira semana de janeiro a P.1 foi identificada em 91%, dos genomas sequenciados no Amazonas – em dezembro este índice era de 51%.

“O problema do vírus ficar circulando muito tempo, aliado a uma queda do distanciamento social, favoreceu o surgimento da P.1”, explicou o pesquisador Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia. Quanto mais o vírus circula, maiores são as chances de ele sofrer novas mutações que podem ser, inclusive, resistentes às vacinas produzidas atualmente.

Os pesquisadores acreditam que variante tenha surgido no final de 2020 e possivelmente esteve associada ao grande número de casos de Covid-19 registrados na capital amazonense no início deste ano. Supõe-se que a variante tenha aparecido cerca de um mês antes do número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na cidade dar um salto. Comparada à linhagem B.1.1.28, a P.1. apresenta 17 mutações, sendo 10 na proteína Spike – usada pelo vírus para se conectar com a proteína ACE-2 existente na superfície das células humanas e viabilizar a infecção. Estudos têm mostrado que a P.1 é até 2,2 vezes mais transmissível, aumenta em dez vezes a quantidade de vírus nas células da pessoa infectada e apresenta chance até 61% maior de escapar da imunidade protetora conferida por uma infecção prévia.

 

Variante P.2

A variante P2 também se originou da linhagem B.1.1.28 e foi detectada na cidade do Rio de Janeiro em outubro de 2020, por meio de um estudo do Laboratório de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Assim como a P.1, a P.2 é transmitida de forma mais rápida, mas os cientistas ainda pesquisam se ela é ou não mais letal. Esta variante apresenta apenas uma mutação na espícula (a E484K), enquanto a P.1 tem um número maior de mutações na proteína que se ligam às células humanas e por isso tem gerado ainda mais preocupação.

Em novembro, a P.2 já era a mais prevalente entre as linhagens sequenciadas de pacientes que desenvolveram sintomas no estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados de fevereiro de 2021 da Rede Genômica Fiocruz, a partir do aumento dos isolamentos das variantes P.1 e P.2, em apenas quatro meses elas passaram a corresponder por aproximadamente 75% de todas as linhagens sequenciadas no Brasil no período e, em Manaus, as duas cepas corresponderam a 97,8% das amostras de vírus sequenciadas em janeiro de 2021.

Até janeiro a variante P.2 predominava no Rio de Janeiro, mas a P.1 assumiu a prevalência na cidade ainda em fevereiro. A pesquisadora Paola Cristina Resende, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), ressalta que “é importante lembrar que as linhagens P.1 e P.2 já foram associadas a casos de reinfecção no país. Por isso, é fundamental a continuidade das medidas de prevenção, como a utilização de máscara de proteção, a higienização frequente das mãos e evitar aglomerações”.

 

Fontes:

Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)
Secretaria de Saúde de Goiás
Rede Genômica Fiocruz
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro
Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia)

 

Texto por Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)