coronavirus microscopia 

Probabilidade de estágios graves da doença foi 5 vezes maior em pacientes com deficiência

 

 

Às vésperas de completar dois anos, a síndrome respiratória coronavírus 2 (Sars-CoV-2) que afetou o mundo ainda levanta algumas questões na comunidade científica. Uma das mais frequentes é o papel da vitamina D na prevenção ou tratamento da Covid-19. Uma meta-análise* realizada por pesquisadores iranianos e divulgada em julho pelo The International Journal of Clinical Practice traz resultados que apontam que sim, pacientes com deficiência de vitamina D apresentam risco maior de desenvolver a doença na forma mais grave.

Embora seja difícil comparar as estatísticas globais dos desfechos da Covid-19, está claro que a taxa de mortalidade é maior em muitos países, como Estados Unidos, Brasil e Índia. Vários fatores estão envolvidos, como idade, qualidade do sistema de saúde, estado geral de saúde, status socioeconômico, etc.

Após meses de investigação sobre a nova doença, vários fatores, como sexo masculino, idade avançada, doenças cardiovasculares, hipertensão, doença pulmonar crônica, obesidade e doença renal crônica, são propostos como de risco para a deterioração dos desfechos dos pacientes com Covid-19.

Curiosamente, uma das condições que levaram à maioria dos fatores de risco considerados é justamente a deficiência de vitamina D. Estudos indicaram que doenças malignas, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares estão significativamente relacionadas a essa carência.

 

Baixos níveis de vitamina D

A primeira busca em bancos de dados para a realização do estudo resultou em 1.382 artigos. Após exclusão de documentos duplicados e triagem da primeira etapa com base no título e resumo, 121 artigos foram avaliados para elegibilidade. Finalmente, 23 artigos, que somavam 11.901 participantes, foram inseridos na meta-análise.

A maioria dos estudos epidemiológicos utilizados relatava um risco maior de desenvolver a infecção para estágios graves e morte em pacientes com baixos níveis de vitamina D. Além disso, as intervenções clínicas com vitamina D demonstraram um risco significativamente reduzido de infecção do trato respiratório, proposto como uma abordagem profilática ou de tratamento pela OMS ainda em 2017.

O resultado do estudo indicou que as chances de infecção com Sars-CoV-2 aumentam 3,3 vezes em indivíduos com deficiência de vitamina D. Já a probabilidade de desenvolver estágios graves da doença é 5,1 vezes maior em pacientes com deficiência desta vitamina.

 

Outras doenças

Além disso, foi descoberto que aproximadamente 43% dos pacientes infectados com Sars-CoV-2 sofriam de deficiência de vitamina D, que também era insuficiente em cerca de 42% deles. No entanto, a deficiência de vitamina D não afetou substancialmente as taxas de mortalidade em tais pacientes.

Assim, pode-se concluir que pacientes com níveis mais baixos ou com deficiência de vitamina D apresentam maior risco de desenvolver a doença na forma grave. E embora os estudos relatem essa deficiência como um dos fatores críticos nos desfechos clínicos de pacientes com Covid-19, parece que ela também pode estar fortemente relacionada a fatores de riscos básicos subjacentes e doenças em tais pacientes. Hipertensão, doenças cardiovasculares, doença renal crônica, diabetes, obesidade e doenças respiratórias foram as comorbidades mais frequentes encontradas em pessoas com Covid-19.

 

Mais ensaios

"De acordo com os resultados mencionados pelo estudo, é plausível que tanto a deficiência de vitamina D quanto as doenças de base possam piorar o estado desses pacientes mais do que de outros", afirma o Dr. Odair Albano, ginecologista e ex-Secretário de Saúde de Campinas (SP).

Ele completa: "Outro papel potencial da vitamina D, segundo o estudo, é reduzir a inflamação induzida após a infecção pelo Sars-CoV-2, suprimindo citocinas inflamatórias e reduzindo a infiltração de leucócitos. Além disso, de acordo com as evidências disponíveis para infecções e malignidades, a vitamina D pode aumentar a resposta sorológica e o desempenho dos linfócitos T CD8+ contra a Covid"

Os pesquisadores, no entanto, afirmam que outros grandes ensaios clínicos após uma meta-análise abrangente devem ser levados em consideração para se obter resultados mais confiáveis.

"É preciso deixar claro que mesmo após o estudo mostrar que a vitamina D pode ser uma aliada contra a Covid-19, sua suplementação deve ser feita somente com recomendação médica. Portanto, nada de automedicação", finaliza Albano.

 

*Referência: Roya Ghasemian; Amir Shamshirian; Keyvan Heydar; Mohammad Malekan; Reza Alizadeh-Navae; Mohammad Ali Ebrahimzadeh; Majid Ebrahimi Warkiani; Hamed Jafarpour; Sajad Razavi Bazaz; Arash Rezaei Shahmirzadi; Mehrdad Khodabandeh; Benyamin Seyfari; Alireza Motamedzadeh; Ehsan Dadgostar; Marzieh Aalinezhad; Meghdad Sedaghat; Nazanin Razzaghi; Bahman Zarandi; Anahita Asadi; Vahid Yaghoubi Naei; Reza Beheshti; Amirhossein Hessami; Soheil Azizi; Ali Reza Mohseni; Danial Shamshirian - The role of vitamin D in the age of Covid-19: a systematic review and meta-­analysis in The International Journal of Clinical Practice – jul-2021 - Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ijcp.14675