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Doses de Reforço da vacina do covid-19 e a Variante Ômicron do Coronavírus

 

 

O laboratório de pesquisas liderado pelo professor Alex Sigal do Instituto de Pesquisas de Saúde África sugere fortemente que a variante ômicron reduz consideravelmente a imunidade induzida pela vacina da Pfizer-BioNTech. O estudo com uso de plasma sanguíneo de 12 pessoas vacinadas descobriu que há uma redução de 40 vezes na habilidade dos anticorpos da vacina em neutralizar a variante. As estimativas recentes do instituto mostram que a vacina pode ser só 22,5% eficaz contra infecções sintomáticas da variante ômicron.

Os resultados do estudo mostram que dentre as amostras de sangue de seis pessoas que foram infectadas e receberam duas doses, cinco apresentaram nível comparativamente alto de anticorpos neutralizantes. O porta-voz do instituto diz que existem boas chances de que as pessoas possam aumentar o nível de seus anticorpos com a terceira dose da vacina e evitar desenvolver sintomas graves.

A variante ômicron incorpora várias mutações em suas proteínas spike, que desempenham um papel importante na infecção de células hospedeiras. Com as mutações, poderá se tornar difícil a ligação entre anticorpos neutralizantes e as proteínas spike, necessária para prevenir infecções.

Taniguchi Kiyosu, chefe de pesquisa clínica do Hospital Nacional de Mie, integra a subcomissão de especialistas que assessora o governo sobre o coronavírus. Para ele, convém receber a dose de reforço mesmo que a vacinação seja menos eficaz contra a variante ômicron.

Explica que, se, por exemplo, mutações incorporadas na variante reduzirem a um quarto a eficácia dos anticorpos neutralizantes, ainda assim será possível obter o mesmo nível de proteção desde que tenhamos quadruplicada a quantidade de anticorpos após o fortalecimento do nosso sistema imune com a dose de reforço. Ou seja, ao receber a terceira dose, com o aumento da quantidade total de anticorpos, teremos mais anticorpos que se ligam com a variante ômicron.

Taniguchi Kiyosu diz que a aplicação de uma terceira dose do imunizante não somente aumentará a quantidade de anticorpos, mas também desempenhará um papel importante para registrar firmemente na memória do sistema imunológico.

Quando a primeira dose da vacina ("prime", em inglês) é aplicada, o corpo reconhece o vírus como inimigo alvo para que seja atacado pelo sistema imune inato. Posteriormente, a segunda dose é administrada para que o sistema imunológico o registre em sua memória como inimigo alvo. A terceira dose, conhecida como reforço, tem como objetivo fortalecer e tornar esta memória mais duradoura. Desta maneira, a estratégia de "prime e reforço" contribui para ensinar o sistema imunológico sobre o "inimigo" e fortalecer esta memória.

Taniguchi afirma que, como este método de adquirir imunidade suficiente por meio de vacinações tem como objetivo evitar o desenvolvimento de sintomas graves, esta estratégia deve também funcionar para quaisquer novas variantes emergentes, incluindo a ômicron. Ele enfatizou a importância de promover medidas para a aplicação de doses de reforço.

O professor Nakayama Tetsuo, da Universidade Kitasato, é bem-versado acerca de vírus e vacinações. Ele aponta que, apesar de a variante ômicron possuir 30 mutações em sua proteína spike — cuja protuberância se conecta com as células humanas —, as alterações ocorrem somente em 3% de toda a proteína spike. Argumenta, portanto, que é pouco provável que as vacinas sejam completamente ineficazes contra a ômicron. Ele diz que a eficácia das vacinas em prevenir a infecção pode ser reduzida até certo ponto, mas o poder que o imunizante tem de evitar que o infectado se torne gravemente enfermo provavelmente não deve decair tanto.

Nakayama afirma que as doses de reforço têm o poder de aumentar o nível de anticorpos e também de elevar as capacidades das células do sistema imunológico que atacam o vírus. Segundo ele, apesar de as mutações ajudarem o vírus a se esquivar dos anticorpos, a proteção fornecida pelas células do sistema imunológico que respondem diante de uma variada gama de mutações poderá ser mantida em níveis altos graças às doses de reforço, o que leva a uma redução no número de casos graves.

A gigante farmacêutica dos Estados Unidos, Pfizer, e sua parceira alemã BioNTech, publicaram no dia 8 de dezembro os resultados de estudos preliminares sobre a eficácia de sua vacina contra a variante ômicron. Os resultados revelaram que uma terceira dose da vacina aumenta os anticorpos 25 vezes em comparação com apenas duas doses, proporcionando o mesmo nível de proteção contra a primeira versão do vírus.

De acordo com os estudos, as companhias testaram amostras de sangue retiradas de pessoas vacinadas um mês após elas terem recebido a terceira dose, com o objetivo de verificar os níveis de anticorpos neutralizantes contra a variante ômicron. Eles descobriram que os níveis de anticorpos eram comparáveis àqueles observados em pessoas três semanas depois delas terem recebido a segunda dose contra o vírus original. As companhias afirmam que a terceira dose da vacina deve proporcionar um alto nível de proteção contra a variante ômicron.

As companhias dizem ainda que 80% da porção da proteína spike reconhecida pelas células imunes como alvo não é afetado pela mutação na variante ômicron. Segundo as companhias, isto significa que apenas duas doses podem também proporcionar proteção contra um estado grave da doença. Elas dizem acreditar que a dose de reforço aumenta os níveis de imunidade nas células e ajuda a evitar que pacientes da Covid-19 fiquem gravemente doentes.

O laboratório de pesquisas liderado pelo professor Alex Sigal do Instituto de Pesquisas de Saúde África sugere fortemente que a variante ômicron reduz consideravelmente a imunidade induzida pela vacina da Pfizer-BioNTech. O estudo com uso de plasma sanguíneo de 12 pessoas vacinadas descobriu que há uma redução de 40 vezes na habilidade dos anticorpos da vacina em neutralizar a variante. As estimativas recentes do instituto mostram que a vacina pode ser só 22,5% eficaz contra infecções sintomáticas da variante ômicron.

Os resultados do estudo mostram que dentre as amostras de sangue de seis pessoas que foram infectadas e receberam duas doses, cinco apresentaram nível comparativamente alto de anticorpos neutralizantes. O porta-voz do instituto diz que existem boas chances de que as pessoas possam aumentar o nível de seus anticorpos com a terceira dose da vacina e evitar desenvolver sintomas graves.

 

 

* com informações da TV Japonesa NHK