farmaceutico-a-grande-familia-globoFarmacêuticos repudiam a forma com que a profissão foi retratada no programa A Grande Família.

O episódio que foi exibido no dia 17 de novembro de 2011, causou um grande mal estar entre os farmacêuticos.

Intitulado "Vide Bula" o episódio abordava o problema da automedicação, durante os blocos do episódio o profissional farmacêutico foi representado de forma humilhante e duramente criticado, diálogos dos personagens também mostraram pontadas de desprezo quanto à "profissão farmacêutica".

O episódio recebeu duras críticas em tempo real e continuaram nos dias seguintes. Entidades farmacêuticas de todo o Brasil também se manifestaram através de nota de repudio ao programa.

No mesmo momento que tomei conhecimento de tal fato, assistindo ao programa, tratei de defender a profissão farmacêutica com as ferramentas disponíveis.

Foram inúmeras mensagens de protesto postadas por farmacêuticos e pela sociedade nas redes sociais como Facebook e twitter, muitos farmacêuticos também enviaram emails e telefonaram para a emissora de televisão em forma de protesto.

Veja abaixo as notas:

- Carta do CFF ao Diretor-Geral do Programa a grande família

- Nota de Repúdio CRF-SP

- Nota de Repúdio CRF-PA

- Nota de Repúdio da Fenafar

- Carta CRF-RJ

- Nota de Repúdio CRF-MG

 

Carta do CFF ao Diretor-Geral do Programa a grande família

 

Brasília, 18 de novembro de 2011.

Senhor Diretor-Geral,

O episódio intitulado "Vide Bula", do programa "A grande Família", que foi ao ar, na noite de ontem (17.11.11), trouxe inverdades e agressões à Profissão farmacêutica que resultaram em um grande número de manifestações de farmacêuticos, em todo o País, e nos deixaram perplexos, pelo grau de incorreções veiculadas sobre a nossa amada Profissão.

Ainda que saibamos tratar-se de uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade, o referido programa, por outro lado, é um formador de opinião. Por conseguinte, entendemos que ele deve ter compromissos com a verdade das profissões, sim, como a Farmácia.

E a nossa verdade é outra da apresentada no programa de 17.11.11. Farmacêuticos são profissionais de nível superior, dotados de um alto grau de qualificação técnico-científica, além de humanismo, e que possuem grandes responsabilidades sociais.

São autoridades em medicamentos e, por questões éticas, humanísticas, técnicas e legais, jamais cometeriam ações tão abomináveis, como as que lhe foram imputadas em "A Grande Família" da última quinta-feira.

Um farmacêutico jamais iria prevaricar, dando "um jeitinho", como fez o personagem Dr. Libório, dispensando antibiótico sem a apresentação da prescrição médica ou do dentista, nem um medicamento contra a insônia. Um farmacêutico sabe dos malefícios contidos na venda irracional desses produtos, a exemplo da resistência microbiana e da dependência psíquica.

Por isto, os profissionais, no Brasil inteiro – e sob a liderança do Conselho Federal de Farmácia -, sempre, defenderam o controle na venda de antibióticos e de outros produtos.

O Dr. Libório de "A Grande Família" é, portanto, um escroque e, pela pobreza manifestada em sua fala, é um leigo e não um farmacêutico. Por conseguinte, ele não traduz, em hipótese alguma, a natureza do farmacêutico.

Diante do exposto, solicitamos-lhe a correção dos equívocos.

Sem mais, agrademos pela atenção.

Jaldo de Souza Santos,

Presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Telefone (61)2106-6535.

E-mail: presidencia@cff.org.br

Ilmo Sr. Luis Felipe Sá,

Diretor –Geral de "A Grande Família"

"TV Globo".

 

Nota de Repúdio CRF-SP

 

Em relação ao programa "A Grande Família" exibido pela Rede Globo nesta quinta-feira, 17/11, com o episódio intitulado Vide Bula, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo -- CRF-SP -- registra nota de repúdio pela forma inadequada e desrespeitosa a que foi exposto o farmacêutico, profissional de nível superior e preparado para orientar e prestar assistência em relação ao uso correto de medicamentos.

Seria uma excelente oportunidade de alertar os telespectadores sobre a exigência da receita para a compra de antibióticos e medicamentos de venda sob prescrição. No entanto, a personagem Nenê obteve o mencionado medicamento sem o receituário médico das mãos do farmacêutico, o que contraria a legislação vigente e fere o código de ética profissional, ambos os casos passíveis de punição.

Outro equívoco foi mostrar o livre acesso aos medicamentos tarjados (faixa vermelha), prática proibida, pois os medicamentos que exigem prescrição médica não podem estar nas gôndolas ao acesso do consumidor, assim como, alguns medicamentos isentos de prescrição que somente podem ser dispensados com a orientação do farmacêutico.

Além disso, ao enfatizar que o farmacêutico não é doutor, sugere ser ele um profissional sem importância, desconsiderando o fato de integrar o sistema de saúde e que está na farmácia não para "vender remédio", mas para orientar o paciente no uso adequado do medicamento. A farmácia é um estabelecimento de saúde e deve ser tratada dessa forma.

O CRF-SP enfatiza que o episódio deturpou o real papel do farmacêutico, mostrando a milhões de pessoas um profissional mercenário, que burla leis e expõe a população a riscos, sem nenhum comprometimento. Sabemos que em todas as áreas existem os profissionais que respeitam as normativas e outros que infelizmente não resguardam a ética profissional, mas mediante as inúmeras manifestações que recebemos da classe farmacêutica, reiteramos o nosso sentimento de desrespeito da forma que emissora apresentou esse profissional.

Atenciosamente,

Raquel Rizzi

Presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo

 

Nota de Repúdio CRF-PA

 

Diante do episódio "Vide Bula" do programa "A grande Família" exibido ontem (17.11) pela Rede Globo de Televisão, o Conselho Regional de Farmácia do Estado do Pará (CRF/PA) se solidariza com o Conselho Federal de Farmácia em nota divulgada hoje (18.11) em defesa da profissão farmacêutica.

De forma irresponsável, o episódio desvirtua a importância que o profissional farmacêutico exerce na sociedade. Ressaltamos que esta categoria profissional trabalha incansavelmente no sentido de desmitificar a difusão de uma perigosa prática utilizada de forma cultural, a automedicação. Nos cabe salientar que a função do farmacêutico na sociedade é prestar assistência e orientar a população sobre os riscos que a manipulação irrestrita de medicamentos pode causar, atuando proativamente para resguardar a saúde pública.

Neste sentido, o CRF/PA repudia o desserviço desse tipo de produto de comunicação contra a valiosa atuação da profissão farmacêutica. Acreditamos que por atingirem uma grande parcela da população, os meios de comunicação devem exercer um papel de aliado da sociedade, utilizando seus espaços para orientar os cidadãos sobre os riscos da automedicação e não favorecer a estereotipia dos que exercem essa profissão.

Daniel Jackson Pinheiro Costa

Presidente do CRF/PA

 

 Fenafar : Nota de repúdio ao tratamento dado ao farmacêutico no programa A Grande Família

A Federação Nacional dos Farmacêuticos vem a público se manifestar a respeito do episódio Vide Bula da série A Grande Família, veiculado pela Rede Globo na última quinta-feira (17).

A televisão é o veiculo de comunicação de massa mais poderoso de nossa sociedade. O que aparece na TV contribui de maneira determinante para formar comportamentos e pensamentos. Assim, a responsabilidade dos profissionais que trabalham na televisão, ainda que em programas humorísticos ficcionais, tem que refletir esse poder.

Por isso, não podemos deixar de registrar nossa indiganação com a forma que o programa acima citado retratou o profissional farmacêutico. A Fenafar – e toda a categoria – tem realizado incessantemente campanhas para esclarecer a população sobre o papel do farmacêutico.

Somos uma categoria de profissionais da saúde, formados em nível superior e habilitados para pesquisar, produzir, manipular e dispensar o medicamento. Atuamos em várias etapas da cadeia de produção e circulação do medicamento. Os farmacêuticos que atuam nas farmácias e drogarias são qualificados para orientar o usuário sobre o uso racional do medicamento, cientes dos perigos da automedicação e responsáveis por seguir as normas federais que pautam as boas práticas farmacêuticas.

Por isso, há décadas temos lutado para tornar obrigatória a presença do farmacêutico em tempo integral nas farmácias. O farmacêutico não pode ser confundido com um balconista ou um vendedor, assim como o medicamento não pode ser tratado como uma mercadoria qualquer e, também, a farmácia não pode ser tratada como um estabelecimento comercial e, sim, como um estabelecimento de saúde.

Abordar o tema da automedicação – assunto importantíssimo numa sociedade na qual, infelizmente, a propaganda comercial do medicamento nada tem de diferente da propaganda de qualquer outra mercadoria – a emissora de televisão deveria buscar ouvir profissionais da área para não cometer erros, como representar uma farmácia na qual os medicamentos estão ao alcance do usuário.

Ao retratar um profissional disposto a "burlar" as leis em vigor que regem a venda do medicamento, ao colocá-lo como "simples farmacêutico", a Rede Globo presta um desserviço à sociedade, reproduzindo uma visão equivocada sobre o papel imprescindível desse profissional de saúde.

A Fenafar e seus sindicatos filiados reiterar seu repúdio à forma desrespeitosa como a emissora tratou toda uma categoria profissional e esperamos que situações como esta não voltem a se repetir.

São Paulo, 19 de novembro de 2011.

Diretoria da Federação Nacional dos Farmacêuticos

Conselho de Representantes da Fenafar

 

Nota CRF-MG

Belo Horizonte, 18 de novembro de 2011

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Minas Gerais (CRF/MG) repudia a forma como o profissional farmacêutico foi exposto no episódio “Vide Bula” da série “A Grande Família”, exibido no último dia 17, pela Rede Globo. O seriado prestou um desserviço à população ao apresentar a personagem “Nenê”, com a qual milhões de brasileiros se identificam, comprando medicamento controlado sem receita médica. E feriu milhares de farmacêuticos ao diminuir a importância deste profissional na dispensação orientada de medicamentos.

O farmacêutico é a maior autoridade em medicamentos. Ele passa por rigorosa formação humana e técnico-científica, tornando-se tão essencial quanto o próprio medicamento. A categoria possui Legislação e Código de Ética em vigor, cujos cumprimentos são fiscalizados permanentemente pelos Conselhos de Farmácia. Ao comercializar medicamento tarjado sem receita médica e ao mantê-lo nas gôndolas ao alcance do consumidor, o personagem “Dr. Libório” cometeu graves infrações, passíveis de punição.  

Um profissional farmacêutico jamais pode ser conivente com a automedicação e com o consumo irracional de medicamentos, tampouco dar um “jeitinho”, como fez “Dr. Libório”. Ao contrário. Ele é parte fundamental do tratamento e atua decisivamente para a promoção e recuperação da saúde da população. 

Diante do exposto, solicitamos retratação imediata a fim de recuperar os danos causados à imagem do farmacêutico e à formação da opinião pública, sobretudo no que diz respeito aos riscos da automedicação e do consumo indiscriminado de medicamentos.

Certos de sermos acolhidos em nossa reivindicação, antecipamos agradecimentos.

Atenciosamente,

Benício Machado de Faria

Presidente

 

Carta de repúdio ao programa A Grande Família - CRF-RJ

 

O Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ) vem por meio desta manifestar total indignação com o episódio "Vide Bula", do programa A Grande Família, exibido no dia 17/11/2011. Apesar de ser uma obra de ficção, macula a imagem do farmacêutico, que tanto tem feito em prol da saúde da população.

A discussão sobre a automedicação é altamente positiva, principalmente considerando que vivemos em um país com grandes deficiências na saúde pública. Grande parte da população, sem acesso ao médico, recorre à farmácia em busca de ajuda. A prática da automedicação traz riscos sérios para a vida do paciente e concordamos com o debate. Tanto que esta é uma das bandeiras do CRF-RJ: inserir o farmacêutico nesta discussão para que a sociedade entenda que não deve se automedicar. Ninguém melhor que o farmacêutico, profissional de saúde, para alertar sobre esses riscos.

No entanto, o episódio "Vide Bula" denigre a imagem do farmacêutico ao criar o personagem do Dr. Libório, quando deveria, ao contrário, apresentar à sociedade um profissional ético e conhecedor da legislação em vigor. Infelizmente, maus profissionais existem em qualquer profissão, mas nenhuma emissora de TV deveria ser prestar ao desserviço de reforçar uma imagem que a classe farmacêutica vem lutando para mudar há anos, e felizmente com sucesso. Hoje, a sociedade entende muito melhor qual é o verdadeiro papel do farmacêutico na farmácia.

Nos últimos anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com suas resoluções, contribuiu e muito para o surgimento de um cenário em que o farmacêutico tem mais espaço para atuar como profissional de saúde, fazendo a orientação farmacêutica para uso seguro e correto do medicamento. Cada vez mais, pacientes procuram pelos farmacêuticos para tirarem suas dúvidas e consumir o medicamento da forma mais segura possível.

Sendo assim, o personagem do Dr. Libório não representa o farmacêutico que hoje atua na farmácia, em prol da saúde da população.

Diante do exposto, solicitamos à Direção do programa que repense o fato e corrija seus erros.

 

Imagem: Reprodução do Programa "A Grande Farmília - Rede Globo"