pesquisando cientista

LONDRES — Pesquisadores de instituições britânicas revelaram uma série de disparidades entre países quando são comparadas as taxas de sobrevida a diferentes tipos de câncer, principalmente aqueles que afetam crianças. Os cientistas acreditam que as lacunas ocorrem devido a variações de disponibilidade e qualidade do diagnóstico e no tratamento.

Segundo o estudo, publicado na revista médica "The Lancet", nesta terça-feira, foram observados progressos no combate à doença de uma forma geral, incluindo casos mais graves, como o câncer de pulmão, entre 2010 e 2014 - período analisado pelos especialistas.

Embora as taxas de combate ao câncer cerebral infantil tenham aumentado em muitos países, a pesquisa mostrou que, para crianças diagnosticadas em 2014, a chance de sobrevida de cinco anos era de aproximadamente 80% na Dinamarca e na Suécia, enquanto no México não chegava a 40%.

No Brasil, a chance de uma criança sobreviver por cinco anos após o diagnóstico de câncer cerebral ficou em 28,9%.

"Apesar dos avanços na conscientização, serviços e tratamentos, o câncer ainda mata mais de 100 mil crianças a cada ano em todo o mundo", disse o professor Michel Coleman, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, um dos responsáveis pela pesquisa.

Para o estudo, conhecido como "Concord-3", cientistas analisaram prontuários de 322 pacientes diagnosticados com câncer em 71 países, comparando taxas de sobrevida de cinco anos entre 18 tipos de câncer comuns, que atingem 37,5 milhões de pessoas, entre adultos e crianças. A pesquisa analisou informações de países que aglomeram dois terços da população mundial.

"Se nós pudermos assegurar que mais crianças sobrevivam ao câncer por mais tempo, nós precisamos de dados confiáveis sobre o custo e efetividade dos serviços de saúde em todos os países, para comparar o impacto das estratégias em lidar com o câncer infantil", afirmou Coleman.

Nos últimos 15 anos, para a maior parte dos tipos de câncer, a taxa de sobrevida é maior em apenas alguns países: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Finlândia, Noruega, Islândia e Suécia.

Para mulheres diagnosticadas com câncer de mama na Austrália e nos Estados Unidos entre 2010 e 2014, por exemplo, a taxa da sobrevida de cinco anos é de 90%. Para pacientes que recebem tratamento na Índia, porém, a chance de superar a doença equivale a 66%. O estudo comparou países europeus e viu que houve aumento dessa taxa para pelo menos 85% em 16 países, mas para os países do Leste Europeu, a chance de sobrevivência é de 71%.

Fonte: O Globo

Fábio Reis
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Fundador do Pfarma. Possui registro como Jornalista MTB 39014/RJ e Farmacêutico CRF-RJ 14376.