Butantan

 

 

Uma transferência de tecnologia do Brasil para a África. Esse é um dos diferenciais da recente construção do primeiro serpentário de Maputo, capital de Moçambique, realizada pelo Instituto Butantan. O projeto faz parte do Programa de Cooperação Temática em Matéria de Ciência e Tecnologia (Proáfrica), criado em 2004 com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para incentivar a cooperação científico-tecnológica entre os continentes.

Idealizado pelo professor e pesquisador do Butantan Wilmar Dias da Silva, a colaboração teve início em 2005. Na primeira etapa, pesquisadores da Universidade Eduardo Mondlane, onde o serpentário foi instalado, vieram até o instituto com o objetivo de aprender sobre a produção de venenos e soros antiofídicos. Na sequência, Wilmar esteve em Maputo para ministrar cursos na área de imunoquímica (constituição química de antígenos e anticorpos). Métodos de captura, manutenção e reprodução de serpentes em cativeiro, além da coleta, controle de qualidade e conservação de venenos também fizeram parte do treinamento dos técnicos e pesquisadores africanos.

Uma transferência de tecnologia do Brasil para a África. Esse é um dos diferenciais da recente construção do primeiro serpentário de Maputo, capital de Moçambique, realizada pelo Instituto Butantan. O projeto faz parte do Programa de Cooperação Temática em Matéria de Ciência e Tecnologia (Proáfrica), criado em 2004 com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para incentivar a cooperação científico-tecnológica entre os continentes.

Idealizado pelo professor e pesquisador do Butantan Wilmar Dias da Silva, a colaboração teve início em 2005. Na primeira etapa, pesquisadores da Universidade Eduardo Mondlane, onde o serpentário foi instalado, vieram até o instituto com o objetivo de aprender sobre a produção de venenos e soros antiofídicos. Na sequência, Wilmar esteve em Maputo para ministrar cursos na área de imunoquímica (constituição química de antígenos e anticorpos). Métodos de captura, manutenção e reprodução de serpentes em cativeiro, além da coleta, controle de qualidade e conservação de venenos também fizeram parte do treinamento dos técnicos e pesquisadores africanos.

“Paralelamente, o Instituto Butantan desenvolveu dois soros antiofídicos específicos para os principais gêneros de serpentes daquela região, isto é, Naja e Bitis, que podem ser usados no tratamento de picadas das inúmeras espécies compreendidas nesses gêneros”, explica Wilmar. Só em Moçambique, existem 80 espécies de serpentes, das quais 37 são peçonhentas. Publicações baseadas em dados de 68 países africanos mostram que aproximadamente 400 mil acidentes com serpentes são registrados todos os anos no continente. Mas esses números podem chegar a mais de 1,8 milhão, considerando-se a subnotificação epidemiológica.

A última etapa do projeto resultou na construção do serpentário, concluído no fim de 2020 com o apoio da iniciativa privada. “O próximo passo é mobiliar e equipar a unidade para a futura produção de soros no local”, conta o pesquisador do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan Sávio Stefanini Sant'Anna, que participou do projeto. “Esperamos que o serpentário, assim como o do Butantan, se torne um centro de difusão de conhecimento, para mostrar à população a importância das serpentes na biodiversidade do planeta”, completa Dias da Silva.

A colaboração entre o Butantan e os pesquisadores africanos também trouxe benefícios à pesquisa científica brasileira. “Até o início do Proáfrica, as toxinas de cobras africanas eram pouco estudadas. A partir dessa interação, já produzimos dezenas de publicações e teses a respeito no Butantan”, comemora o professor Wilmar. Ele destaca ainda alguns trabalhos, de outras áreas, que também nasceram inspirados na troca entre Brasil e África. Entre eles, um estudo para o desenvolvimento de uma vacina contra a bactéria Escherichia coli, que causa infecções intestinais, publicado na revista científica Vaccine em 2012. De autoria da pesquisadora Halyka Vasconcellos, que na época era do Laboratório de Bacteriologia do Butantan, o antígeno que pode gerar o imunizante acaba de ser patenteado.

“A África é um continente que já foi muito explorado, mas ainda é pouco conhecido. E nós, brasileiros e africanos, temos uma ligação cultural forte, que deve ser promovida para o enriquecimento de ambos. O serpentário de Moçambique é apenas um pontapé inicial desse intercâmbio de conhecimento”, conclui Sávio.

Confira o artigo "Generation of recombinant bacillus Calmette–Guérin and Mycobacterium smegmatis expressing BfpA and intimin as vaccine vectors against enteropathogenic Escherichia coli" em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0264410X12008353

 

Fonte: Instituto Butantan