omsUm kit para exames parasitológicos desenvolvido no Brasil foi escolhido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) uma das oito tecnologias mais inovadoras existentes no mercado mundial. Outras sete invenções ainda em fase de desenvolvimento também foram selecionadas.

Com o objetivo de identificar dispositivos de saúde inovadores e acessíveis a países de média e baixa renda, a OMS realizou no início do ano uma espécie de concorrência mundial. Uma equipe de especialistas internacionais avaliou 84 produtos, enviados por 29 países.

O pesquisador José Carlos Lapenna, presidente da Diagnostek, empresa especializada em produtos científicos, com sede em Itu (SP), acaba de retornar de um encontro promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em Bangkok, na Tailândia, que reuniu especialistas de saúde de 194 países em busca de novas tecnologias na área. Lapenna trouxe na bagagem o aval que faltava para alavancar as vendas de um kit de diagnóstico para exames parasitológicos bolado e desenvolvido pela Diagnostek, o Paratest.

O brasileiro Paratest foi o único representante da América do Sul entre os escolhidos. O inventor do kit, o pesquisador José Carlos Lapenna, explica que sua estrutura compacta permite realizar os testes nos locais mais remotos, como uma tribo indígena, por exemplo, e a um preço relativamente baixo: cerca de R$ 1,70.

“A OMS incluiu o produto entre os oito mais inovadores tecnologicamente disponíveis no mercado mundial”, diz Lapenna. Segundo ele, o Paratest consumiu investimentos de R$ 2 milhões e foi reconhecido por simplificar os procedimentos para o exame mais realizado no País – são cerca de 150 milhões por ano.

Enquanto um exame parasitológico convencional tem em média 12 etapas, o Paratest sintetiza vários passos em praticamente um só. O laboratorista precisa apenas dissolver a amostra no próprio frasco, por agitação, e verter algumas gotas na lâmina para o exame microscópico.

“O método tradicional passa por cerca de 15 processos, e o Paratest, por apenas um.” Além disso, o produto tem um custo acessível, em torno de R$ 1,70 a unidade, e evita o risco de contaminação dos profissionais que realizam os exames. O reconhecimento já se reflete nos negócios da empresa, que vende cerca de 2 milhões de kits por ano no Brasil. A Diagnostek está fechando um contrato com o governo do Distrito Federal para o fornecimento de 1,7 milhão de unidades por ano e também negocia com prefeituras de algumas capitais. “O reconhecimento é importante para abrir portas no setor privado e público”, diz Lapenna. Lá fora, a Diagnostek acaba de fechar um contrato para fornecer 2 milhões de kits para o governo de Cuba e mantém contato com os de vários países da América Latina, Dubai e China, entre outros. Os próximas alvos são o Canadá, a Alemanha e os EUA. “Quero instalar fábricas nos países aonde o produto chegar”, diz. Uma planta com capacidade de 1 milhão de unidades anuais custa cerca de US$ 150 mil.

O método evita o mau cheiro, possíveis contaminações durante a manipulação das fezes e facilita o descarte de material biológico.

 

Fonte: Blog Estadão e R7