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Dados apontam um novo comportamento do consumidor, abrindo espaço para boas oportunidades que surgiram com a pandemia

 

 

A Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan) apresentou aos parceiros do mercado farmacêutico importantes dados sobre o cenário atual e fez projeções otimistas e ponderadas para o período pós-pandemia, durante sua segunda Assembleia do ano.

Os resultados de desempenho foram explicados pelo diretor de relacionamento da IQVIA, César Bentim. O executivo revelou que apesar da inconsistência da economia, a Abradilan apresentou crescimento de 20% em PPP contra 12,9% do mercado farmacêutico em termos de faturamento. O crescimento da Associação diante das demais farmácias também foi positivo, apresentando um índice de 26,1% diante dos 15,6% do varejo farmacêutico.

Ele destacou a importância da região Sudeste, "que apresentou um crescimento muito expressivo e superior a qualquer outro, de 23%. Em contrapartida, nas regiões Norte e Sul a Associação apresentou números um pouco menores do que o crescimento do mercado".

Para o especialista, os dados apontam um novo comportamento do consumidor, abrindo espaço para boas oportunidades que surgiram com a pandemia.

Segundo Bentim, algumas categorias consolidadas abrem espaço para a venda de não-medicamentos, é o caso dos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) e os tarjados, que sofreram uma pequena queda.

De acordo com os dados da IQVIA, 69% das vendas são de medicamentos, sendo 55% com prescrição e 14% MIPs. O restante (31%) é destinado para as categorias que compõem produtos de personal care, cuidados ao paciente, OTC e nutricionais.

O mercado farmacêutico vem se mostrando bastante resiliente e cresce de forma acelerada tanto em faturamento quanto nas unidades. Entretanto, para 2021 a projeção em crescimento é de 9%, "um índice um pouco mais tímido do que os 11% de 2020", pondera Bentim.

"Essa desaceleração se deve a vários motivos, entre eles, a falta de lançamentos, dificuldades de acessar a classe médica como acontecia antes da pandemia, envelhecimento da população, recuperação gradual de renda e maior gasto incremental direcionado a genéricos e similares".

 

Qual é a expectativa pós-pandemia?

Apesar das perspectivas de a macroeconomia serem bastante desafiadoras, é preciso ficar atento às mudanças de comportamento do consumidor e aos 14 milhões de sobreviventes brasileiros do Covid-19.

Independentemente da gravidade do quadro, as pessoas recuperadas da doença vêm apresentando uma série de comorbidades, como problemas psiquiátricos, vasculares, renais, musculoesqueléticos, respiratórios, cardíacos etc. "Sendo assim, essa pode se tornar uma nova demanda do sistema de saúde e que a comunidade científica já está bem atenta".

Outro ponto destacado pelo especialista é a aceleração prolongada das categorias que mantiveram crescimento durante a pandemia, como medicamentos para diabetes, hipertensão, controle de ansiedade, anticoagulantes e produtos de bem-estar.

"Por outro lado, deve haver uma desaceleração da venda de medicamentos antiparasitários, máscaras e teste de covid após a pandemia. Enquanto protetor solar e maquiagem devem apresentar significativo aumento de vendas".

Sobre o grupo de vitaminas, Bentim recomenda foco em probióticos e suplementos, que ganharam muito destaque durante a pandemia e tendem a continuar como uma forte tendência.