quimioterapia

São muitos os avanços em exames e testes genéticos para o câncer de mama nos últimos anos, trazendo benefícios ao paciente e para a sua saúde, como o teste genômico Oncotype DX, que pode levar a uma redução significativa da indicação do tratamento por quimioterapia nas pacientes.

 

 

Nos últimos anos, a escolha da terapêutica mais adequada para cada paciente com câncer de mama, como o uso de marcadores moleculares, vem ganhando cada vez mais importância na medida em que tal estratégia analisa de forma integrada informações biológicas e características morfológicas, possibilitando uma seleção mais criteriosa e individualizada do tratamento, com impacto direto para a paciente.

Segundo a Dra. Monica Stiepcich, assessora médica da Anatomia Patológica do Grupo Fleury, detentor da marca Felippe Mattoso, os testes de expressão gênica que avaliam a atividade de genes relacionados ao comportamento biológico do tumor e predizem a resposta ao tratamento, isto é, se haverá benefício com a quimioterapia ou não, ilustram esse cenário. “O Oncotype DX é o teste que foi mais extensivamente estudado no mundo e aprovado por todas as principais sociedades de oncologia mundiais para ajudar o oncologista a decidir se deve ou não seguir com a quimioterapia para determinadas pacientes”, completa.

Os maiores benefícios dos novos testes são a quantidade e qualidade de informações sobre a biologia do tumor, seu grau de agressividade, e das potenciais respostas ou não aos tratamentos específicos. “Dessa forma, podemos indicar os tratamentos mais adequados para cada paciente, minimizando o uso de recursos com drogas caras e tóxicas para pacientes que não se beneficiariam com elas, e otimizando o uso de toda a cadeia de saúde, de forma que podemos aplicar as verbas disponíveis para prevenção, diagnóstico e tratamento a um maior número de pacientes”, frisa.

 

Como funciona o exame Oncotype DX?

O exame é realizado para alguns tipos de câncer de mama e avalia a expressão de um conjunto de genes associados a esses tumores. O teste é realizado no tecido tumoral da mama por meio de técnicas de biologia molecular e análise de expressão gênica combinadas a um algoritmo matemático que revelam as características do tumor. Com o auxílio das novas técnicas de medicina personalizada, temos observado enormes avanços nos campos de prognóstico, monitoramento e escolha dos tratamentos, por meio de resultados que auxiliam a guiar, de forma individualizada, as decisões terapêuticas.

 

Exame genético Oncotype DX

O exame genético Oncotype DX foi utilizado no estudo internacional TAILORx (Trial Assigning IndividuaLized Options for Treatment). Esse teste foi conduzido pelo Instituto Nacional do Câncer norte-americano com mais de 10 mil mulheres dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Peru. Parte dos resultados da pesquisa foram apresentados em junho de 2018 no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos, e apontaram que ao menos 70% dos casos diagnosticados com câncer de mama em estágio inicial e elegíveis à realização do teste não precisariam de quimioterapia e poderiam ser tratados co m hormon ioterapia.

Os resultados contrapõem a recomendação médica padrão de prescrever quimioterapia para todas as mulheres diagnosticadas com tumores com tamanho igual ou superior a um centímetro. Isso ocorre em razão da dificuldade de predizer se os casos de cânceres encontrados evoluiriam de forma agressiva ou não.

 

Estudo em parceria com o Hospital Pérola Byington

Em 2018, 111 pacientes do Hospital da rede pública Pérola Byington, localizado em São Paulo, com câncer de mama em estágio inicial, foram selecionadas para a realização do teste genômico Oncotype DX. Antes da realização do teste, 109 das 111 pacientes tinham, por critérios clínicos e patológicos, indicação de quimioterapia. Após a realização do exame, houve redução do número de indicações de quimioterapia em 69,7% das pacientes (76 das 109). Ao invés da quimioterapia, essas mulheres estão sendo tratadas apenas com hormonioterapia. Ao poupar as pacientes do tratament o com qu imioterapia, a iniciativa proporcionou uma economia direta equivalente a R$ 420 mil ao hospital.