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Doença, que impacta um em cada cinco diabéticos apresenta sintomas quando em estágio avançado; atualmente, 144 mil brasileiros estão em programas de diálise. Dr. João Egídio Romão Júnior, professor da FMUSP, reforça importância dos biomarcadores nas doenças renais crônicas.

 

 

Em um cenário em que a busca por diagnósticos precoces e assertivos é a chave para tratamentos mais eficazes, conhecer e entender como os processos de análises clínicas evoluíram é cada vez mais necessário para a classe médica. No caso da Doença Renal Crônica (DRC), os biomarcadores são fundamentais para resultados mais precisos e auxiliam os nefrologistas e pacientes no acompanhamento da patologia, que tem como uma das características a apresentação de sintomas quando já está em estágio avançado.

“Hoje, no Brasil, cerca de 12 milhões de pessoas têm a doença. Acredita-se que 97% não têm noção, principalmente porque ela é secundária ao diabetes e a hipertensão arterial, focos das preocupações de pacientes e médicos por serem doenças principais. Vale lembrar que a DRC também é assintomática, é insidiosa. O grande problema é que quando ela começa a apresentar sintomas, o paciente já está numa fase muito avançada da patologia e não há muito recurso para reverter a evolução”, explica o médico Dr. João Egídio Romão Jr., Chefe da Equipe de Nefrologia e Transplante do Hospital Beneficência Portuguesa e Professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

 

Procedimentos atuais

Diante disso, ganha destaque a necessidade de procedimentos de identificação precoces. Tido como o melhor e mais utilizado marcador, a creatinina é uma ferramenta muito eficiente entre os marcadores de anormalidade da função renal, mas que não possibilita a identificação antecipada da DRC, segundo o dr. João Egídio. “O problema é que não nos dá a oportunidade de um diagnóstico precoce e, volto a insistir, quando a gente tem o diagnóstico precoce, é possível estabilizar e, às vezes, até reverter um pouco essa função renal”.

Outras alternativas para o reconhecimento da DRC têm ganhado espaço na última década. O especialista destaca a Cistatina, principalmente porque é sintetizada a partir das células nucleadas. “A Cistatina C é uma opção interessante que temos nos dias de hoje, melhor que a creatinina, mas não difere quando utilizamos a fórmula MDRD (uma das equações que calcula a Taxa de Filtração Gromelular – TFG) para avaliar a função renal do paciente”, aponta o médico.

No caso dos marcadores de lesão renal, o mais importante é Proteinúria, mas, assim como a creatinina, não possibilita identificação antecipada da DCR e apresenta restrições no acesso aos tratamentos. Como alternativa tem ganhado espaço a Albuminúria/RAC, marcador que possibilita o diagnóstico precoce da patologia, entre outras vantagens.

“Ela pode ser feita em amostras isoladas de urina e tem relação, não apenas com a progressão da DCR, como também com a mortalidade cardiovascular. A albuminúria já está presente em 20% dos pacientes diabéticos. Às vezes, o paciente é diabético há cinco anos e não sabe e o marcador já aponta a lesão renal quando feito o diagnóstico. O mais importante, é um marcador muito precoce”, detalha o médico.

Entre as vantagens dos novos marcadores apresentadas pelo nefrologista estão a possibilidade de detectar o risco de DCR nos pacientes, melhorar o acompanhamento da progressão da doença, os conhecimentos da fisiopatologia e a identificação de processos mais eficazes de terapia.

 

Problemas

Não é somente o alto percentual de pessoas que desconhecem ter a doença. De acordo com dados apresentados por ele, um em cada cinco diabéticos possuem DRC, o que equivale a 20% dos casos. A patologia atinge um em cada sete hipertensos e 10% dos adultos. Atualmente, cerca de 144 mil brasileiros estão em programas de diálise.

 

Tecnologia

Para o Gerente Técnico/Científico no Tommasi Laboratório, José Robson Venturim, as vantagens de contar com metodologias automatizadas têm contribuído para os diagnósticos através do exames de urina, como reações padronizadas e melhor conservação de insumos, maiores controles de leitura em relação ao tempo de observação, rapidez no processo de análise e ganho de produtividade, além da rastreabilidade de dados e resultados, volume padronizado de urina por tira de reação (evitando a contaminação), interface bidirecional com identificação e a leitura por código de barras, o que traz maior segurança ao processo, evitando problemas de registros, trocas de amostras, entre outras.

Como exemplo, ele destaca a incorporação de tecnologias como Citometria de Fluxo e a Microfotografia digital, que no caso das avaliações químicas e físico-químicas nos exames de urina, que envolvem as tiras (cores), as leituras dos campos de reação passam a ser feitas por sistemas ópticos, incluindo sensores semelhantes aos de câmera fotográfica, como o CMOS, com Leds e detectores fazendo a leitura e o sistema interpretando os dados. “A inclusão de novos parâmetros tem possibilitado a incorporação a Albuminúria (reação mais específica da Albumina) e a Creatininúria na mesma tira de reação, permitindo que se faça uma relação entre Albumina e Creatinina o que é o parâmetro mais adequado para medir a eliminação de proteína pelos rins”, apresenta o Gerente.

Segundo ele, o sedimento urinário ao invés de ser feito por uma observação visual, interpretação e contagem é realizado por uma leitura de sistemas ópticos, pela citometria de fluxo fluorescente, que por meio de um sistema de luzes dispersas consegue mensurar as partículas, fornecer informações sobre o núcleo e os grânulos das células, indicar a quantidade de DNA e RNA, além de apresentar sinal que melhora a discriminação entre hemácias e cristais.

“Hoje, a citometria de fluxo e a a microfotografia digital com câmeras de alta resolução e capacidade de identificação permitem que um laboratório consiga substituir praticamente 99% a necessidade da análise do sedimento urinário por microscopia convencional, através de sistemas automatizados com ganho de produtividade, da capacidade de análise, resolutividade e padronização”, completa Venturim.

O Nefrologista e professor universitário Dr. João Egídio e o Gerente Técnico/Científico no Tommasi Laboratório, José Robson Venturim, apresentaram esses temas no Painel “Abordagem clínico-laboratorial das Doenças Renais Crônicas com as palestras “A importância dos biomarcadores nas doenças renais” e “Exame de urina vai além da urina: uma visão do laboratório”, respectivamente, no II Sysmex Week, evento on-line, que acontece nesta semana e traz novidades das áreas clínico-laboratoriais em Hematologia, Urinálise e Citometria de Fluxo com uma série de conteúdos voltados profissionais do setor de medicina diagnóstica e especialistas em diferentes áreas médicas.

Outro destaque do dia foi o painel “O exame de urina como ponto de partida para a interface entre médico e laboratório”, que destacou a importância do inter-relacionamento entre médico, laboratório e paciente na investigação e tratamento e como a tecnologia possibilita a melhoria na obtenção de informações com os temas A importância do ecossistema da urinálise desde o pré-analítico até o diagnóstico, realizada pelo Consultor para Urinálise da Controllab e Professor da Escola de Saúde da Unisinos, Dr. José Antonio Tesser Poloni, e Diagnóstico diferencial do exame de urina melhora a relação do laboratório com o médico, com a Nefrologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Dra. Elizete Keitel,

O consultor abordou a evolução tecnológica no estudo de elementos urinários, benefícios da citometria de fluxo fluorescente e urinálise em pacientes com Covid-19. Já a nefrologista focou em temas como o trabalho entre médico e laboratório no diagnóstico de infecções do trato urinário e das doenças renais, a importância dos exames de urina no acompanhamento de pacientes transplantados, entre outros.

Inscrições gratuitas no site www.sysmexweek.com