anticoagulante coronavirus

Este artigo foi escrito por Okada Noriko correpondente da TV Japonesa NHK

 

 

Cientistas estudam o coronavírus continuamente desde seu surgimento, mas muito sobre o vírus ainda permanece um mistério. Recentemente, surgiram relatos de pessoas que foram infectadas mas que apresentam sintomas persistentes como febre e falta de ar, mesmo muito tempo após seus testes mostrarem resultados negativos. Médicos e pesquisadores agora passam a estudar esses efeitos remanescentes.
"Sinto-me extremamente cansado. É como se estivesse sendo esmagado."

Um estudante universitário de 21 anos disse à NHK que seus sintomas incluem dores de cabeça, às vezes tão fortes, que ele não consegue dormir.

Ele testou positivo para o vírus em 7 de abril e ficou em casa por três semanas. Mas a condição dele piorou e, em 29 de abril, com uma febre de 40 graus Celsius, ele foi hospitalizado. Em 9 de maio, após testar negativo duas vezes, ele recebeu alta.

No entanto, o jovem conta que sintomas como febre alta, fadiga, falta de ar e perda de olfato persistem por quase dois meses. Em determinado momento, no mês de maio, ele desmaiou devido a uma desidratação e foi hospitalizado novamente por cerca de uma semana.

"Fiquei preocupado, e achei que na verdade ainda estivesse infectado", disse ele. "Eu ainda apresentava todos os sintomas."

Embora ele não houvesse se recuperado completamente, os médicos o mandaram de volta para casa. Cansado e apático, ele só conseguia dormir. Ele disse que não tinha energia sequer para pisar fora de casa.

"Pensei que iria me recuperar e poder voltar rapidamente à minha vida normal, já que sou jovem", disse ele. "Mas não foi exatamente o que aconteceu."

Agora ele está de licença da escola. Ele conta que até mesmo fazer anotações é muito cansativo e que seria impossível se concentrar.

"É assustador", diz ele.

Pessoas como este estudante, que sofrem de sintomas persistentes, foram às redes sociais para falar sobre suas experiências, usando hashtags como #LongCovid, ou seja, algo como "Covid duradoura".

Muitas delas compartilham atualizações de seus sintomas e afirmam que os efeitos de longo prazo do coronavírus precisam fazer parte do debate geral sobre a pandemia.

"Hoje vivo com uma dor contínua no peito, palpitações cardíacas, falta de ar e muito mais", twittou uma mulher de 23 anos que foi infectada há quase quatro meses.

Outra mulher, que diz estar acamada desde o teste positivo em fevereiro, escreveu: "Eu tive que deixar meu emprego. E agora minha irmã mais velha também está sofrendo dos mesmos sintomas".

Depois de entrar em contato com instituições médicas e outros estabelecimentos em Tóquio, a NHK descobriu que pelo menos 98 das 1.370 pessoas que apresentaram resultado negativo no final de maio após terem sido infectadas pelo vírus tiveram dificuldade em retornar à vida normal.

 

Despesas médicas caras

As pessoas que sofrem de sintomas persistentes também se deparam com gastos altos devido ao tratamento prolongado.

O estudante de 21 anos diz que vai ao hospital uma vez a cada duas semanas e que cada viagem custa mais de 5.000 ienes, ou cerca de 46 dólares. Ele também precisa pagar por um táxi para se deslocar ao sair e retornar para casa, pois seus sintomas dificultam que ele caminhe ou faça uso do transporte público.

O sistema de seguro de saúde pública do Japão cobre o custo integral do tratamento para pacientes com coronavírus, até que apresentem resultado negativo nos testes e recebam alta do hospital. Depois disso, eles estão por conta própria.

O estudante afirma que já gastou 120.000 ienes, ou mais de mil e cem dólares, em tratamento. E que, por ora, não há previsão de que esta situação mude.

"Agora, dependo financeiramente dos meus pais, pois não posso nem mesmo ir ao meu emprego de meio período", diz ele.

Ele afirma que o apoio a pacientes com coronavírus precisa continuar mesmo depois de apresentarem resultados negativos nos testes, já que os resultados não refletem a extensão do sofrimento pelo qual eles continuam a passar.

"Disseram-me que meu resultado deu negativo e que eu estava livre do vírus", diz ele. "Mas foram apenas palavras. Meus sintomas ainda estão aqui."

A Sociedade Respiratória Japonesa, cujos membros trabalham em instituições médicas em todo o país, decidiu começar a estudar estes sintomas remanescentes.

"Não sabemos quantos casos como estes existem no país", diz o presidente Yokoyama Akihito. "Mas precisamos descobrir com que frequência esses efeitos posteriores surgem. Precisamos nos informar sobre o assunto para estarmos preparados para a segunda onda de infecção".

 

Fonte: NHK