coronavirus microscopia

Pesquisadores testaram potencial de evasão da variante Delta de anticorpos de pessoas anteriormente infectadas com covid-19, pessoas que receberam 1 dose e daqueles que receberam 2 doses das vacinas AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNtech.

 

 

Desde que surgiu a variante Delta, linhagem B.1.617 do SARS-CoV-2, identificada primeiramente em outubro de 2020 na Índia causou uma grande preocupação ao mundo. A variante se tornou dominante em regiões da Índia, do Reino Unido e já há casos de mortes e infectados pela variante no Brasil.

Recentemente uma mutação na variante Delta causou uma nova onda de preocupação e fez países como Israel recuar na liberação do uso de máscaras em locais fechados. A cepa Delta Plus possui uma mutação na proteína spike, que funciona como um gancho para se ligar às células humanas, chamada K417N.

A linhagem inclui três subtipos principais (B1.617.1, B.1.617.2 e B.1.617.3), abrigando diversas mutações de Spike no domínio N-terminal (NTD) e no domínio de ligação ao receptor (RBD) que podem aumentar seu sistema imunológico potencial de evasão.

A nature publicou nesta quinta-feira (8/7) um artigo com o título "Sensibilidade reduzida a variante Delta do SARS-CoV-2 à neutralização por anticorpos'.

Os pesquisadores isolaram uma cepa infecciosa da variante Delta de um viajante que retornou da Índia e testou a sensibilidade a anticorpos monoclonais (mAbs) e a anticorpos presentes em soros de indivíduos convalescentes infectados anteriormente por COVID-19 ou receptores de vacinas, em comparação com outras cepas virais.

Eles observaram que a variante Delta foi resistente à neutralização por alguns mAbs anti-NTD e anti-RBD, incluindo Bamlanivimab, que foram prejudicados na ligação ao Spike.

Os testes demonstraram que os soros de pacientes convalescentes coletados até 12 meses após os sintomas foram 4 vezes menos potentes contra a variante Delta, em relação à variante Alfa (B.1.1.7 - identificada primeiro no Reino Unido).

Já os soros de indivíduos que receberam uma dose das vacinas Pfizer ou AstraZeneca dificilmente inibiram a variante Delta. A administração de duas doses gerou uma resposta neutralizante em 95% dos indivíduos, com títulos 3 a 5 vezes menores contra Delta do que Alfa. Reforçando a necessidade da imunização completa para proteção.

O artigo "Reduced sensitivity of SARS-CoV-2 variant Delta to antibody neutralization" é assinado pelos pesquisadores franceses Timothée Bruel, Etienne Simon-Lorière, Felix A. Rey, Olivier Schwartz pode ser lido em https://www.nature.com/articles/s41586-021-03777-9

 

Texto por Fábio Reis

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