buriti protetor solar

O objetivo é oferecer um produto mais barato que o convencional para agricultores. Desenvolvido com um fruto encontrado em abundância no Cariri, o filtro ainda está em fase de testes.

 

Muito presente nas regiões do cerrado, Pantanal e Amazônia, o buriti traz muitos benefícios ao corpo humano, já que é rico em cálcio, ferro, proteínas, dentre outros. De tão diversificado, o fruto também presta outro "serviço" à saúde pouco conhecido: a proteção da pele.

Por isso, os estudantes Fidel Morais, 17, e Eron Pinheiro, 16, ambos do Crato, estão desenvolvendo um filtro solar, já batizando de Ultra Buriti. A proposta é criar um protetor mais barato que os convencionais para que seja utilizado, principalmente, por agricultores familiares que trabalham sob o sol. O custo médio para 100 ml do produto é de R$ 5, que seriam investidos totalmente nos materiais utilizados para sua fabricação. "São inúmeros casos de doenças relacionadas à pele. A gente quer ajudar a diminuir essa problemática", justifica Fidel.

A ideia começou no mês passado, quando os dois participaram de uma feira escolar em Caucaia. Os dois começaram a ler artigos sobre o buriti, que é facilmente encontrado em Santana do Cariri. "A gente pesquisou quais óleos ofereceriam o Fator de Proteção Solar (FPS) e decidimos pelo buriti, que tem mais proteção", completa o estudante.

Com os apoios do professor de Química e farmacêutico Cícero Teixeira e do laboratório do Colégio Pequeno Príncipe, onde estudam, a dupla avançou na pesquisa e mesmo no período de férias, tem tocado os trabalhos. No buriti, foram encontrados vários componentes, como emolientes, antioxidante, conservantes, umectante, entre outros. "Fizemos um cálculo de cada um que deveria estar na fórmula e o óleo de buriti é o ativo do nosso protetor solar", pontua o docente.

Os garotos também utilizam óleo de coco, que ajuda na hidratação da pele, e de girassol, que tem Vitamina E, agindo como antioxidante e evitando que outros óleos se desgastem. Antes de chegar a eles, fizeram testes com óleo de copaíba, mas não obtiveram um bom resultado. "A gente foi pesquisando outras substâncias, o método de fabricar o protetor e decidimos fazer por emulsão: mistura de óleo, água, dando essa textura de creme", descreve Fidel. A fabricação incluiu BHT - composto orgânico lipossolúvel e antioxidante -, pois a Vitamina E presente no óleo de girassol não é suficiente para estabilizar toda substância. "Comprar a Vitamina E pura sairia muito caro e não é isso que a gente quer", reforça Fidel. O processo todo, manualmente, dura 15 minutos.

Agora, os alunos aguardam o fim do recesso na Universidade Regional do Cariri (Urca) para realizar testes no laboratório. Um espectrofotômetro poderá precisar o valor do FPS do produto que fabricaram. O contato com a instituição já foi feito e a análise deve sair em fevereiro.

 

 

Texto por Antonio Rodrigues - Diário do Nordeste
Imagem: wikimedia