O primeiro participante de um ensaio clínico para uma vacina experimental contra o novo coronavírus receberá uma dose neste segunda-feira, de acordo com informações de um funcionário do governo americano divulgada pela agência de notícias Associated Press.

Em fevereiro a startup biofarmacêutica americana Moderna havia comunicado que sua vacina contra o coronavírus estava pronta para testes clínicos e que esperava iniciar os ensaios clínicos com voluntários saudáveis até o final de abril. Porém, a empresa decidiu iniciar os testes da vacina diretamente em humanos, sem passar pelo protocolo padrão de teste em animais.

A Moderna desenvolveu um mecanismo de imunização inédito, não há nenhuma outra vacina que utilize a mesma técnica. A vacina usa uma molécula chamada RNA mensageiro (RNAm). No nosso organismo, o RNAm transmite informações contidas em nosso DNA para os ribossomos e possibilita a produção de proteínas.

A nova vacina utiliza RNAm sintético estimulando o organismo a produzir proteínas iguais às do coronavírus. A ideia é o organismo aprenda a reconhecer essas proteínas que são semelhantes aos do coronavírus para quando o organismo for infectado com o novo coronavírus já saiba identificar e combater o vírus.

O anúncio do início dos testes em humanos gerou críticas da comunidade científica que alega que a decisão de pular os ensaios pré-clínicos põe em risco a saúde dos voluntários e é contrária a ética científica. Outro fator agravante é que a vacina utiliza um novo mecanismo inédito o que pode aumentar os riscos.

O laboratório vai realizar o teste com 45 pessoas entre 18 e 55 anos, que vão tomar duas doses da vacina com intervalo de um mês. Cada cobaia receberá US$ 100 por visita feita ao Instituto de Pesquisa em Saúde de Seattle (EUA) ao longo do estudo, e serão realizadas 11 visitas, o que vai render cerca de 5 mil reais a cada participante.

 

Sobre a Moderna

É uma startup norte-americana que se dedica ao desenvolvimento de vacinas personalizadas para doentes oncológicos, foi também responsável por grandes conquistas nos tratamentos do surto de zika em 2015. Agora é uma das empresas que está à frente das pesquisas por uma vacina contra a Covid-19, a sua vacina introduz no organismo uma imitação da proteína que existe na superfície do vírus.

 

Texto por Fábio Reis para PFARMA

* A reprodução é permitida, desde que citada a fonte com link para https://pfarma.com.br 

 

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