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- Categoria: Mercado Farmacêutico
- By Fábio Reis
Chiesi dá salto tecnológico no Brasil com investimento de R$ 124 milhões e nova geração de inaladores

Ampliação da fábrica em Santana de Parnaíba elevará a capacidade produtiva para 25 milhões de unidades por ano e permitirá fabricar dispositivos com propelente capaz de reduzir em até 90% a pegada de carbono (Imagem: Chiesi)
A farmacêutica italiana Chiesi vai investir R$ 124 milhões na ampliação de sua fábrica em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, em um projeto que combina expansão industrial, inovação tecnológica e redução do impacto ambiental de medicamentos respiratórios. A iniciativa prevê elevar a capacidade produtiva da unidade de 15 milhões para 25 milhões de unidades por ano e introduzir no Brasil uma nova geração de inaladores pressurizados utilizados no tratamento da asma e da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
O principal avanço tecnológico está na substituição do gás propelente utilizado nos dispositivos. A mudança permitirá à companhia produzir localmente inaladores com uma tecnologia que, segundo a empresa, pode reduzir em até 90% a pegada de carbono dos produtos, sem comprometer sua eficácia terapêutica.
O investimento ocorre no ano em que a Chiesi completa 50 anos de operação no Brasil. Criada em 1976, a subsidiária brasileira foi a primeira operação do grupo fora da Itália. Ao longo das décadas, a fábrica paulista passou por modernizações e consolidou sua importância no abastecimento do mercado nacional e de outros países.
Nova tecnologia transforma o perfil ambiental dos inaladores
Os inaladores pressurizados, conhecidos popularmente como bombinhas, utilizam um gás para liberar a dose do medicamento e conduzi-la às vias respiratórias. Atualmente, a Chiesi utiliza o propelente HFA-134a em seus dispositivos desse tipo. O projeto prevê substituí-lo pelo HFA-152a, alternativa que apresenta menor potencial de impacto climático.
A mudança representa uma etapa relevante na estratégia de descarbonização da companhia, especialmente no segmento respiratório. Segundo as informações divulgadas pela Chiesi, a nova tecnologia permitirá reduzir significativamente as emissões associadas aos dispositivos, preservando a eficácia terapêutica dos medicamentos.
A implantação, porém, exige mais do que a substituição de um componente. O projeto envolve obras civis, instalação de novos equipamentos e adaptação de processos industriais para viabilizar a fabricação dos produtos com o novo propelente.
As obras começaram em 2026, e a implementação deverá avançar nos próximos anos. A comercialização dos inaladores produzidos com a nova tecnologia dependerá da conclusão das adequações industriais e das etapas regulatórias necessárias.
Em publicação no LinkedIn da Chiesi Brasil, Marco Ruggiero, presidente da companhia no país, destacou que o projeto vai além do aumento da produção. Segundo o executivo, o investimento também representa a introdução de uma tecnologia totalmente nova no mercado brasileiro.
Produção anual deverá crescer quase 67%
A expansão permitirá elevar a capacidade produtiva da fábrica de 15 milhões para 25 milhões de unidades por ano, um crescimento de aproximadamente 67%. A capacidade adicional deverá atender à demanda brasileira e ampliar a contribuição da operação nacional para o fornecimento de medicamentos a outros mercados.
Em entrevista à EXAME, Ruggiero informou que o número de medicamentos produzidos na unidade deverá passar de 11 para 19. A estimativa da companhia é destinar cerca de 31% da produção ao exterior. A estratégia também contempla ampliar o fornecimento para a América Latina, incluindo mercados como México e Colômbia, além dos países já atendidos na Europa, no Oriente Médio, na Ásia e na Oceania.
A ampliação tem como objetivo fortalecer a autonomia produtiva da operação brasileira, aumentando a fabricação local de medicamentos destinados ao mercado nacional e reduzindo a necessidade de trazer determinados produtos de outras unidades do grupo.
A iniciativa também reforça o posicionamento do Brasil como uma plataforma industrial estratégica para a Chiesi na América Latina. Com maior capacidade instalada e ampliação do portfólio produzido localmente, a unidade poderá assumir uma participação mais relevante na cadeia internacional de abastecimento da farmacêutica.
Investimento integra plano para alcançar R$ 1 bilhão em receita
A expansão industrial está inserida em uma estratégia mais ampla de crescimento da companhia no país. A Chiesi registrou faturamento de R$ 690 milhões no Brasil em 2025 e estabeleceu a meta de alcançar R$ 1 bilhão em receita até 2030, conforme os dados apresentados pela empresa à EXAME.
O plano de crescimento não depende exclusivamente da ampliação fabril. A farmacêutica atua nas áreas de doenças respiratórias, neonatologia e doenças raras e busca expandir o alcance de seus tratamentos tanto no mercado privado quanto no sistema público de saúde.
Nesse contexto, a combinação entre fabricação local, ampliação do portfólio e exportações constitui uma frente importante para sustentar a expansão dos negócios. A introdução de uma nova tecnologia de inaladores acrescenta uma dimensão estratégica ao investimento, ao associar o aumento da capacidade industrial à modernização dos processos produtivos e à redução da pegada de carbono.
Brasil ganha importância na estratégia global da Chiesi
A fábrica de Santana de Parnaíba ocupa posição relevante na estrutura industrial da companhia, que emprega aproximadamente 400 pessoas no Brasil, considerando as equipes da unidade fabril, do escritório e da área comercial.
A ampliação de R$ 124 milhões reforça essa estrutura e prepara a operação para assumir novas demandas de produção. Ao mesmo tempo, a introdução da tecnologia de propelente de menor impacto ambiental aproxima a unidade brasileira das transformações tecnológicas em curso na indústria farmacêutica, particularmente no desenvolvimento de soluções respiratórias mais sustentáveis.
O projeto representa, assim, um avanço em duas frentes: amplia a capacidade nacional de fabricação de medicamentos e prepara a indústria local para produzir uma nova geração de inaladores. A concretização desses objetivos dependerá da execução dos investimentos e da obtenção das autorizações regulatórias necessárias, mas a iniciativa já sinaliza a crescente relevância do Brasil nos planos industriais e de inovação da Chiesi.