quinolonas

 

Revisão sugere que antibióticos quinolonas e fluoroquinolonas podem causar eventos adversos graves e permanentes

O Comitê de Produtos Medicinais para Uso Humano da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) suspendeu a autorização de marketing para alguns medicamentos da classe das quinolonas e fluoroquinolonas, como a cinoxacina, a flumequina, o ácido nalidíxico e o ácido pipemídico. Para que a suspensão seja obrigatória em todos os países membros da União Europeia, ainda é necessária a aprovação da Comissão Europeia, entidade que representa o poder político do grupo e é responsável por aplicar decisões como as do Parlamento Europeu.

A decisão da EMA foi tomada com base em um processo de revisão aberto em fevereiro de 2017, a pedido da agência alemã responsável pela segurança de medicamentos. Em outubro passado, a Comissão da Avaliação de Riscos de Farmacovigilância da EMA chegou à conclusão de que as quinolonas e fluoroquinolonas trazem riscos de eventos adversos graves, acatada agora pelo Comitê de Produtos Medicinais para Uso Humano.

Desenvolvidas nos anos 1960, as fluoroquinolonas são conhecidas por serem muito eficazes, mas relatos de pessoas saudáveis que desenvolveram limitações duradouras ou persistentes após algum ciclo do antibiótico acenderam o alerta da agência americana. Os sintomas variam, mas os mais comuns envolvem problemas musculares, nos tendões e nervos. Há relatos também de problemas mentais. Alguns dos efeitos colaterais reportados: tendenite, ruptura de tendão, dores nas articulações, dificuldades na marcha, neuropatias, depressão, fadiga, memória prejudicada, desordens do sono, deficiências auditiva, visual, olfativa e gustativa.

Nos EUA, onde a classe de antibiótico já foi a quarta mais vendida, já há um termo para os pacientes que sofrem os eventos adversos graves – “ter sido floxed”, algo como “fluoroquinolado”. Estima-se que centenas de milhares de pessoas tenham sofrido esse tipo de evento adverso porque o número de relatos que chegou até a FDA – 60 mil – costuma corresponder, no máximo, a 10% dos que aconteceram na realidade.

O mecanismo fisiológico que causa os efeitos colaterais ainda está sendo investigado. A suspeita é que as fluoroquinolonas danifiquem a mitocôndria das células, uma estrutura que teria evoluído a partir da interação com organismos parecidos com bactérias há bilhões de anos. Em 2013, um estudo mostrou que a ação de vários tipos de antibióticos acumula lixo celular dentro da mitocôndria, o que atrapalha seu funcionamento, e que a maior quantidade do lixo seria produzida pelas quinolonas. Outra hipótese é que as fluoroquinolonas causem mudanças epigenéticas no material genético. Elas conseguiriam se ligar a átomos de ferro em lugares em que enzimas modificam o DNA.

Em novembro passado, ao divulgar a proibição de marketing para cinoxacina, flumequina, ácido nalidíxico e ácido pipemídico, a agência europeia EMA listou restrições de uso para as demais quinolonas e fluoroquinolonas. Elas NÃO devem ser usadas:

– para tratar infecções que podem melhorar sem tratamento ou que não são graves, como infecções de garganta;
– para tratar infecções não-bacterianas;
– para prevenir diarreia do viajante (infecção alimentar) ou infecções recorrentes do trata urinário, que não se estendam para além da bexiga;
– para tratar infecções leves ou moderadas, a não ser que outros antibactericidas comumente recomendados não possam ser usados.

A EMA ainda pede cautela para o uso em pacientes idosos, com doença renal ou que já tenham passado por transplante de órgãos. O uso de fluoroquinolonas combinado a corticosteroides também deve ser evitado porque aumenta o risco de efeitos colaterais importantes.

Fonte: IBSP - Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente