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A Fiocruz, por meio de seu Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), e o laboratório francês Servier assinaram, na última sexta-feira (10/3), em cerimônia realizada no auditório de Bio-Manguinhos, um Memorando de Entendimento para uma cooperação técnica no desenvolvimento de novos medicamentos voltados para o tratamento de doenças crônicas a partir de uma nova plataforma farmacêutica. Trata-se de uma tecnologia inovadora, que consiste na liberação prolongada do princípio ativo no organismo, o que proporciona eficácia, segurança e maior aderência e comodidade aos pacientes. O acordo com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), por sua vez, prevê oficinas para apresentação e mapeamento de projetos na área da oncologia.

Assinaram os acordos Jorge Mendonça, diretor de Farmanguinhos, Rosabe Cuber, vice-diretora de Qualidade de Bio-Manguinhos, e Mathieu Fitoussi, diretor-geral da Servier no Brasil. Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, e Olivier Laureau, presidente do Grupo Servier, assinaram como testemunhas. Estiveram presentes ainda Myron Moraes Pires, coordenador-geral do Complexo Industrial da Saúde (CGCIS), representando a secretária do Ministério da Saúde, Sandra Barros, e Brigitte Collet, embaixadora da França no Brasil.

 

Plataforma inovadora para Farmanguinhos

A parceria entre Farmanguinhos/Fiocruz e Servier prevê, inicialmente, o desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças cardiovasculares, como angina, isquemia e hipertensão. Numa segunda fase, já com a expertise adquirida, a nova plataforma poderá ser utilizada também para o desenvolvimento de novas opções de tratamento para doenças negligenciadas, como malária, tuberculose e Aids, por exemplo.

O projeto é uma extensão da cooperação já firmada entre o Grupo Servier e Farmanguinhos/Fiocruz, que teve início em 2017, para a fabricação do medicamento Vastarel 80, para tratamento de isquemia cardíaca que já utiliza a tecnologia de micropellets. Com isso, Farmanguinhos já detém o conhecimento da nova tecnologia, o que deve facilitar todo o processo de desenvolvimento de novos medicamentos.

Para o diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, a nova plataforma permitirá o desenvolvimento de sistemas de liberação de substâncias inclusive em combinação, e interdependentes, melhorando o perfil de segurança e eficácia de medicamentos. “Com essa nova tecnologia, podemos combinar mais de um princípio ativo na mesma forma farmacêutica. No caso da Aids, por exemplo, poderíamos pensar em desenvolver um medicamento único, para, além de aumentar a tolerabilidade, reduzir o número de cápsulas que hoje esses pacientes devem ingerir”, explica o diretor.

Myron Moraes Pires, coordenador-geral do Complexo Industrial da Saúde (CGCIS) do Ministério da Saúde, se disse contente com os acordos. “As Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com Bio-Manguinhos e Farmanguinhos testemunham a qualidade dos profissionais dessas instituições, e tem tudo para continuar dando certo, porque já está dando certo”, ressaltou.

 

Acordo em oncologia com Bio-Manguinhos

Além do acordo com Farmanguinhos/Fiocruz, a vinda ao Brasil do presidente do Grupo Servier, Olivier Laureau, marcará também os primeiros encontros para uma parceria entre o grupo e Bio-Manguinhos/Fiocruz para desenvolvimento de inovação no campo da Oncologia. Neste primeiro momento, estão previstas oficinas envolvendo as equipes de pesquisadores brasileiros e do grupo francês para apresentação e mapeamento de projetos que podem se complementar por meio de cooperação técnica. “Cuidar do câncer é a nova ambição do grupo” afirmou Laureau, “desejamos ter o mesmo sucesso que tivemos nos domínios vasculares e venosos”. O presidente do grupo ainda celebrou a cooperação entre as instituições, como indutora de inovação: “dividimos nosso conhecimento em uma parceria com caráter único e inspirador. A pandemia nos lembrou a que ponto a cooperação está na origem da inovação; é sua chave para descobrir vacinas e medicamentos, bens estratégicos universais”.

A vice-diretora de Qualidade de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, destacou a importância dos acordos. “As PDPs são um importante instrumento para a incorporação de novas tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS), para todos os brasileiros, e o desenvolvimento da nossa capacitação original e do complexo de saúde”, disse. “A ampliação do portfólio de biofármacos é estratégica para o país e para garantir autossuficiência produtiva nacional”. A realização de oficinas para apresentação e mapeamento de projetos são para ela iniciativas promissoras.

Com o câncer se tornando a segunda maior causa de morte no mundo, Servier fez da oncologia uma de suas prioridades, com mais de 50% de seu investimento em pesquisa nesta área. “O Grupo concentra seus esforços em câncer, naqueles difíceis de tratar, para grupos específicos de populações, como câncer do sistema disgestivo, hematológicos e pediátricos”, esclareceu Mathieu Fitoussi, diretor-geral da Servier do Brasil. “Temos grande convicção de que a parceria com Bio-Manguinhos/Fiocruz na oncologia será muito importante para o avanço de pesquisas que beneficiarão os pacientes no Brasil”.

A embaixadora da França no Brasil, Brigitte Collet, exaltou o aprofundamento da cooperação. “Estou particularmente feliz por estar neste local simbólico da cooperação científica entre Brasil e França”, revelou. A embaixadora lembrou sua última visita à Fiocruz, quando entregou à presidente Nísia Trindade Lima a condecoração da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, “em reconhecimento de seu admirável percurso profissional”. “Saúdo essa forte e contínua colaboração entre a Fiocruz e um dos campeões franceses no campo da saúde”, concluiu.

Ao final da cerimônia, a presidente Nísia sintetizou o histórico da cooperação, que se iniciou em 2010 e ganha uma nova etapa com os acordos recém-firmados: “desafios do passado, presente e futuro se unem nesses acordos que são um marco na nossa parceria com a França e a Servier. Sua finalidade maior é reforçar laços nos campos da pesquisa e da inovação, sempre voltadas para as necessidades dos pacientes e o fortalecimento do SUS e demais sistemas de saúde”.

 

Texto por Ciro Oiticica (Agência Fiocruz de Notícias)