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A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP publicou na última quinta-feira (21/4) uma moção sobre uso da Cloroquina e da Hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2)(imagem: divulgação instituicional facebook). Leia abaixo na íntegra o documento.

 

 

MOÇÃO DA FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS DA USP
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO SOBRE O USO DE CLOROQUINA/HIDROXICLOROQUINA PARA COVID-19

 

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo tem como missão “promover a formação de recursos humanos qualificados, empreendedores e com visão crítica, gerar o conhecimento e atuar nas atividades de extensão em Ciências Farmacêuticas”, dentro dos valores de que essas atividades “devem ser pautadas pela excelência e pelos princípios éticos, priorizando a dignidade dos seres humanos e a preservação do meio ambiente”. Com base nesses princípios, a Faculdade, no papel de formadora de profissionais farmacêuticos responsáveis e éticos, que atuam nas várias áreas dos fármacos e medicamentos, dos alimentos e das análises clínicas e toxicológicas, vem a público para contestar o protocolo do Ministério da Saúde que contempla o uso de cloroquina/hidroxicloroquina para casos de COVID-19.

A cloroquina – ou seu derivado, hidroxicloroquina – não demonstraram, até o momento, eficácia comprovada no tratamento da COVID-19, de acordo com resultados de vários estudos clínicos conduzidos em nível mundial e nacional. De acordo com a ANVISA, “até o momento, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso da cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19”. A visão é corroborada pela Sociedade Brasileira de Imunologia, pela Organização Mundial da Saúde e por diversos órgãos da área pelo mundo inteiro. Além de não haver comprovação de eficácia no tratamento da COVID-19, entre os inúmeros eventos adversos relatados, estão os cardíacos – com destaque para o prolongamento do intervalo QT – que podem colocar em risco a vida dos pacientes, levando-os a óbito.

Em razão dos motivos citados, entendemos que, até o momento, não há base cientifica para a recomendação de uso terapêutico da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19. Portanto, não podemos consentir com a ação irresponsável que representa o novo protocolo que inclui o uso da cloroquina para casos leves. Como profissionais da saúde, nos cabe repudiar, com veemência, essa ação do Ministério da Saúde.

São Paulo, 21 de maio de 2020

APROVADA PELA EGRÉGIA CONGREGAÇÃO DA
FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO