coronavirus microscopia

 

 

Imunidade coletiva, popularmente conhecida como “imunidade de rebanho”, é o conceito criado por imunologistas para calcular quantas pessoas numa população precisam estar imunes a um agente infeccioso para que ele não atinja indivíduos vulneráveis. A ideia é simples: quanto mais pessoas vacinadas, menos pessoas doentes, menos vírus circulando.

A expressão tornou-se mais conhecida depois que o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) veio a público dizer que a epidemia só terminaria depois que 70% da população fosse contaminada. Para Cristina Bonorino, da Sociedade Brasileira de Imunologia e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, a imunidade não é algo que se estabelece naturalmente. “O que sabemos sobre o SarS-Cov-2 é baseado em epidemias anteriores causadas por outros coronavírus, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars).”

Ainda não se sabe ao certo qual porcentagem da população precisaria contrair o SarS-Cov-2 para estar imunizada e não transmitir a doença, mas algumas pesquisas estimam que este número estaria entre 60% e 80%. Cristina enfatiza, ainda, que a proteção coletiva só é possível por meio de campanhas de vacinação. “A exposição da sociedade ao coronavírus custaria a vida de milhões de cidadãos.”

Os programas de vacinação no Brasil, por exemplo, permitiram erradicar algumas doenças que já mataram milhares de pessoas, como a poliomielite, o sarampo e a rubéola.

“Com a varíola também foi assim”, relata Cristina ao Jornal da USP. As campanhas dos anos 1960 mostraram que a vacinação em massa tinha o poder de erradicar a doença. “Nunca existiu imunidade de rebanho para a varíola; as pessoas estavam expostas porque não tinham opção. Cada vez que vinha o surto, muitos simplesmente morriam”, relembra a imunologista.

“Isso não é imunidade de rebanho, isso é fragilidade da população a um vírus”, completa.

O último caso de varíola notificado no País foi em 1971.

 

imunidade de rebanho

 

Texto por Fabiana Mariz - Jornal da USP