Pandemia por COVID-19 causa o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. Boletim chama atenção para situação extremamente crítica no país: 24 estados e DF estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS iguais ou superiores a 80%, sendo 15 iguais ou superiores a 90%

 

 

Resumo

Esta é a análise da atual situação da pandemia no país, segundo os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz.

Os indicadores - média móvel de casos e de óbitos e taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19 para adultos - pioram em uma velocidade ainda não vista até então.

Segundo os pesquisadores, é urgente ampliar e intensificar as medidas não-farmacológicas, com medidas de supressão ou bloqueio da transmissão e uso de máscaras de proteção. Como a situação é crítica em quase todo território nacional, este conjunto de ações se faz necessário de forma coordenada e com monitoramento do panorama epidemiológico nos estados, até que a vacinação se intensifique e seja atingida uma ampla cobertura vacinal.

 

 

Observatório Covid-19 aponta maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil

 

Diante do atual cenário da pandemia, a Fiocruz divulga, nesta terça-feira (16/3), mais uma edição do Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz. A análise chama atenção para os indicadores que apontam uma situação extremamente crítica em todo país. Na visão dos pesquisadores que a realizam, trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil.

O Boletim mostra que, no momento, das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 25 das 27 estão com essas taxas iguais ou superiores a 80%, sendo 19 delas superiores a 90%.

Os dados são das secretarias estaduais de Saúde e do Distrito Federal, e das secretarias de Saúde das capitais. As novas informações apuradas foram adicionadas à série histórica já apresentada pelo Boletim. O mapeamento traz dados obtidos desde 17 de julho de 2020.

 

 

A fim de evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir as taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle, como o maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Eles enfatizam também a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social, o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação.  

 

 

O município de Araraquara, em São Paulo, é apresentado no Boletim como um dos exemplos atuais de como medidas de restrição de atividades não essenciais evitam o colapso ou o prolongamento da situação crítica nos serviços e sistemas de saúde. Com as medidas adotadas pelo município, Araraquara conseguiu reduzir a transmissão de casos e óbitos, protegendo a vida e saúde da população.

 

Texto por Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)