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Foi publicado nesta sexta-feira o preprint do estudo "Uso precoce de nitazoxanida em Covid-19 leve: ensaio randomizado controlado por placebo" coordenado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

 

O preprint "Early use of nitazoxanide in mild Covid-19 disease: randomized, placebo-controlled trial", publicado em 23/10, apresentou dados do estudo do antiparasitário nitazoxanida, conhecido pelo nome comercial Annita, no tratamento da COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2).

 Em pacientes com COVID-19 leve, a resolução dos sintomas não teve diferença entre os grupos de nitazoxanida e placebo após 5 dias de terapia (desfecho primário do estudo), mas houve uma redução maior na carga viral de pacientes que tomaram a nitazoxanida do que naqueles que tomaram placebo (desfecho secundário do estudo).

Conduzido pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, o estudo foi anunciado pela primeira vez pelo ministro Marcos Pontes  em coletiva, realizada em 14/4, de que teste in vitro realizados no laboratório do CNPEM demonstraram que o fármaco possui 94% de eficácia em ensaios com células infectadas pelo coronavírus. O anúncio chegou a gerar uma corrida às farmácias pelo medicamento que temporariamente virou medicamento controlado. Desde o anúncio do estudo patrocinado pelo governo federal para avaliar eficácia do vermífugo no tratamento da covid-19, os pesquisadores reclamaram da falta de informações disponíveis sobre a justificativa e metodologia do projeto.

 

Sobre o Estudo da Nitazoxanida no tratamento da COVID-19

O antiparasitário nitazoxanida está amplamente disponível e exerce atividade antiviral de amplo espectro in vitro. No entanto, não há evidências de seu impacto na infecção por SARS-CoV-2. Em um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, pacientes adultos que apresentaram até 3 dias após o início dos sintomas de Covid-19 (tosse seca, febre e / ou fadiga) foram inscritos. Após a confirmação da infecção por SARS-CoV2 por RT-PCR em swab nasofaríngeo, os pacientes foram randomizados 1: 1 para receber nitazoxanida (500 mg) ou placebo, TID, por 5 dias.

De 8 de junho a 20 de agosto de 2020, 1.575 pacientes foram selecionados. Destes, 392 (198 placebo, 194 nitazoxanida) foram analisados. O tempo médio desde o início dos sintomas até a primeira dose do medicamento do estudo foi de 5 (4-5) dias. Na visita do estudo de 5 dias, a resolução dos sintomas não diferiu entre quem tomou nitazoxanida e quem tomou placebo.

No entanto, no acompanhamento de 1 semana, 78% dos pacientes que tomaram nitazoxanida e 57% dos que tomaram placebo relataram resolução completa dos sintomas (p = 0,048). Os esfregaços recolhidos foram negativos para SARS-CoV-2 em 29,9% dos doentes que tomaram nitazoxanida versus 18,2% dos que tomaram placebo (p = 0,009). A carga viral também foi reduzida após a nitazoxanida em comparação com o placebo (p = 0,006). Nenhum evento adverso sério foi observado.

Em pacientes com Covid-19 leve, a resolução dos sintomas não diferiu entre os grupos nitazoxanida e placebo após 5 dias de terapia. No entanto, a terapia inicial com nitazoxanida foi segura e reduziu a carga viral significativamente.

 

O preprint do estudo pode ser conferido em https://doi.org/10.1101/2020.10.21.20217208

 

Texto por Fábio Reis para PFARMA

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