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Janine Boniatti trabalha no desenvolvimento de formulação pediátrica para esquistossomose a partir de impressão 3D

 

 

O trabalho desenvolvido pela pesquisadora Janine Boniatti, do Laboratório de Farmacotécnica Experimental (LabFE) do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), recebeu o prêmio de melhor pôster durante a Conferência European Paediatric Formulation Iniciative (Eupfi) 2021, que ocorreu de forma remota, nos dias 22 e 23 de setembro, devido à pandemia. Trata-se do estudo de uma nova formulação do medicamento praziquantel, utilizado no tratamento da esquistossomose, para ser administrado em crianças em idade pré-escolar. Produzida em impressão 3D, a dosagem pode ser personalizada de acordo com o perfil do paciente e com melhora no sabor, favorecendo sua administração e a adesão ao tratamento. Os resultados positivos têm mostrado que a técnica poderá ser utilizada para tratar outras doenças negligenciadas futuramente.

Esta é a segunda vez que a pesquisadora recebe o prêmio de melhor pôster na Conferência. Há dois anos, Janine submeteu o estudo que avaliava o sabor de três comprimidos pediátricos comerciais para doenças tropicais negligenciadas e, dada a sua relevância, a servidora obteve a honraria.

“Neste trabalho, foram estudados comprimidos que são utilizados atualmente para os tratamentos de malária, Doença de Chagas e esquistossomose. Estas amostras foram avaliadas com metodologias in vivo (modelo animais) e in vitro (língua eletrônica). Os resultados indicaram características de sabor desagradável, demonstrando que isso pode ser um obstáculo para alcançar a eficácia terapêutica em pacientes pediátricos justamente pela dificuldade da adesão em decorrência do sabor. Eu e um grupo de pesquisadores brasileiros de diferentes instituições submetemos essa pesquisa à Eupfi, em 2019, e fomos contempladas com o prêmio. Além disso, essa submissão gerou um artigo na revista AAPS Pharmscitech”, ressalta.

 

 

A investigação é baseada no projeto “Otimização do processo de obtenção, estudo de biodisponibilidade e sensorial de solução sólida amorfa à base de praziquantel para o uso em formulações pediátricas”, em que a servidora vinha participando no laboratório da unidade. É também parte das pesquisas realizadas durante a sua tese do doutorado em Vigilância Sanitária, pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), em cotutela com a universidade francesa Université de Toulouse e o IMT Mines Albi e cooperação com outras instituições internacionais, que proporcionaram a realização de alguns testes e o avanço dos estudos.

 

Um novo olhar para as doenças negligenciadas

De acordo com a pesquisadora, diferentemente da edição anterior, a Conferência apresentou uma quantidade maior de trabalhos voltados paras as doenças negligenciadas.

“Fiquei surpresa e feliz com esse aumento, já que na edição de 2019 nosso trabalho era o único com essa temática. Parece que chamamos a atenção para essa discussão e é isso que almejamos para esta causa. Com o estudo, estamos mostrando que é possível que os pacientes que precisam ou sofrem com essas endemias possam ter acesso aos medicamentos de alta tecnologia, que podemos oferecer produtos melhores dos que estão sendo disponibilizados hoje, como o Praziquantel, que tem um gosto ruim e uma baixa adesão do público pediátrico. Isso é o que mais me motiva, proporcionar um tratamento melhor e mais adequado para essas crianças. Precisamos pensar nessas pessoas e é muito bom ver que neste ano, no principal evento da área na Europa, outros pesquisadores apresentaram trabalhos e estão se dedicando a esse tipo de doença”, evidencia Janine.

 

Texto por TATIANE SANDES - Farmanguinhos/Fiocruz