logistica farmaceutica

Texto por Jackson Campos - Pharma & Government Affairs Director na AGL Cargo

 

 

Se no mercado em geral a nova onda é falar em compliance, no mercado farmacêutico não poderia ser diferente. Estar em conformidade com as mais rígidas regas mundiais de boas práticas de fabricação, armazenagem, transporte e distribuição é imprescindível, mas por quê?

Simples. Os processos que são feitos sem seguir regras de conformidade irão funcionar por um tempo. Eles irão chegar e sair da origem até o destino sem grandes problemas na maioria das vezes, até que algo de errado aconteça.

Isso quer dizer que, independentemente de ação de terceiros, ainda que o importador tenha sorte (isso mesmo, sorte) e continue contratando empresas de transporte internacional não especialistas, vai haver um determinado momento em que isso fará diferença.

A mesma coisa acontece no transporte internacional. Só é preciso um embarque dar errado para que o prejuízo seja alto, seja ele financeiro ou de oportunidade. É Como a frase conhecida na área: “não seguir o compliance é como ultrapassar semáforos em vermelhos e não sofrendo qualquer acidente, até que um dia...”

Ao contrário do que se pensa, contratar um especialista não é mais caro do que contratar uma empresa de transporte comum. Só não é mais barato. O ponto é que são poucos os especialistas de verdade em logística de produtos para saúde, e por isso, os aventureiros estão no mercado atuando livremente, e quando um erro acontece, a culpa é da companhia aérea, do agente de cargas na origem, do tufão, da crise, da falta de espaço, da pandemia.

Eu posso afirmar que é isso que acontece, pois recebi diversas vezes estas desculpas quando eu era o contratante do frete internacional.
O frete internacional em si vai ser praticamente o mesmo, ou seja, os valores que a companhia aérea cobra para um embarque de um termolábil é o mesmo para qualquer agente de cargas, com pequenas variações que não são significativas. A grande diferença é o processo, o sistema de gestão de qualidade, seguindo as boas práticas mais atuais, que estará presente apenas em uma das escolhas.

Um bom sistema de gestão de qualidade garante que o processo será condenado na origem por um especialista qualificado. Que a transportadora na origem foi qualificada, que o terminal tenha sido qualificado, que a embalagem utilizada segue os padrões exigidos internacionalmente e que todos da operação são treinados e conhecem os produtos que estão sendo transportados.

Considerando isso, já que os valores são praticamente iguais, mas a operação pode ser bem diferente, vale a pena que o contratante busque por um especialista enquanto seus processos estão funcionando bem.

 

Autor: Jackson Campos - Pharma & Government Affairs Director - AGL Cargo
Graduado em comércio exterior, pós graduado em gestão industrial farmacêutica e pós graduado em healthcare e supply chain.