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Da esquerda para direita: Tsai Ing-wen, Jacinda Arden Angela Merkel e Mette Frederiksen que são consideradas exemplos de lideranças por suas ações de combate à pandemia causa pelo coronavírus SARS-CoV-2 (imagem: foto colagem de divulgação institucional).

 

 

Bons exemplos não faltam: a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern; a chanceler alemã, Angela Merkel; A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen; a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen;Sanna Marin, a primeira-ministra finlandesa, são só alguns exemplos de países liderados por mulheres que são bons exemplos nas estratégias de combate à pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Não apenas as taxas de infecção foram geralmente mais baixas nas nações lideradas por mulheres, mas as taxas de mortalidade pelo vírus também foram visivelmente mais baixas.

Infelizmente o impacto positivo da liderança feminina em meio à pandemia do coronavírus não foi suficiente para mudar a percepção global em relação as mulheres na liderança.

Em nova edição do estudo do Índice Reykjavik para Liderança, publicado pela empresa de pesquisa de opinião Kantar, descobrimos que apesar de as líderes femininas serem elogiadas por suas atuações no combate à pandemia, as atitudes e percepções em relação a elas não melhoraram.

Segundo o estudo mais da metade dos homens ainda não estão convencidos de ter uma mulher no comando. Apenas 52% das pessoas no grupo G7 de países ricos - 46% dos homens e 59% das mulheres - se sentiriam "muito confortáveis" com uma mulher como chefe de seu governo.

Para Michelle Harrison, CEO da divisão pública da Kantar e cofundadora do índice, "Não quero estar condenado ... mas não podemos presumir que a igualdade entre homens e mulheres está indo na direção certa" completou “Fizemos um enorme progresso (desde a década de 1950), mas agora nada nos diz que estamos em uma era de mudanças. Pode ser o contrário”.

Um fato que chamou a atenção dos pesquisadores foi que os jovens eram mais preconceituosos do que as gerações mais velhas em relação às mulheres em papéis de destaque, com as maiores diferenças na Grã-Bretanha, Alemanha e França.

Os jovens quando questionados se eles se sentiriam muito à vontade com uma líder mulher o índice variou de 69% no Reino Unido, que já teve duas mulheres como primeiras-ministras, passando por 62% nos EUA, que nunca teve uma presidente mulher, e chegando em 38% no Japão.

 

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Líderes femininas são atacadas nas redes sociais

Durante os últimos dias, a repercussão do estudo da Kantar despertou uma série de ataques às lideranças femininas. Em publicação realizada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF - World Economic Forum)  repercutido nas redes sociais, com os resultados da pesquisa, recebeu uma enxurrada de críticas em comentários majoritariamente realizados por homens.

A maioria dos comentários buscavam menosprezar as líderes com críticas sobre aparência física. Outra parcela dos comentários argumentavam que elas quebraram a economia dos países que lideram, mas estudos e relatórios apontam justamente o contrário. Alguns comentários até questionavam o fato de que Jacinda Ardern não seria mulher, revivendo fake news disseminada em 2017 quando ela se tornou a primeira-ministra da Nova Zelândia.

 

Estudos comprovam resposta melhor à pandemia em países liderados por mulheres

O grupo de estudos de Supriya Garikipati , professora de economia da Universidade de Liverpool, analisou diferentes respostas políticas e subsequentes casos totais de COVID e mortes em 194 países, concluiu que os países liderados por mulheres são “sistematicamente e significativamente melhores” na resposta a pandemia.

Para realizar essa comparação os pesquisadores da equipe de Kambhampati consideraram fatores como tamanho da população, produto interno bruto, gastos com saúde, igualdade de gênero e o número de pessoas idosas que ali residem.

Em artigo de opinião publicado na NBCNews a Shelley Zalis, CEO da Female Quotien, argumentou “O COVID-19 mostrou ao mundo o que deveria ter sido óbvio o tempo todo: as qualidades que tornam as mulheres excelentes cuidadoras também são o que as torna grandes líderes”.

 

Sobre o Índice de Reykjavik

O Índice de Reykjavik para Liderança e Mulheres Líderes Políticas, de Kantar, foi lançado em 2018 para tentar entender melhor onde há preconceito nas percepções da sociedade sobre mulheres e homens em liderança.

O estudo entrevistou 23.000 pessoas em 10 países, abrangendo o G7 - Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos - bem como Índia, Quênia e Nigéria, dando a cada país uma classificação de 0 a 100.

 

Texto por Fábio Reis 

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