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No Brasil, em 29 de janeiro comemora-se o Dia da Visibilidade Trans. A data foi criada, em 2004, com o objetivo de promover reflexões e estimular o desenvolvimento de políticas públicas que garantam o respeito à essa população. Para aproximar farmacêuticos do tema, o Conselho Federal de Farmácia promoveu, neste mês, uma live em seu canal no Youtube. Como ressaltou a farmacêutica Elaine Baptista, moderadora do debate virtual, são várias as questões que podem envolver esse cuidado profissional às pessoas trans, a exemplo da orientação sobre o uso racional de medicamentos como hormônios utilizados por essas pessoas no processo de mudança de gênero.

Elaine Baptista é mestre em medicamentos e assistência farmacêutica. Atua com projetos voltados à saúde integral da mulher e à violência de gênero. É integrante do Grupo Técnico de Trabalho de Mulheres Farmacêuticas do CFF. “Nosso objetivo é orientar pessoas trans e estimular toda a classe farmacêutica a colocar o seu conhecimento técnico a serviço dessa parcela da população, cumprindo o seu papel social e de zelar pela saúde pública”, destacou Elaine.

Outra participante da live, a farmacêutica clínica e sanitarista Alicia Krüger, que é travesti, ressaltou o papel do farmacêutico no atendimento às pessoas trans. “O primeiro estabelecimento de saúde que nós, pessoas trans, conseguimos alcançar é a farmácia. Muitas de nós não conseguimos ir a centros especializados, como ambulatórios trans, por exemplo. Não conseguimos ir a hospitais ou a clínicas privadas e a farmácia é aquele estabelecimento de saúde que está ali na esquina com profissional formado e habilitado para tirar todas as dúvidas em relação a esses medicamentos”, considerou.

Alicia, que é doutoranda, disse que durante pesquisa do mestrado em Saúde Coletiva, estimou a existência de apenas 28 laboratórios voltados para uma estimada população de 4 milhões de pessoas deste público trans no país. Ela lembrou que o Brasil já possui um marco legal na área, desde 2011, com uma política nacional de saúde integral à comunidade LGBTQIA+. Por outro lado, ela destaca que garantir esse atendimento ainda é um desafio.

“Precisamos aumentar o número de laboratórios trans e também de locais que façam a cirurgia de redesignação sexual aqui no Brasil. Nem todo mundo tem condições de operar fora, nem todo mundo consegue juntar essa grana. Tem meninas que são muito pobres e que têm o sonho de operar, e tem que ter asseguradas pelo SUS, as melhores técnicas, inclusive, para que essa cirurgia seja feita”, afirmou Alicia, enfatizando que cabe ao farmacêutico fazer essa ponte com o serviço de saúde, dando a primeira orientação e fazendo o acompanhamento farmacoterapêutico.

Alicia lembrou que muitos pacientes correm risco ao fazer o uso inadequado de fármacos e aplicações. E que a utilização de hormônios, sem a orientação adequada e personalizada, pode resultar em efeitos colaterais diversos, como trombose, depressão, dentre outros. Esse foi o caso da transexual Ariadna Arantes, ex-participante dos programas Big Brother Brasil e No Limite. A Influenciadora digital, de 37 anos, contou que chegou a usar 10 comprimidos por dia. Com doença genética no fígado, a esteticista e também maquiadora revelou que já sofreu os efeitos da automedicação. “Eu venho de uma cultura, como travesti de periferia, daquela ideia de passar informação de boca em boca, em que uma fala para a outra sobre o que tomar e misturar. Tem noção da loucura e do perigo? Foi quando eu percebi que estava fazendo alguma coisa errada, com vômitos frequentes”, relatou Ariadna Arantes.

Com as várias trocas de hormônios ao longo da vida, vieram outros sintomas como fraqueza, desânimo, falta de libido e despigmentação da pele. Para reduzir os incômodos, Ariadna buscou ajustar a sua medicação com a ajuda de um endocrinologista e a formulação adequada para a sua necessidade em uma farmácia de manipulação.

Um guia elaborado pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia (CRF-BA), orienta farmacêuticos sobre a assistência à comunidade LGBTQIA+. O material pode ser acessado em matéria sobre o tema no site www.cff.org.br. Se você se interessou sobre o assunto, é possível também conferir a live no canal do Conselho Federal de Farmácia no Youtube.
 

Fonte: Comunicação do CFF
Autor: Denise Coelho e Murilo Caldas