cosmeticos

Mesmo sendo proibido, o uso de formol como alisante de cabelos é comum em uma parcela dos salões de cabeleireiro do Brasil. De acordo com levantamento feito pela Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias dos estados e municípios, 35% de um total de 664 questionários respondidos indicaram o uso irregular.

Além disso, em 61,6% dos casos, a suspeita é de que a adição do formol ao alisante de cabelo tenha sido feita pelo próprio fabricante do produto. Ou seja, os produtos para alisamento já trazem o componente em sua fórmula. Outros 22,4% dos pesquisados informaram que a adição ou manipulação pode ter sido feita pelo profissional cabeleireiro.

 

Quais são os sintomas de intoxicação por formol?

O formol não pode ser usado em processos de alisamentos de cabelos porque é nocivo à saúde. Em contato com a pele, pode causar irritação, queimadura, descamação e até queda de cabelo, entre outros danos. Se for inalado, pode provocar ardência nas vias respiratórias, coriza, falta de ar, tosse e dor de cabeça. Além disso, instituições internacionais reconhecem o efeito cancerígeno do produto.
PROTESTE testou diversas marcas

No Brasil, o uso do formol é permitido em cosméticos apenas com a função de conservante ou endurecedor de unhas, com concentrações máximas de 0,2% e 5%, respectivamente – Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 15, de 2013.

 

Anvisa determina máximo de 0,2% de formol

Para preservar a saúde dos usuários e dos cabeleireiros que trabalham com essas substâncias diariamente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que a concentração de formol máxima nas escovas progressivas seja de 0,2%. Nesta quantidade, o formol atua como conservante e não tem capacidade alisante.

A PROTESTE testou em junho de 2018 as 12 marcas mais vendidas para alisamento de cabelos. Na ocasião, os testes encontraram irregularidades nas 12 amostras testadas. No entanto, é importante frisar que, de lá para cá, as fabricantes dos produtos podem ter alterado suas fórmulas, se adequando aos parâmetros da Anvisa.

Mas será que as escovas progressivas respeitam esse limite? Decidimos enviar as 12 marcas mais vendidas do mercado para serem analisadas em laboratório. Verificamos se os produtos estão regulares na Anvisa, se contêm formaldeído, e em qual quantidade, e se apresentam o pH compatível para uso no cabelo e em contato com a pele.

Testamos 12 amostras. As marcas estão elencadas abaixo:

• Zap All Time
• Gloss Profissional
• Maria Escandalosa
• Portier - Exclusive
• Portier - Unique
• Foreverliss
• Probelle
• G Hair- Tratamento capilar marroquino
• G Hair – Fórmula Original Alemã
• Etnik Brasil
• Madamelis
• Maria Glamurosa

 

Como fizemos o teste

Neste teste, avaliamos a segurança das escovas progressivas através dos seguintes parâmetros:

• Rotulagem - Para a avaliação da rotulagem, verificamos se os produtos estão regulares na Anvisa, ou seja, devidamente notificados e se há a presença de todas as informações obrigatórias.

Também verificamos se as informações estavam legíveis, permitindo o entendimento correto por parte do consumidor. Por fim, conferimos se os produtos traziam algum contato para atendimento ao consumidor, como SAC.

• Dosagem de formaldeído - Nesta análise, foi verificado se os produtos traziam o formaldeído na formulação e em que quantidade. Para a dosagem do formaldeído, cada produto foi submetido à análise por espectrofotometria UV-VIS.

Trata-se de uma técnica analítica que utiliza a luz para medir a concentração de substâncias em soluções, através da interação da luz com a matéria.

• pH - O pH de cada produto foi obtido utilizando um pHmetro (aparelho usado para medição de pH).

A partir daí, encontramos os seguintes resultados:

Apenas dois contêm formol em quantidades seguras

O teste comprovou irregularidades em todos os produtos testados, sendo a concentração de formaldeído acima do permitido a mais grave encontrada. No entanto, outros pontos também merecem destaque:

• A Probelle e a Portier Unique não contêm formol além do permitido, contudo não indicam a substância no rótulo que deveria, portanto, estar ausente.

Dos 12 produtos testados, somente essas duas apresentaram pH abaixo do recomendado (pH 1.8, quando o mínimo recomendado é de 2,5), o que pode não somente danificar os fios como irritar o couro cabeludo e a pele.

• O uso desses produtos deve ser feito com cautela e por profissionais capacitados, seguindo sempre as instruções do rótulo.

• O produto G Hair Marroquino traz na sua composição a substância ácido glioxílico e orienta a secagem do cabelo com secador e prancha. No entanto, a Anvisa afirma que não existem dados que comprovem a utilização segura do ácido glioxílico em produtos alisantes e/ou submetidos a tratamento térmico.

• O produto Gloss e o G Hair estavam com suas notificações vencida e cancelada, respectivamente. Logo, não poderiam estar disponíveis no mercado.

Agora você pode estar se perguntando? Há opções seguras de escovas progressivas? Sim. Probelle e Portier Unique. Contudo, ambas precisam acrescentar na lista de ingredientes o formaldeído e devem ser utilizadas de acordo com as instruções do rótulo, dado o baixo pH.

 

Para mais informações sobre o teste acessse: https://www.proteste.org.br

Fonte: PROTESTE