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Anticoagulantes podem prevenir a amputação de membros de pacientes infectados com SARS-Cov-2

 

 

Evidências clínicas do Covid-19 têm revelado a formação de trombos em pacientes com ou sem histórico de doenças vasculares. Os anticoagulantes já vêm sendo usados no auxílio do tratamento da infecção com o vírus SARS-Cov-2, em pacientes na fase moderada ou aguda da doença, em hospitais do Brasil. Além dos protocolos de prevenção à trombose em casos de internação, um dos principais motivos da ministração da droga, foram as evidências de formação de trombos pulmonares, causados por Trombose Venosa Profunda (TVP).

A trombose é a formação de coágulos no interior das veias e artérias, que causam a obstrução total ou parcial dos vasos. Os locais de maior incidência da doença são as extremidades, principalmente pernas e pés. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 37 segundos, uma pessoa morre por complicações de um coágulo sanguíneo. De fato, as comorbidades vasculares estão entre os fatores de risco do novo coronavírus.

Até o momento, não existe nenhum estudo concluso a respeito de problemas vasculares causados pela infecção viral. Contudo, alguns pacientes com Covid-19 estão apresentando maior suscetividade a desenvolver coágulos sanguíneos. Alguns estudos em andamento foram publicados em revistas de conceito na comunidade científica, acerca da correlação da trombose e o Covid-19.

Dentre eles, uma pesquisa realizada em um hospital de São Paulo, publicada pela revista British Medical Journal (BMJ), apontou que pacientes com Covid-19 apresentaram melhoras após o uso de anticoagulantes. De acordo com as evidências destacadas na análise, os infectados apresentam uma produção exacerbada de citocinas. Por sua vez, o excesso dessa proteína celular pode causar inflamações que levam à formação de microcoágulos nos vasos sanguíneos. Assim, o pulmão deixa de receber sangue e oxigênio, o que seria a grande causa da sensação de falta de ar em pacientes infectados com o novo coronavírus.

Não somente os pulmões são acometidos pela trombose, médicos vasculares têm identificado a presença de coágulos em várias partes do corpo de pacientes com Covid-19. A exemplo, o caso do ator Nick Cordero, que teve sua perna amputada, por complicação da infecção. Após a detecção de uma trombose nos dedos dos pés, o astro foi medicado com anticoagulante, entretanto, teve uma hemorragia intestinal e precisou suspender o seu uso. Assim, a formação de trombos não pôde ser impedida e ele acabou perdendo o membro.

O cirurgião vascular e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Dr. Bruno Naves, explica que o uso de anticoagulantes associado ao tratamento da infecção precisa de cautelas. “O coronavírus não é a única doença do mundo. Ela pode ser uma pandemia no momento, mas os pacientes continuam a ter hipertensão, diabetes, apendicite, enfim. A vida e as doenças continuam. Então, quando um paciente está internado em estado grave, é avaliado pelo médico assistente que vai analisar os riscos e benefícios do uso de cada medicamento”, afirma o especialista.

Dr. Bruno Naves ainda alerta que pacientes com alterações na hemostasia e uso concomitante de medicamentos que a afete; histórico de úlcera péptica; acidente vascular cerebral isquêmico recente; hipertensão arterial grave, não controlada por medicamentos; retinopatia diabética; neurocirurgia ou cirurgia oftálmica recente; insuficiências hepática ou renal precisam de cautela no uso do medicamento, pois, há grandes riscos de hemorragia. “É importante ter especial atenção em mulheres grávidas e em pacientes que fizeram cirurgia de próstata, fígado e vias biliares”, completa.

A recomendação da SBACV é de que pacientes com histórico de doenças vasculares façam o acompanhamento com um angiologista ou um cirurgião vascular. Entretanto, independente de doenças prévias, caso a pessoa apresente sintomas de trombose, como dor, inchaço e mutação de cor e temperatura, principalmente dos membros periféricos, como pernas, pés, braços e mãos, deve procurar um centro clínico imediatamente.

 

Com informações da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV)