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Estudos apontam impactos do coronavírus SARS-CoV-2 sobre a saúde sexual masculina.

 

 

Foi publicado o preprint de um estudo sobre os sintomas e impactos de longo prazo relatados após infecção por covid-19. O estudo contou com a participação 3.762 entrevistados de 56 países.

Os participantes do estudo relatam condições de saúde diversas de forma prolongada e deficiência significativa. A maioria não havia retornado aos níveis anteriores de trabalho após 6 meses da infecção por COVID-19. Muitos pacientes não se recuperam em 7 meses e continuaram a apresentar uma carga significativa de sintomas.

 

Entre os sintomas relatados por homens se destacaram os ligados a saúde sexual:

- 15% dos homens relataram disfunção sexual.

- 14% dos homens relataram dor nos testículos.

- 3% dos homens relataram uma diminuição no tamanho genital.

 

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Estudos anteriores já alertavam sobre o impacto do coronavírus na saúde sexual masculina

 

Em maio e em novembro publicamos no PFARMA dois estudos que já apontavam que sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) podia afetar à saúde sexual masculina.

Já em março estudos indicaram que o novo coronavírus poderia se ligar à ACE2, uma célula protéica receptora, grande parte das quais está concentrada nos testículos. Li Yufeng, professor de medicina reprodutiva do Hospital Tongji em Wuhan, previu em um estudo que os testículos poderiam se tornar um dos principais alvos do ataque ao coronavírus. No final de abril, pesquisadores da USP também publicaram que foi possível identificar o coronavírus SARS-CoV-2 nos testículos

O artigo "Clinical Characteristics and Results of Semen Tests Among Men With Coronavirus Disease 2019", publicado em maio por pesquisadores de Wuhan, apontava que o coronavírus SARS-CoV-2 pode infectar os testículos e afetar os níveis de testosterona, afetando a saúde sexual masculina e desencadeando hipogonadismo, uma condição que pode causar impotência e infertilidade.

Em março pesquisadores de Wuhan publicaram o artigo "Clinical Characteristics and Results of Semen Tests Among Men With Coronavirus Disease 2019" no qual fizeram uma alerta sobre a função gonadal entre os pacientes recuperados da infecção por SARS-CoV-2, especialmente os homens em idade reprodutiva.

Em novembro o professor Jorge Hallak, da Faculdade de Medicina (FMUSP) e do Grupo de Estudo em Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados (IEA), contou que uma das evidências obtidas é a de que o coronavírus sars-cov-2 tem uma estrutura que afeta o testículo e o epidídimo (ducto que coleta e armazena os espermatozoides), “Nesse contexto, identificamos por ultrassom que uma porcentagem significativa de contaminados pelo sars-cov-2 assintomáticos tiveram uma inflamação importante no epidídimo, diferente das infecções bacterianas. Também vimos alterações das funções dos espermatozoides de maneira moderada, inclusive na qualidade deles, mas ainda não existe evidência de que o vírus possa deixar o indivíduo infértil”, disse ele em entrevista ao Jornal da USP.

Em entrevista à rádio USP ele explicou que se sabe até o momento é que “o vírus tem uma predileção pelo sistema reprodutivo masculino”, de acordo com Hallak. Uma possível explicação é a quantidade de receptores do órgão: depois do pulmão, que é o mais afetado pela síndrome, pois a infecção ocorre por via aérea, os órgãos com mais receptores são os testículos e o rim vem em terceiro lugar. Por isso, “as evidências mostram que a proporção de infecção é a mesma para homens e mulheres, só que a gravidade é 50% maior em indivíduos do sexo masculino. Isso se deve a componentes biológicos e não necessariamente socioambientais”.

 

O artigo "Effect of SARS-CoV-2 infection upon male gonadal function: A single center-based study" pode ser lido em https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.03.21.20037267v1.full.pdf

O artigo "Clinical Characteristics and Results of Semen Tests Among Men With Coronavirus Disease 2019" pode ser lido em https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2765654

O preprint "Characterizing Long COVID in an International Cohort: 7 Months of Symptoms and Their Impact
" pode ser lido em https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.12.24.20248802v2.full.pdf+html

 

Por Fábio Reis 

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